[ad_1]
A Fictor Holding Financeira anunciou a aquisição do Banco Master na tarde desta segunda-feira, 17 de novembro. A proposta envolve a aquisição de todas as ações de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e prevê um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital da instituição. A conclusão do negócio ainda depende do aval do Banco Central e do Cade.
A aquisição foi feita por meio de um consórcio formado com investidores da Arábia Saudita, que gerem um total de US$ 100 bilhões. Os nomes dos investidores, assim como o plano de negócio da Fictor para o Banco Master, deverão ser divulgados até sexta-feira, 21 de novembro.
Em entrevista ao NeoFeed, os principais sócios da Fictor também afirmaram que a companhia irá absorver a maior parte dos CDBs do Master, mas que a quantidade exata ainda depende da confirmação da venda do Will Bank e do Banco Master de Investimento para outros dois grupos, que, segundo eles, já está acertada.
Participaram da entrevista Phillippe Rubini, sócio e responsável pelas Relações Corporativas da Fictor Holding, Rafael Paixão, CSO do grupo. Rafael Gois, CEO e sócio-fundador, acompanhou a entrevista.
“A operação foi montada condicionada à venda do Will e à venda do Banco Master de Investimento para outros dois grupos, de forma que ficássemos com o Banco Master S.A., o Banco Master Múltiplo e o LetsBank”, afirmou Rafael Paixão, CSO da Fictor. “Assim conseguimos fazer uma gestão melhor de ativos, passivos e patrimônio líquido.”
Paixão confirmou, no entanto, que a maior parte dos CDBs atualmente emitidos pelo Banco Master ficará sob responsabilidade da Fictor. O plano é buscar alguma renegociação com os credores já nos próximos dias. Segundo os executivos, o foco será mudar o perfil do passivo, hoje concentrado no varejo, para uma base de investidores profissionais e estrangeiros.
O movimento de aquisição começou ainda na análise de um precatório. Segundo Paixão, esse processo levou o grupo a olhar de forma mais profunda a carteira da instituição. “Entendemos que havia muita oportunidade se fosse bem estruturado com as sinergias da Fictor e da nossa equipe”, afirmou.
Phillippe Rubini — que havia deixado a sociedade da Fictor para buscar a compra de um banco por conta própria — disse que o Master surgiu como a oportunidade ideal para que os sócios voltassem a se unir. “Analisando os ativos com eles, identificamos a oportunidade de fazer a aquisição completa. O maior gap do Master era distribuição — e isso a Fictor faz muito bem com seus agentes autônomos”, diz.
Além da aquisição do Master, a Fictor já atuava no setor financeiro por meio da Fictor Asset, gestora responsável por fundos de investimento e pela distribuição de produtos estruturados, e a Fictor Pay, operação voltada a meios de pagamento.
A holding mantém ainda parcerias com gestoras externas, uma plataforma própria de distribuição com mais de mil assessores e um portfólio crescente de produtos, incluindo um FDIC voltado ao varejo, lançado recentemente. Com presença no Brasil, Estados Unidos e Europa, a Fictor afirma ter mais de 6 mil funcionários e mais de 30 empresas em seu ecossistema.
Confira a entrevista com os sócios da Fictor.
Como foi a operação de compra do Banco Master?
Rafael Paixão: A operação foi montada condicionada à venda do Will Bank e à venda do Banco Master de Investimento para outros dois grupos, de forma que ficássemos com o Banco Master S.A., o Banco Master Múltiplo e o LetsBank. Foi assim que a operação foi construída, justamente para fazer uma gestão melhor de passivos, ativos e patrimônio líquido.
Como ficou a responsabilidade do pagamento dos CDBs?
Rafael Paixão: Hoje, o Will Bank tem a representatividade do CDB dele, o Banco de Investimento tem a dele e o Banco Master tem a dele. Nós ficamos com os passivos de CDB. Estamos montando um plano de negócios que vamos soltar até sexta-feira para o mercado. Como dependemos agora de dois anúncios — a venda do banco de investimento e a venda do Will Bank, que já são concomitantes — estamos esperando essas duas operações, que já estão endereçadas, para então soltar o nosso plano.
