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Volvo descarta fábrica no Brasil e diz que imposto não muda decisão

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Mesmo com a retomada gradual do imposto de importação para veículos elétricos no Brasil, a Volvo não considera viável iniciar produção local no país no curto ou médio prazo. A decisão, segundo a marca, passa menos por tributação e mais por escala, previsibilidade econômica e maturidade industrial.

Em entrevista ao InsideEVs Brasil, o presidente da Volvo Cars no Brasil, Marcelo Godoy, explicou que decisões industriais não podem ser guiadas por mudanças conjunturais de política tributária. Na avaliação do executivo, montar fábrica como reação a aumento de imposto é uma estratégia arriscada, já que políticas fiscais podem mudar conforme o ciclo político. Para ele, projetos industriais automotivos precisam ser pensados em horizontes longos, normalmente acima de uma década, e baseados em fundamentos estruturais do mercado.

“Montar fábrica só por imposto não faz sentido. Muda o governo, muda a política tributária. Fábrica tem que ser projeto de longo prazo, de 15 anos”, afirma.



Impressões Volvo EX30 Ultra Twin Motor: 428 cv

Foto de: InsideEVs Brasil

O principal obstáculo hoje continua sendo escala. Segundo Godoy, operações industriais automotivas passam a fazer sentido financeiro a partir de volumes anuais significativamente maiores do que os atuais da marca no país. Estudos da própria indústria costumam apontar que projetos CKD ou produção local exigem algo próximo de 15 mil a 20 mil unidades anuais para se sustentarem economicamente. Mesmo com crescimento recente e participação relevante no segmento de elétricos premium, a Volvo ainda está distante desse patamar no Brasil.

Nesse contexto, a presença global da Geely e seus movimentos industriais no país não alteram diretamente o cenário da Volvo. Embora o grupo chinês tenha ampliado parcerias e presença industrial em diferentes regiões, a estratégia corporativa mantém alto grau de independência operacional entre as marcas. Na prática, isso significa que sinergias industriais são avaliadas caso a caso e, no cenário atual, não faria sentido direcionar produção local para volumes relativamente pequenos, especialmente quando a Volvo já possui capacidade produtiva consolidada em mercados como a China.

“A Geely é enorme e atua com múltiplas estratégias. Comercialmente, a sinergia com a Volvo é baixa. Em termos industriais, não faria sentido usar capacidade local para volumes pequenos”, explica.



Volvo EX30 - produção na Bélgica

Foto de: Volvo

Mesmo com o imposto de importação de veículos elétricos chegando ao patamar máximo previsto, a equação econômica continua favorecendo a importação. A estratégia da marca tem sido absorver parte do impacto tributário por meio de ajustes de custo, margem e posicionamento de produto, em vez de redesenhar toda a cadeia industrial. Na avaliação da empresa, decisões industriais baseadas apenas em tarifas correm o risco de se tornar inviáveis no médio prazo caso haja mudanças de orientação econômica no país.

Outro ponto destacado pela Volvo é que a instalação de fábricas depende de um conjunto mais amplo de fatores estruturais, incluindo qualificação de mão de obra, infraestrutura logística, estabilidade regulatória e previsibilidade econômica. Na visão da marca, a produção automotiva precisa estar inserida dentro de uma política industrial de longo prazo, e não apenas em mecanismos de proteção tarifária pontuais.

“A gente vai se ajustando. Às vezes aceita um pouco menos de lucro, mas mantém o posicionamento e constrói cultura de mercado”, afirma.



Volvo EX30 Ultra Twin Motor 2026 (BR)

Foto de: InsideEVs Brasil

O cenário atual também é diferente daquele observado em ciclos anteriores da indústria automotiva brasileira. No passado, montadoras premium chegaram a estudar produção local em momentos em que o mercado de veículos de maior valor agregado era significativamente maior. Hoje, o volume total do segmento ainda é limitado, o que reduz a viabilidade de investimentos industriais pesados, especialmente em um contexto global de cadeias produtivas já consolidadas em polos altamente competitivos.

Dentro dessa lógica, a China segue desempenhando papel central na estratégia global da Volvo. Com fábricas já estabelecidas, escala elevada e cadeia de fornecedores consolidada, a produção em mercados asiáticos continua sendo mais eficiente economicamente para abastecer mercados como o Brasil.

Embora a marca não descarte completamente produção local no futuro, o cenário atual ainda está distante desse ponto. Para a Volvo, uma eventual decisão nesse sentido dependeria de crescimento consistente do mercado premium brasileiro, amadurecimento estrutural da cadeia produtiva e maior previsibilidade econômica no país.

“Eu adoraria ter fábrica da Volvo no Brasil. Mas hoje é fora de contexto”, resume Godoy.

Mais do que uma decisão isolada da Volvo, essa posição reflete uma tendência mais ampla da indústria automotiva global. Em vez de multiplicar unidades produtivas em mercados menores, montadoras têm priorizado a concentração industrial em polos de grande escala, abastecendo diferentes regiões por meio de exportação. No caso brasileiro, isso reforça o papel do país, ao menos por enquanto, mais como mercado consumidor relevante do que como polo industrial estratégico para veículos elétricos premium.

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Fonte: UOL

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