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Flávio Bolsonaro, após sua derrota nas eleições e fuga para os EUA, comprometeu as chances da oposição de assumir a presidência do Senado em 2027 com uma carta golpista onde se autodeclara “líder do Brasil” e contesta a vitória de Lula.
A carta, que menciona “fraude eleitoral” sem provas, prejudica especialmente o senador Rogério Marinho, que esperava se candidatar à presidência do Senado. Marinho e o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, criticaram a postura de Flávio.
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já articula sua reeleição e conta com apoio de sua federação partidária. Enquanto isso, Marinho e a senadora Tereza Cristina buscam construir uma candidatura única da oposição, mas enfrentam desafios, incluindo a pressão por impeachment de ministros do STF.
Tereza se posicionou contra a atitude de Flávio, enfatizando a necessidade de respeitar o resultado das urnas e unir esforços pela construção do futuro do Brasil.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília – Após fugir do Brasil dois dias após sair derrotado das eleições e ter até se autoproclamado presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) joga uma pá de cal não só em seu futuro político como também nas pretensões da oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conquistar o comando do Senado em 2027, disseram fontes da Casa ao NeoFeed.
Se mesmo com a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos ainda havia uma esperança da oposição de construir uma candidatura competitiva à reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agora com a carta de teor golpista assinada pelo candidato do PL derrotado nas urnas se autodeclarando “líder do Brasil” as candidaturas da direita ficam muito fragilizadas, admitem fontes da própria oposição.
A carta caiu como uma bomba no colo da oposição, de forma ainda mais grave do que a notícia da fuga. O mais prejudicado, avaliam interlocutores, é o senador Rogério Marinho (PL-RN), principal pré-candidato virtual à presidência do Senado. Nos corredores do Senado já se comenta que sua candidatura “virou água” nesse momento.
Marinho foi coordenador nacional da campanha de Flávio nas eleições de 2026. E, portanto, apostava todas as fichas na eleição presidencial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para se cacifar futuramente como candidato natural a presidir o Senado, com força renovada inclusive de seu partido na Casa.
O PL elegeu 19 senadores em outubro último e ficará com 28 no total, portanto a maior bancada do Senado. “Agora com essa carta, muda tudo”, diz uma fonte da direita.
Ontem mesmo, à noite, Marinho já refutou a tese de fraude eleitoral levantada por Flávio na carta. “Nem o PL pode fazer essa afirmação, nem eu, porque não há provas nesse sentido”, disse o senador à noite, no Senado.
Mesmo após a derrota de Flávio nas urnas reconhecida pela Justiça Eleitoral, de todo modo Marinho já enfrentaria dificuldades de construir uma candidatura frente ao poder do atual presidente do Senado, que por sua vez também já articula sua reeleição ao fazer acenos a senadores de direita.
Alcolumbre já sinaliza nos bastidores apoiar alguma anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023 e até uma PEC para reduzir a idade máxima de ministros no Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou uma fonte do Senado ao NeoFeed.
Presidente do Senado pela segunda vez, o amapaense tenta seu terceiro mandato, mas essa corrida já começou meses atrás. Alcolumbre jogou todas as fichas na reeleição de Lula, tendo se reaproximado do petista ainda em agosto, após impor uma grande derrota política ao presidente da República com a rejeição de Jorge Messias para uma cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), vaga até hoje.
O nome de Alcolumbre era Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que Lula não indicou à época para o Supremo, mas que poderá fazê-lo ainda como aceno ao presidente do Senado. Um dos prováveis gestos do governo, que vêm sendo cogitados, para fortalecer a candidatura de Alcolumbre à reeleição.
O cálculo político de Alcolumbre levava em conta que, em caso de uma vitória de Flávio, o Senado ainda mais conservador teria caminho livre para praticamente eleger Marinho em fevereiro de 2027 como seu futuro presidente.
Agora, porém, um cenário que parecia improvável após o primeiro turno das eleições presidenciais – Flávio venceu Lula na ocasião -, agora muda de configuração, na avaliação de senadores que acompanham as negociações.
A favor de Alcolumbre também, a federação União-PP, que abarca o partido do presidente do Senado, já soltou uma nota apoiando sua reeleição, um dia após a virada inédita de Lula nas urnas. O gesto foi assinado pelos presidentes do União, Antônio Rueda, e Ciro Nogueira, do PP, ambos apoiadores de Flávio nas eleições deste ano.
No entanto, pelo menos por enquanto não está prevista qualquer desistência de Marinho, que vem reforçando a aliados que pretende disputar a presidência do Senado. Ele afirmou ontem que o assunto deverá ser tratado em reunião do PL, na próxima quarta-feira, 4 de novembro.
“Nós temos uma candidatura que precisará ainda passar pelo crivo do partido. Nós temos uma reunião já na quarta-feira, foi convocada pelo presidente Valdemar, mas a nossa candidatura sendo efetivada, sendo homologada pelo partido, leva em consideração a necessidade de cumprirmos sobretudo a Constituição brasileira”, ressaltou Marinho.
Um senador da direita ouvido pelo NeoFeed disse que há margem para se pavimentar uma candidatura única da oposição, contendo tanto Marinho quanto a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Líder do PP no Senado, Tereza também pretende se candidatar à Presidência no Senado e logo após a manifestação da confederação partidária de que faz parte a senadora fez questão de adotar uma postura contrária, sinalizando de que está no páreo. Ao seu favor, a senadora teria o perfil articulador e conciliador que lhe permitiria conquistar votos também fora do espectro da direita, apontam aliados.
Em uma publicação em suas redes, na terça, 27 de outubro, Tereza lembrou que a eleição para o comando do Senado será em fevereiro e que receberá todos os 52 novos senadores, eleitos em 2026 e que quer ouvir todos.
Já ontem, Tereza soltou uma nota também fazendo questão de não compactuar com o comportamento de Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o momento exige “serenidade e respeito ao resultado das urnas”.
“A eleição acabou, e agora é hora de olhar para a frente e cuidar do Brasil que queremos construir”, afirmou Tereza. “É hora de a direita unir esforços, defender os interesses de milhões de brasileiros e manter o compromisso com o futuro do nosso país.”
Pela frente, tanto Marinho quanto Tereza também enfrentarão a pressão da bancada de partidos à direita de avançar com os pedidos de impeachment de ministros do STF, principal bandeira desse campo político e que elegeu vários senadores em 2026.









