A Estapar quer dobrar de tamanho e o CFO Daniel Soraggi considera inegociável que os custos não acompanhem esse crescimento na mesma proporção.
“É isso que a gente quer mesmo: dobrar a empresa. Mas, para dobrar a empresa, não pode dobrar os custos”, disse Soraggi, em entrevista ao Números Falam, programa do NeoFeed em parceria com a CNN Brasil.
Depois de alguns anos em que a prioridade foi reduzir a alavancagem, recuperar margens e crescer predominantemente por meio de contratos com menor necessidade de capital, a companhia girou o volante em direção aos contratos de longo prazo.
A maior operadora de estacionamentos do País retomou os investimentos em contratos nesse modelo que exige mais capital, mas também oferece margens mais elevadas e maior previsibilidade.
No segundo trimestre de 2026, a companhia investiu R$ 62,6 milhões, alta de 69,2% sobre um ano antes. Desse total, R$ 34,3 milhões foram destinados a contratos de longo prazo, ante R$ 6,6 milhões no mesmo período de 2025.
“Agora é hora de ter mais apetite a risco e crescer de forma um pouco mais agressiva”, afirmou Soraggi no programa exibido quinzenalmente, às sextas-feiras, 19h45, no CNN Money.
Com uma alavancagem de 2,4x no fim de junho, a ideia é chegar no fim do ano perto de duas vezes. A companhia chegou a operar perto de cinco vezes dívida líquida sobre Ebitda no passado e passou os últimos anos privilegiando a expansão asset light para recuperar flexibilidade financeira.
Hoje, segundo Soraggi, a composição do portfólio está próxima de 60% em operações asset light e 40% em contratos mais intensivos em capital – praticamente uma inversão do mix que a empresa já teve anteriormente.
A disciplina de capital ganha peso diante da ambição de crescimento da companhia. A Estapar encerrou junho com 851 operações e 558,2 mil vagas, altas de 7,9% e 8,3%, respectivamente, na comparação anual.
Soraggi acredita que a companhia poderá atingir a marca de 1.000 operações já no próximo ano. Para sustentar esse ritmo sem inflar a estrutura administrativa, a Estapar está recorrendo a automação, tecnologia e inteligência artificial.
A companhia já utiliza IA em processos de backoffice ligados, entre outras funções, à prestação de contas e à implantação de novas operações. Com cerca de 100 novas garagens por ano, Soraggi lembra que a Estapar precisa ser capaz de colocar aproximadamente duas operações em funcionamento por semana.
Para 2026, a companhia trabalha com algo entre 80 e 90 novas garagens. Segundo o CFO, manter crescimento de dois dígitos é factível nos próximos anos – desde que acompanhado de disciplina na alocação de capital e de redução da alavancagem.
Na B3, a ação ALPK3 está em queda de 7,05% no ano. O valor de mercado da Estapar é de R$ 954 milhões.








