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Europa recua na proibição total dos motores a combustão após 2035

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A União Europeia decidiu flexibilizar a regra que previa o fim total da venda de carros novos com motor a combustão a partir de 2035. Em vez de exigir neutralidade completa de emissões, o bloco passará a cobrar uma redução de 90% em relação aos níveis registrados em 2021. A mudança, confirmada após semanas de negociações e pressões políticas, mantém a transição energética como eixo central da política automotiva europeia, mas abre espaço regulatório para soluções intermediárias.

Na prática, a nova diretriz permite que veículos híbridos plug-in, modelos com extensor de autonomia, mild-hybrids e até motores a combustão sigam em operação após 2035, desde que o limite de emissões seja respeitado. Os 10% restantes deverão ser compensados por medidas industriais, como o uso de aço de baixo carbono produzido na Europa, além da possibilidade de empregar combustíveis sintéticos e biocombustíveis.



BYD Atto 2 Comfort (2026) - Yuan Pro (Europa)

Foto de: BYD

A Comissão Europeia sustenta que a decisão não representa um abandono da eletrificação. Segundo o bloco, a exigência de 90% ainda impõe um desafio significativo às montadoras, tornando inviável a sobrevivência de portfólios baseados majoritariamente em motores térmicos convencionais. Na prática, apenas fabricantes com ampla oferta de veículos eletrificados conseguirão cumprir as metas sem enfrentar multas elevadas.

A flexibilização também afeta o segmento de veículos comerciais. As metas de redução de emissões para 2030 foram ajustadas de 50% para 40%, numa tentativa de acomodar as dificuldades enfrentadas por operadores logísticos e frotistas. Ainda assim, Bruxelas afirma que a trajetória de descarbonização do setor permanece intacta.



Nissan Leaf (2025) Versão Europa

Foto de: Nissan

A decisão foi defendida pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirma que a Europa continua “na vanguarda da transição limpa global”. O Partido Verde Europeu, por outro lado, critica o movimento e vê a mudança como um retrocesso regulatório. O novo texto ainda precisa ser aprovado pelos governos dos países-membros e pelo Parlamento Europeu.

Nos bastidores, o recuo parcial reflete pressões políticas de países como Alemanha e Itália, além de reivindicações antigas de fabricantes europeus, entre eles BMW e Stellantis. Espanha e França se posicionaram contra a flexibilização, mas acabaram derrotadas na negociação final.



Ford Ranger PHEV 2025 (Europa)

Foto de: Ford

Apesar do ajuste nas regras, o pacote apresentado pela Comissão Europeia deixa claro que a eletrificação segue como prioridade estratégica — especialmente em um segmento específico: o de elétricos pequenos e acessíveis. Bruxelas quer estimular a produção desses modelos por meio de mecanismos regulatórios conhecidos como “supercréditos”. Na prática, veículos elétricos compactos poderão contar como 1,3 carro no cálculo da média de emissões das montadoras, aumentando seu peso dentro das metas ambientais.

Esse incentivo tem um objetivo claro: tornar economicamente viável a produção de elétricos de entrada, um ponto onde a indústria europeia enfrenta dificuldades crescentes diante da concorrência chinesa. Modelos mais baratos são vistos como fundamentais para ampliar o acesso à mobilidade elétrica e evitar que o mercado europeu dependa excessivamente de importações.



Leapmotor C10 (2024)

Foto de: Leapmotor

O pacote também mira o canal profissional. A Comissão Europeia estuda medidas para acelerar a eletrificação das frotas corporativas, que concentram a maior parte das vendas de veículos novos no continente. Além de elevar rapidamente as matrículas de elétricos, a estratégia busca fortalecer o mercado de usados, considerado essencial para popularizar a tecnologia junto ao consumidor final.

Executivos do setor reagiram de forma cautelosa. Michael Lohscheller, CEO da Polestar, alertou que reduzir a ambição climática pode prejudicar tanto o meio ambiente quanto a competitividade industrial europeia. Já representantes de organizações ambientais afirmam que insistir em motores a combustão pode atrasar a recuperação da indústria automotiva do continente.

Embora a decisão seja restrita à União Europeia, seus efeitos tendem a ultrapassar as fronteiras do bloco. Estratégias globais de produto costumam seguir os marcos regulatórios europeus, o que pode influenciar o tipo de veículo que chegará a mercados como o Brasil nos próximos anos.

Em vez de um retorno aos motores tradicionais, o cenário aponta para uma transição mais longa, marcada por híbridos, elétricos compactos e soluções intermediárias, enquanto os EVs puros ganham escala e reduzem custos. Trata-se de uma decisão mais conservadora do que a proposta original e que pode, mais adiante, penalizar o desenvolvimento da indústria automotiva local.

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Fonte: UOL

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