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A economia brasileira enfrenta um desempenho medíocre em 2027, com o PIB projetado para cair de 1,8% em 2026 para cerca de 1%. Essa taxa pode ser a menor desde 2020 ou desde o governo Dilma. O próximo presidente terá o desafio de reerguer a economia, focando na disciplina fiscal para reduzir juros e recuperar a confiança dos investidores. No entanto, a política fiscal não é um tema central na campanha eleitoral.
A alta taxa de juros contribui para o endividamento da população, levando ao lançamento do Desenrola 3.0, que busca comprar dívidas com deságio. As projeções dos quatro maiores bancos indicam um PIB entre 1% e 1,3% para 2027, com viés de baixa se os juros não caírem. Apesar da desaceleração, um estudo aponta baixo risco de recessão, com setores como indústria e comércio em atenção, enquanto serviços apresentam baixo risco.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Tema pouco abordado durante a campanha eleitoral, a economia embica para um desempenho para lá de medíocre em 2027. A chance de o Produto Interno Bruto (PIB) cair de 1,8% estimado pelo Banco Central ou 2% pela Fazenda em 2026 para pouco mais de 1% no ano que vem não é desprezível e é lamentável. Poderá ser a menor taxa desde 2020 quando tombou a 3,28% negativos pela pandemia ou desde o governo Dilma. No biênio 2015 e 2016, uma recessão histórica tragou 7% do PIB.
Quem chegar ao Palácio do Planalto terá que reerguer a economia – tarefa que dependerá fundamentalmente de disciplina fiscal para viabilizar a queda do juro e resgatar a confiança de investidores. Entretanto, a política fiscal passa ao largo dos principais candidatos e da população, sendo crucial, entretanto, para o setor produtivo que vai além, bem além, da Faria Lima.
A principal explicação corrente para o desempenho do PIB em 2027 é o exorbitante nível da taxa de juro – assunto que o cidadão conhece porque bate no bolso e resulta em níveis alarmantes de endividamento e inadimplência. E justificam o Desenrola 3.0 recém-anunciado pelo governo num modelo tão inédito quanto ousado: o Tesouro Nacional comprará dívidas em leilões com, no mínimo, deságio de 90%. A ver se a engenharia dará resultado. Desenrola 1.0 e 2.0 não fizeram milagre.
Afora anúncios de última hora como o Desenrola 3.0, a renegociação de dívidas tributárias de microempreendedores individuais, o aumento do Bolsa Família, a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS e o fim das bets, a economia não se tornou tema propositivo de Luiz Inácio Lula da Silva ou de Flávio Bolsonaro que disputam corpo a corpo a presidência da República.
Grave, porém, esse conjunto de medidas eleitoreiras – sobretudo pelo momento em que têm sido anunciadas – terão impacto em despesas e receitas de um Orçamento em reconstrução para 2027 ainda a ser depurado no Congresso antes de aprovado. Das iniciativas tomadas a toque de caixa faltou uma de apelo inequívoco, mas desastrosa em termos fiscais: a gratuidade do transporte público.
Demonstração de que a economia vai recuar nos próximos meses vem dos quatro maiores bancos do País: Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. No final de setembro e, portanto, do terceiro trimestre, o quarteto recalculou projeções para o PIB e elas oscilam em intervalos estreitos: entre 1,7% e 1,8% para 2026 e de 1% a 1,3% para 2027 com viés de baixa se o juro não baixar.
O mercado, em geral, trabalha com estimativas semelhantes. Entretanto, a expectativa das quatro instituições merece destaque pela potência que representam. Em junho, o grupo exibia patrimônio líquido de R$ 666,6 bilhões e ativos totais de R$ 9,529 trilhões – gigante, mas inferior à dívida total do governo que subiu a R$ 11,1 trilhões em agosto.
Essas cifras superlativas das quatro instituições correspondem a 82,3% do patrimônio e a 85,5% dos ativos consolidados de todos os bancos listados na B3, informa Einar Rivero, sócio-fundador da consultoria de dados Elos Ayta. O economista reconhece que a questão fiscal está à margem da campanha eleitoral, “mas deveria estar no centro do debate político”, disse ao NeoFeed.
Rivero entende que grande parte da população não acompanha de perto conceitos como resultado primário, resultado nominal, dívida pública e equilíbrio fiscal, não necessariamente por falta de interesse, mas porque educação financeira e econômica ainda é pouco disseminada no Brasil.
“Se conceitos presentes no orçamento familiar fossem utilizados como ponto de partida para compreender as contas públicas, provavelmente haveria uma preocupação muito maior com a trajetória das despesas, das receitas e do endividamento do País”, diz Rivero que não nega que a complexidade das finanças públicas, mas vê paralelo ao orçamento familiar.
Para o consultor, inclusive, a comparação com orçamento familiar pode ser uma porta de entrada didática para discutir questões com consequências para todos: como financiar gastos de forma sustentável ao longo do tempo e quais são os impactos quando receitas e despesas permanecem persistentemente desequilibradas. “Isso vale para contas de dentro de casa e do País”, avalia.
Recessão à vista?
Embora a desaceleração da atividade leve economistas a acreditarem que o Brasil pode estar às vésperas de uma recessão, estudo feito pelo especialista Guilherme Zimmermann, do Departamento de Pesquisa Econômica do Bradesco aponta para baixo risco desse quadro ser instalado.
Indústria e comércio operam perto dos seus patamares de atenção, explica Zimmermann, o que justifica acompanhar esses setores com mais cuidado nos próximos meses. Já serviços, pontua, sustenta leitura de baixo risco.
Para chegar a essa conclusão, o Bradesco construiu um indicador de probabilidade de recessão – a partir de sua Pesquisa Empresarial – em busca de um sinal de curto prazo, em tempo real, capaz de capturar o início de uma virada de ciclo econômico antes que ela apareça nos dados oficiais.
Iniciada em 2005 e calibrada no formato atual em 2011, a Pesquisa Empresarial é nacional e construída em sondagem diária com 3 mil empresas da indústria, comércio, serviços e construção civil.
Zimmermann explica que o conceito de recessão usado na pesquisa é o de declínio disseminado entre setores, diferente da recessão técnica, marcada por dois trimestres seguidos de queda do PIB.
A partir de um modelo econométrico com dados de produção, vendas, emprego – conjunto com 86 variáveis – o economista montou uma espécie de “semáforo” com quatro faixas de probabilidades de recessão. São elas: “baixo risco” até 30%, “atenção” entre 30% e 60%, “risco elevado” entre 60% e 84,4%, e “sinal de recessão” a partir de 84,4%.
Hoje, o sinal está em “baixo risco”, informa Zimmermann. Em setembro de 2026, a probabilidade ficou em 3,3%, com a média móvel de três meses em 3,7%. A série passou por um pico local de 33,5% em dezembro de 2025, que a levou à “faixa de atenção” por um mês. Entretanto, esse pico recuou com rapidez logo no início de 2026 e segue em território baixo desde então.









