O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “muito boa” a reunião realizada entre representantes norte-americanos e iranianos nesta terça-feira (22), em Nova York. A declaração ocorreu poucas horas depois de ele ameaçar “aniquilar” a República Islâmica durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU.
Trump confirmou as conversas ao falar com jornalistas à margem do encontro anual de líderes mundiais, mas não detalhou os temas discutidos nem revelou todos os participantes.
Segundo o presidente, a reunião durou três horas, e um “novo encontro” com a delegação iraniana está previsto para ocorrer “num futuro muito próximo”.
“Estou muito satisfeito”, afirmou o enviado especial dos Estados Unidos Steve Witkoff, que estava ao lado de Trump ao comentar as conversas com os representantes do Irã.
Jared Kushner, genro do presidente norte-americano, que também havia participado das negociações com Teerã antes da interrupção do diálogo em junho, também estava presente.
Trump ameaçou “aniquilar” o Irã horas antes
O tom conciliador após o encontro contrastou com as declarações feitas por Trump poucas horas antes no plenário da ONU.
Durante o discurso, o republicano afirmou que teria de escolher entre chegar a um entendimento com Teerã ou “aniquilar” o Irã. Ao mesmo tempo, indicou acreditar que uma solução diplomática poderá ser alcançada após as eleições de meio de mandato para o Congresso norte-americano, marcadas para o início de novembro.
Mais tarde, Trump voltou a demonstrar otimismo em relação às negociações.
“Eu acho que um acordo será alcançado”, declarou, acrescentando que representantes iranianos “querem falar conosco” e que as conversas entre os dois países continuam.
Memorando não levou a acordo definitivo
Washington e Teerã chegaram a um memorando de entendimento em 17 de junho, com mediação de países do Oriente Médio.
O texto previa um cessar-fogo imediato, a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
As negociações para um acordo de paz definitivo, no entanto, não avançaram dentro do prazo previsto. Os dois lados voltaram a impor bloqueios e as hostilidades foram retomadas.
Paralelamente, os Estados Unidos intensificaram as sanções contra pessoas e empresas que mantêm relações comerciais com o Irã, estratégia apresentada por Washington como uma forma de aumentar a pressão econômica sobre Teerã.
O governo iraniano, por sua vez, exige que os Estados Unidos retomem os compromissos assumidos anteriormente e afirma que qualquer solução envolvendo o Estreito de Ormuz depende do fim das hostilidades e do bloqueio norte-americano.
Nesta terça-feira, uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que Teerã está disposto a retomar a diplomacia e que a delegação presente em Nova York tem autorização para negociar, mas condiciona avanços a medidas concretas por parte de Washington.








