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Durante o lançamento do EX60, o presidente e CEO da Volvo, Håkan Samuelsson, afirmou que a marca precisou reconstruir praticamente toda a sua lógica de desenvolvimento para conseguir operar, de fato, como uma empresa de software.
“Antes, comprávamos sistemas prontos e integrávamos mais de cem módulos diferentes. Agora, temos uma arquitetura centralizada, com desenvolvimento interno. Isso muda completamente a velocidade de evolução do carro”, afirmou.
A declaração veio acompanhada de uma frase que rapidamente ganhou repercussão no setor: “Acho que estamos bem à frente dos outros. Boa sorte a vocês”, disse, em referência às montadoras tradicionais que ainda tentam dominar o conceito de software-defined vehicle (SDV).

Volvo EX60 2027 ao vivo (BR)
Foto de: Redação Motor1 Brasil
Apesar do tom confiante, o próprio executivo reconheceu que o caminho foi marcado por erros graves. O EX90, primeiro modelo global da marca com essa nova filosofia digital, enfrentou sucessivos problemas de software após o lançamento, afetando diretamente a experiência dos clientes. As falhas, segundo a própria empresa, só foram plenamente resolvidas após atualizações recentes.
Michael Fleiss, chefe de estratégia e produto da Volvo, foi ainda mais direto ao admitir o impacto interno da crise. “Foi um processo doloroso. Tivemos problemas de qualidade que afetaram os clientes, e isso nos forçou a adiar praticamente todo o nosso cronograma em cerca de dois anos”, disse. O executivo afirmou que o atraso do EX60 é consequência direta dessa reestruturação.

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Fonte: Volvo
A nova plataforma tecnológica, batizada de SPA3, é apresentada pela marca como a base definitiva para seus futuros elétricos. Ela centraliza processamento, permite atualizações mais rápidas e reduz a dependência de fornecedores externos de software. Segundo a Volvo, o EX60 é apenas o segundo veículo totalmente definido por software da empresa, depois do EX90.
Anders Bell, chefe de engenharia e tecnologia, descreveu o processo como “extremamente difícil” e reconheceu que a pressão por acelerar a transição acabou recaindo sobre os consumidores. “O esforço deveria ter ficado apenas dentro da empresa. Infelizmente, parte disso acabou afetando os clientes”, afirmou.

Volvo EX60 Cross Country (2026)
Foto de: Volvo
O discurso da Volvo reflete um dilema mais amplo da indústria. Montadoras tradicionais estão descobrindo que a transformação digital exige mais do que eletrificar o trem de força: ela demanda uma nova arquitetura eletrônica, equipes de software próprias e uma cultura de desenvolvimento contínuo, mais próxima do setor de tecnologia do que da indústria automotiva clássica.
Nos bastidores do setor, a dificuldade não é exclusividade da Volvo. A Volkswagen ainda enfrenta obstáculos com sua divisão Cariad, enquanto a Ford já recuou de estratégias mais ambiciosas de software próprio. Em contrapartida, fabricantes chineses e empresas de tecnologia avançam mais rápido nesse novo modelo, integrando hardware e software desde a concepção.
Ao assumir publicamente seus erros e apostar na SPA3 como base de um “recomeço”, a Volvo tenta se posicionar como uma das poucas montadoras tradicionais que sobreviveram à primeira grande crise do carro definido por software. Resta saber se o mercado verá o EX60 como um novo capítulo – ou apenas como mais um teste em uma transformação que ainda está longe de terminar.
Fonte: The Drive
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Fonte: UOL









