Uma enorme cratera recém-formada foi identificada na superfície da Lua por meio de imagens da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA. O impacto que deu origem à formação é considerado tão raro que um evento dessa dimensão ocorreria no satélite natural aproximadamente uma vez a cada 132 anos.
Batizada de McGetchin, em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin, a cratera tem cerca de 222 metros de diâmetro, extensão equivalente a aproximadamente dois campos de futebol, e 43 metros de profundidade.
Os pesquisadores acreditam que ela tenha sido formada pela colisão de um asteroide ou cometa de dimensões comparáveis às de um prédio de três a seis andares.
“Os modelos de formação de crateras indicam que um impacto desta magnitude ocorre apenas uma vez a cada 132 anos na Lua”, afirmam os pesquisadores no estudo publicado na revista Science Advances.
“Como tal, este evento constitui um evento estatisticamente raro e efetivamente uma observação única na vida”, acrescentam.
Cratera surgiu em 2024, mas só foi descoberta no ano seguinte
A análise das imagens permitiu aos cientistas restringir o período em que ocorreu a colisão.
Segundo a NASA, a McGetchin surgiu entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, em uma região próxima à borda leste da Lua.
A cratera, no entanto, só foi percebida em 24 de outubro de 2025.
Robert Wagner, especialista em processamento de imagens que trabalha com dados do sistema de câmeras da LRO, realizava uma verificação rotineira quando percebeu uma enorme mancha clara cercada por uma região mais escura.
“Parei, larguei tudo o que estava fazendo e comecei a ver o que seria aquela mancha”, contou Wagner.
A área clara que chamou sua atenção não era exatamente a cratera, mas o material da superfície lunar lançado para os arredores com a força da colisão.
Ao comparar imagens registradas antes e depois do impacto, Wagner percebeu a dimensão da descoberta.
“Foi, de longe, o padrão de detritos de impacto mais óbvio que já vi em uma dessas imagens”, afirmou o pesquisador.
Maior cratera recém-formada já identificada
Segundo a NASA, a McGetchin é a maior cratera recém-formada já encontrada no Sistema Solar por meio desse tipo de comparação de imagens.
Antes da descoberta, as novas crateras identificadas na Lua eram consideravelmente menores. O tamanho da McGetchin permitiu aos cientistas estudar com muito mais detalhes o que acontece com a superfície lunar após uma colisão de grande porte.
Imagens mais precisas feitas posteriormente pela câmera de alta resolução da LRO mostraram a forma da cratera e a maneira como o terreno ao redor foi alterado.
Os pesquisadores também analisaram a temperatura da região e encontraram uma área de aproximadamente 6,4 quilômetros ao redor da cratera que fica cerca de 9°C mais fria durante a noite do que o terreno vizinho.
A explicação é que o impacto revolveu e tornou menos compacto o regolito, camada de poeira e fragmentos de rocha que cobre a Lua. Com menor densidade, esse material retém menos calor.
Descoberta ajuda a entender riscos de impactos na Lua
Além de revelar detalhes sobre o objeto que atingiu a superfície, a descoberta pode ser importante para futuras missões tripuladas.
O estudo mostra que os efeitos de um impacto podem modificar uma área muito maior do que a própria cratera. Mudanças na textura e na densidade do terreno, por exemplo, podem interferir na forma como veículos e equipamentos se movimentam pela superfície lunar.
A ausência de uma atmosfera significativa também torna a Lua especialmente vulnerável. Diferentemente do que acontece na Terra, rochas espaciais não encontram uma camada atmosférica capaz de desacelerá-las ou fazê-las se desintegrar antes de atingir o solo.
Sonda já identificou milhares de mudanças
Lançada em 2009, a Lunar Reconnaissance Orbiter está há mais de 17 anos estudando a Lua com sete instrumentos científicos.
Ao longo da missão, os pesquisadores já identificaram pelo menos mil novas crateras de impacto e aproximadamente 100 mil outras mudanças na superfície relacionadas a colisões e aos detritos lançados por elas.
Impactos menores são relativamente frequentes. Segundo a NASA, colisões capazes de produzir crateras com cerca de nove metros de largura podem ocorrer aproximadamente 140 vezes por ano em toda a superfície lunar.
A McGetchin pertence a uma categoria muito diferente. Pelo tamanho do objeto envolvido e pelas dimensões deixadas na superfície, os cientistas a classificam como consequência de um evento excepcional.






