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Os dois trunfos regulatórios que a Vale espera tirar do papel com o fim das Eleições


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Com o término das eleições, a Vale aguarda avanços em Brasília em duas iniciativas regulatórias: a regulamentação da Lei de Minerais Críticos e um novo decreto sobre cavidades naturais.

Essas medidas visam destravar investimentos em cobre e aumentar a competitividade nas operações de minério de ferro. O CFO Marcelo Bacci acredita que a reeleição de Lula pode favorecer essas discussões já em andamento.

A regulamentação dos minerais críticos pode permitir à Vale aumentar sua produção de cobre e o novo decreto de cavidades deve facilitar a produção de minério de ferro, reduzindo custos operacionais. Apesar do potencial, Bacci não espera impactos imediatos nos resultados financeiros.

A Vale enfrenta um cenário desafiador, com queda nos preços do minério de ferro e aumento do frete, resultando em um lucro líquido de US$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre, uma queda de 53% em relação ao ano anterior.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Com o fim das Eleições, a Vale espera avanços em Brasília em duas iniciativas que podem destravar novos investimentos em cobre e ampliar a competitividade de suas operações de minério de ferro.

A mineradora vê na regulamentação da Lei de Minerais Críticos e na publicação de um novo decreto sobre cavidades naturais duas oportunidades para impulsionar seu crescimento no médio e longo prazo.

Em entrevista coletiva após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, na sexta-feira, 30 de outubro, Marcelo Bacci, diretor financeiro da Vale, afirmou que a companhia espera que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva favoreça o avanço dessas iniciativas, que já vinham sendo discutidas com o Executivo.

“Temos um relacionamento muito construtivo com esse governo. Tem alguns lados positivos de ter uma continuidade, que é uma continuidade maior de determinados temas que já estão em andamento. Quando você tem uma troca de governo normalmente causa uma certa interrupção”, afirmou o CFO.

No caso dos minerais críticos, a expectativa é que a regulamentação crie condições para a Vale ampliar os investimentos em cobre além daqueles já previstos em seu planejamento de longo prazo.

A meta é elevar a produção de cobre para perto de 500 mil toneladas em 2030 e alcançar 700 mil toneladas em 2035, com a maior parte desse crescimento concentrada na região de Carajás.

Segundo Bacci, essas projeções não dependem de alterações na legislação. A eventual regulamentação dos minerais críticos, porém, representaria uma oportunidade adicional de crescimento. “Isso pode abrir a possibilidade de investimentos adicionais”, afirmou.

Já o decreto sobre cavidades naturais tem implicações mais diretas para o negócio de minério de ferro, especialmente nas operações do Sistema Norte.

A Vale espera que o texto permita ampliar o potencial de produção da região e, ao mesmo tempo, reduzir custos operacionais, eliminando restrições que atualmente dificultam o planejamento e a execução das atividades de mineração.

“Com um decreto modernizado e com a retirada de algumas restrições, a gente poderia fazer uma mineração mais fluida, com custos menores na região”, afirmou Bacci.

Apesar do potencial de ganhos, o CFO descartou qualquer impacto imediato sobre os resultados. Mesmo que a nova regulamentação seja publicada ainda neste ano, seus efeitos não serão sentidos em 2027.

Cenário desafiador

Enquanto aguarda os avanços regulatórios, a Vale enfrenta um ambiente de mercado mais desafiador, marcado pela queda dos preços do minério de ferro, pelo encarecimento do frete marítimo e pelas incertezas geopolíticas.

O cenário pressionou o desempenho financeiro da companhia no terceiro trimestre, embora a valorização do cobre tenha ajudado a compensar parte dos efeitos negativos sobre os resultados.

A Vale encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,2 bilhão, queda de 53% em relação ao mesmo período do ano passado e recuo de 9% ante o segundo trimestre. O resultado ficou abaixo da média das projeções coletadas pela Bloomberg, que apontavam para um lucro de US$ 1,5 bilhão.

A receita líquida somou US$ 10,6 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 2% na comparação anual e avanço de 1% em relação aos três meses anteriores. O Ebitda ajustado totalizou US$ 3,3 bilhões, retração de 24% ante o mesmo período do ano passado e de 9% em relação ao segundo trimestre.

Segundo Bacci, o desempenho reforça a importância da estratégia de diversificação da mineradora, que busca aumentar gradualmente a contribuição dos metais básicos para diluir o peso do minério de ferro.

“A gente teve, obviamente, um Ebitda que foi menor do que no trimestre anterior, mas muito menos impactado do que poderia ter sido se a gente fosse uma empresa puramente de minério de ferro”, afirmou.

A pressão sobre o frete, combinada à queda do preço do minério de ferro, também pode limitar o crescimento da produção, especialmente no que diz respeito às compras de minério de terceiros.

A Vale estima que cerca de 5 milhões de toneladas, em base anualizada, estejam em risco em 2027, dependendo das condições de mercado e da rentabilidade dessas operações. Bacci disse que a companhia não pretende aumentar os volumes de produção ou comercialização caso isso comprometa os retornos.

“Cada carga que a gente vende, cada transação que a gente faz, tem que dar retorno para a companhia”, afirmou.

A cautela também se reflete na política de remuneração dos acionistas. Apesar do crescimento de 48% do fluxo de caixa livre em relação ao segundo trimestre, para US$ 2,2 bilhões, e da redução de US$ 264 milhões na dívida líquida expandida, para US$ 16,4 bilhões, a Vale não prevê distribuir dividendos extraordinários em 2026.

Segundo Bacci, as incertezas geopolíticas para o próximo ano levaram a companhia a priorizar a preservação de caixa e a manutenção de um nível mais baixo de endividamento.

“Preferimos estar um pouco no lado conservador, conservar um pouco mais de caixa, manter a dívida mais baixa, para poder lidar com os cenários muito incertos para o ano que vem”, afirmou.

Por volta das 14h, as ações da Vale subiam 3,16%, a R$ 61,95. No ano, os papéis acumulam queda de 14,4%, levando o valor de mercado a R$ 275 bilhões.



Fonte: NeoFeed

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