A venda do Will Bank e do banco de investimento já está acertada?
Rafael Paixão: Sim, ambas já estão assinadas.
Vocês podem adiantar o valor da aquisição?
Rafael Paixão: É uma operação muito mais focada em injeção de capital para recompor a estrutura financeira do banco.
De imediato, estamos fazendo um aporte de R$ 3 bilhões no Banco Master. Vamos acompanhando o banco para ver como ele se comporta e entender se haverá necessidade de mais capital. Lá na frente, falamos de valores finais da operação.
Em questão de CDB, quanto fica para cada um desses três grupos que estão adquirindo as instituições? A maior parte fica para vocês?
Rafael Paixão: Sim, a parte maior dos CDBs do Grupo Master ficou para nós — estava no Banco Múltiplo.
Tem alguma renegociação já planejada?
Phillippe Rubini: Estamos fazendo o pleito hoje. Nos próximos dias começaremos essas reuniões e renegociações para entender o melhor cenário.
Como planejam gerenciar esse passivo do banco?
Rafael Paixão: A ideia é mudar o perfil de investidor, que hoje é de varejo, para investidor estrangeiro e wealth, que é onde a Fictor tem capilaridade. A Fictor tem redistribuição própria com mais de mil assessores. Vamos migrar o passivo de CDB varejo para um passivo voltado ao investidor internacional. Será muito mais bond internacional, wealth e investidor internacional do que varejo comum.
Queria entender como foi a análise dos ativos que estavam sendo comprados. Quanto tempo demorou? Tinha algo que vocês preferiram manter fora da compra?
Rafael Paixão: A operação começou com a análise de um precatório, para uma aquisição. A partir daí, passamos a ver os ativos do Master e entendemos que havia muita oportunidade, se tudo fosse bem estruturado com as sinergias da Fictor e da nossa equipe. Estamos há alguns meses pilotando essa operação, fazendo o due diligence e vendo os ativos do Master.
O que mais atraiu vocês no Master? Que oportunidade enxergaram ali?
Phillippe Rubini: Eu já tinha saído da sociedade da Fictor para fazer a aquisição de um banco. Eu já estudava esse movimento há alguns anos, para deixar o banco independente e saudável, e depois ver como poderíamos nos complementar com a Fictor. Analisando os ativos com eles, identificamos a oportunidade de fazer a aquisição completa. O maior gap do Master era distribuição — e isso a Fictor faz muito bem com seus agentes autônomos. Uma distribuição verticalizada faria sentido e reduziria a dependência das plataformas.
Há sinergia no consignado?
Rafael Paixão: Esse é outro ponto de sinergia foi o consignado. O Master tinha capilaridade nesse mercado por meio do Credcesta, adquirido junto à venda do Banco Pleno. Nós temos sete empresas iguais ao Credcesta. Então, incorporar isso dentro da venda do Master, aceleraria a venda em consignado. Também já temos expertise em precatórios, consignado e CRI, que é uma divisão da Fictor. Tudo isso nos atraiu.
E como é hoje a estrutura da parte financeira da Fictor?
Rafael Paixão: Temos uma asset, empresas de meios de pagamento, gestoras parceiras, produtos próprios. Lançamos há pouco tempo um FDIC varejo que conseguimos distribuir via asset. Temos capilaridade tanto no mercado nacional quanto internacional para fazer essa migração do público de CDB.
Só mais uma dúvida: qual é o tamanho dos CDBs que têm para ser pagos — tanto da parte de vocês (Banco Múltiplo adquirido) quanto do grupo como um todo, incluindo BI e Will Bank?
Rafael Paixão: Vamos estar prontos para dar essa resposta assim que publicarmos o plano de negócio. Isso deve acontecer até sexta-feira.
Phillippe Rubini: Há operações que dependem disso para serem fechadas. Se eu falar agora, eu furo operações que não posso furar. Essas operações serão fechadas concomitantemente amanhã.
[ad_2]
Fonte: NeoFeed









