NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – O regime de Delcy Rodríguez, da Venezuela, solicitou há mais de uma semana uma reunião com o Brasil no âmbito da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, para onde a líder interina viajou a convite do presidente Donald Trump, agora seu aliado.
O convite foi enviado à Missão do Brasil na ONU, como de praxe, pela equipe venezuelana. Não estava claro se o pedido era para uma conversa com o chanceler Mauro Vieira ou com o presidente Lula (PT).
A informação foi adiantada pelo UOL e confirmada pela reportagem com fontes diplomáticas em Caracas. O Brasil não sinalizou resposta. Um encontro com Lula não teria chance de sair do papel, dado que o presidente deixou a ONU na manhã desta terça-feira (22) e embarcou para o Brasil.
O ministro Vieira, porém, segue em Nova York para outras agendas. Assim como sua contraparte venezuelana, Félix Plasencia.
A relação com o Brasil não é a mesma da era Maduro, ainda que o país tenha apoiado Caracas após os terremotos gêmeos deste ano com ajuda humanitária, um hospital de campanha e promessas de ajuda para reconstrução da cidade mais destruída, La Guaira. Por outro lado, a Venezuela tem sido reabilitada pelos EUA em fóruns internacionais, como a própria Assembleia Geral.
Nesta semana, durante uma entrevista à rede internacional CNN, o presidente Lula disse que os EUA, na prática, são os chefes de Delcy. E que, se fosse a venezuelana, convocava novas eleições para que os venezuelanos tivessem direito de escolher quem os governa.
Durante o pleito de 2024, quando Nicolás Maduro foi proclamado reeleito pelo chavismo mesmo em meio a provas de fraude, o governo Lula 3 não reconheceu a vitória. Pediu, mais de uma vez, que Caracas publicasse as atas eleitorais da votação, forma de provar os resultados (o que nunca foi feito). Desde então, a relação entre os dois países foi fragilizada.
Desde janeiro, quando os EUA capturaram Maduro em Caracas e passaram a exercer um regime de tutelagem com Delcy, colocada no poder, o chavismo foi reabilitado e passou a acessar fóruns internacionais e líderes de diferentes países. Ainda que o montante não seja tornado público, a Venezuela também tem recebido grande fluxo de investimentos de empresas internacionais que passaram a investir em seu setor de petróleo desde então.
Lula teve somente três reuniões bilaterais nesta viagem: com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani; com o senador independente Bernie Sanders, e com seu aliado Yamandú Orsi, presidente do Uruguai. Recebeu, porém, ao redor de 30 convites de líderes internacionais.
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