Economia

Petróleo cai quase 2% nesta quarta-feira após Arábia Saudita atacar houthis


FERNANDO NARAZAKI
SÃO PAULO, SP 

(FOLHAPRESS) – Após dois dias de alta, o preço do petróleo está em queda nesta quarta-feira (16), depois de a Arábia Saudita divulgar que neutralizou ataques de drones vindos dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e realizou ofensivas em território iemenita.

Com a resposta saudita, os contratos de novembro do barril Brent, referência mundial, caíram para US$ 106,83 (R$ 550,63), desvalorização de 1,77% em relação ao fechamento de terça-feira (15), por volta das 8h (horário de Brasília). Na abertura, a cotação atingiu US$ 109,08 (R$ 562,23), por volta das 21h de terça-feira.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 103,25 (R$ 532,18), queda de 2,44%, por volta das 8h30.

A queda foi motivada pela resposta da Arábia Saudita, que disse ter destruído um drone lançado em direção à cidade sagrada de Meca pelos houthis. O grupo negou o ataque citado pelos sauditas e classificou a acusação como “mentira requentada”.

Desde a semana passada, o grupo do Iêmen passou a atacar várias cidades da Arábia Saudita, atingindo oleodutos e refinarias e também interrompendo o tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. A situação provocou a saída de 100 mil pessoas do Iêmen.

Ao mesmo tempo, os houthis relataram que aviões de guerra sauditas bombardearam o Iêmen nesta quarta-feira. Imagens divulgadas pelo grupo mostram aeronaves sobrevoando a região do estreito, e enormes explosões foram registradas.

O agravamento do conflito fez com que os EUA reforçassem o alerta que recomenda aos cidadãos do país que evitem viajar a regiões próximas da fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen.

AGRAVA-SE O RISCO DE ESCASSEZ NO FORNECIMENTO GLOBAL DE ENERGIA

A expansão da guerra para o Iêmen ameaça agravar a escassez mundial de energia causada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada há seis meses, que prejudicou o transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.

Operadores do mercado afirmam que um fechamento prolongado do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita poderia retirar até 4% da oferta mundial de petróleo. A Arábia Saudita não informou quando as operações poderão ser retomadas, mas o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, disse à CNBC, na terça-feira, que o petróleo bruto deverá voltar a fluir pelo oleoduto dentro de alguns dias.

A Arábia Saudita lidera, desde 2015, uma coalizão que combate os houthis. O conflito havia arrefecido em grande medida sob um cessar-fogo nos últimos anos, mas voltou a se intensificar quando os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, em julho, e atacaram áreas no sul do reino.

A violência aumentou drasticamente neste mês, quando o grupo militante fez recuar forças alinhadas ao governo iemenita internacionalmente reconhecido e apoiado pelos sauditas.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, telefonou na semana passada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de apoio militar, que, até agora, se limitou à assistência de inteligência.

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Folhapress | 08:45 – 16/09/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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