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Venda de debêntures incentivadas “encalha” e pressiona o mercado de crédito


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As vendas de debêntures incentivadas que os bancos carregaram no balanço por falta de comprador ajudaram a produzir em setembro a maior abertura mensal dos spreads desses papéis desde março de 2020. A

mediana dos prêmios sobre as NTN-Bs subiu 0,37 ponto percentual, para 0,38%, e chegou a 0,42% em 1º de outubro, o maior nível desde julho de 2024.

Segundo levantamento do NeoFeed com dados da CVM, as instituições financeiras ficaram com 86,3% das incentivadas emitidas no segundo trimestre, ante 56,1% um ano antes, enquanto a fatia dos fundos caiu de 28,5% para 8,3%. Para a Ibiuna, o fluxo vendedor dos bancos encontrou um mercado sem demanda.

Com a queda dos preços, as cotas dos fundos sentiram a marcação a mercado, e os fundos isentos tiveram saídas líquidas de R$ 13,97 bilhões em setembro, segundo a Credit Guide. Mario Markus, do Daycoval, prevê mais abertura e diz que o mercado precisará de dois a três meses para dissipar os efeitos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

As vendas de debêntures incentivadas que os bancos foram obrigados a carregar no balanço por falta de comprador passaram a pesar sobre o mercado secundário.

Ao encontrar do outro lado fundos sob resgate e sem apetite, ajudaram a produzir em setembro a maior abertura mensal – quando o prêmio de risco aumenta em relação a um título público de referência – dos spreads desses papéis desde março de 2020.

A mediana dos prêmios sobre as NTN-Bs subiu 0,37 ponto percentual no mês, de 0,01% para 0,38%, e chegou a 0,42% em 1º de outubro, o maior nível desde julho de 2024.

As instituições financeiras ficaram com 86,3% das debêntures incentivadas emitidas no segundo trimestre, segundo levantamento do NeoFeed com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A fatia é 30,2 pontos percentuais maior que a do mesmo período do ano passado, de 56,1%, e supera também a do primeiro trimestre deste ano, de 55%.

No mesmo intervalo, a participação dos fundos de investimento caiu de 28,5% para 8,3%, e o volume emitido recuou 33,1%, para R$ 22,9 bilhões. Como as operações são feitas, em sua maioria, com garantia firme, o que não encontra comprador fica com os coordenadores.

No terceiro trimestre, o mercado primário encolheu ainda mais. As emissões de debêntures incentivadas somaram R$ 16,9 bilhões, queda de 52% em relação ao mesmo período de 2025 e de 26,3% ante o segundo trimestre. A fatia das instituições financeiras recuou para 53,6%, ainda acima dos 50,3% de um ano antes, enquanto a dos fundos ficou em 21,5%, ante 40,9%.

Em julho, o NeoFeed mostrou que os bancos tinham passado a ficar com a maior parte das emissões diante da fuga dos fundos de crédito privado. Com os sinais de melhora em junho, já tinham começado a se desfazer gradualmente dessas posições no secundário.

“Os bancos continuaram a vender os papéis que ficaram em seus balanços após as ofertas primárias fracassadas deste ano, e esse fluxo vendedor encontrou um mercado sem demanda pelos papéis incentivados”, afirma a gestora Ibiuna em sua carta mensal de crédito, divulgada nesta semana.

A Ibiuna já apontava o problema na carta divulgada no início de agosto. Na ocasião, estimou que, “dos cerca de R$ 33 bilhões encarteirados pelos bancos este ano por falta de demanda”, ainda restavam R$ 15 bilhões nos balanços.

Para Pedro Claudino, analista da Empiricus, a hipótese de venda pelos bancos ganha força por eliminação. Nas aberturas de spreads de incentivadas dos últimos anos, afirma, os gatilhos costumavam ser eventos de crédito, como o da Aeris no fim de 2024, ou ondas de resgate nos fundos, como a de abril a junho deste ano.

Desta vez, Claudino avalia que nenhum dos dois parece explicar o movimento. “Parece que essa abertura foi alguma coisa mais realmente interna dos principais alocadores dessa indústria. Isso fortalece bastante a hipótese de que possa ter sido, sim, bancos, instituições que desovaram emissões que estavam encarteirando.”

O movimento já começa a se retroalimentar. Com a queda no preço dos papéis, as cotas dos fundos de incentivadas passaram a refletir a marcação a mercado, e os cotistas voltaram a sacar. Em setembro, os resgates dos fundos isentos superaram as aplicações em R$ 13,97 bilhões, segundo dados da Credit Guide. Foi a maior saída líquida desde maio e veio depois de uma entrada de R$ 10,85 bilhões em agosto.

Mario Markus, superintendente de renda fixa e crédito privado do Daycoval, avalia que toda essa dinâmica tem resultado em uma menor liquidez, devido à falta de compradores. “Nas últimas três semanas, o mercado começou a ficar um pouquinho mais vendedor, só que não tinha demanda. E aí um player bateu, depois outro player bateu, e a demanda começou a ficar falha. E aí todo mundo tirou a compra”, conta.

Duas fontes do mercado ouvidas pelo NeoFeed sob condição de anonimato confirmam as vendas dos bancos, mas dizem que elas não explicam tudo.

“Aparentemente também teve isso, sim, mas não foi só. Teve um movimento mais generalizado de vendas”, diz um gestor de crédito.

Um analista de crédito de um banco cita também a venda de papéis pelas tesourarias, a aproximação da eleição e a concorrência das grandes ofertas de Fiagro como fatores que pesaram para a abertura dos spreads. Como mostrou o NeoFeed, os Fiagros captaram R$ 9,9 bilhões até agosto, acima do recorde anual de R$ 8,85 bilhões, registrado em 2023, e Itaú e BTG têm ofertas em distribuição que somam até R$ 24,85 bilhões.

“Mas o problema hoje é que quando tem resgate, o fundo tem que vender ativo. Não tem mais caixa como tinha no início do ano, depois das captações de 2025. E como tem a obrigação de enquadramento, qualquer coisa ruim machuca mais na cota”, disse essa fonte.

Para Markus, como a abertura já chegou às cotas, a normalização deve demorar. “Esse efeito já está acontecendo. Batendo nas cotas, batendo no varejo, o movimento se perpetua por um tempo”, diz ele. “Acho que vai ter uma abertura maior [dos spreads]. O mercado vai precisar de uns dois, três meses para dissipar os efeitos dessa abertura.”



Fonte: NeoFeed

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