A fornecedora alemã ZF apresentou na CES 2026, em Las Vegas, uma solução que pode mudar a forma como os carros lidam com situações de baixa aderência. Batizado de AI Road Sense, o sistema usa inteligência artificial para analisar o piso em tempo real e ajustar automaticamente o comportamento do veículo, tornando potencialmente dispensáveis botões como “ESP Off” ou “DTC Off”, ainda comuns em muitos modelos atuais.
Hoje, mesmo com a evolução dos sistemas eletrônicos de segurança, o motorista ainda precisa intervir manualmente em determinadas situações, como lama, cascalho, neve profunda ou terrenos irregulares. Nessas condições, desligar parcialmente o controle de tração permite que as rodas patinem mais, ajudando o carro a se mover. A proposta da ZF é eliminar essa decisão do condutor, deixando o ajuste totalmente a cargo do software.
Foto de: ZF
Segundo a empresa, o AI Road Sense combina dados de múltiplos sensores para identificar o tipo de superfície e adaptar parâmetros como resposta do acelerador, atuação dos freios, peso da direção e controle de amortecimento, tudo em tempo real. A ideia é que o carro reaja automaticamente às condições do piso, sem que o motorista precise selecionar modos de condução ou desativar sistemas de segurança.
O sistema foi desenvolvido em três configurações. A versão Standard utiliza dados básicos da rede CAN do veículo, como sensores de velocidade das rodas, para identificar variações de aderência. Já a versão Advanced adiciona o uso de câmeras, permitindo uma leitura preditiva do tipo de superfície à frente. No topo da gama está a configuração Premium, que incorpora lidar para escanear o perfil da estrada a até 25 metros de distância, com alta precisão, criando um mapa tridimensional do terreno.
Essas informações são processadas pelo software cubiX, plataforma de controle de chassi da ZF, responsável por decidir como o carro deve reagir em cada situação. De acordo com a empresa, a combinação entre dados visuais e sinais do chassi, como escorregamento dos pneus e variação de torque, permite distinguir, por exemplo, entre neve rasa e profunda – ou, em um contexto mais próximo do Brasil, entre piso solto, lama e asfalto irregular.

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Em veículos com tração integral, o sistema também pode pré-bloquear os diferenciais para distribuir a força de forma mais eficiente, mantendo a capacidade de tração mesmo em trilhas ou valetas profundas.
Embora a tecnologia seja aplicável a qualquer tipo de veículo, o impacto tende a ser ainda maior nos carros elétricos, que já contam com controle extremamente preciso de torque e dependem fortemente de software para gerenciar desempenho e segurança. Em EVs, ajustes finos na entrega de potência podem ser feitos de forma quase instantânea, o que favorece soluções baseadas em inteligência artificial.
A ZF afirma que o sistema funciona de maneira totalmente automática, ajustando as configurações assim que o veículo muda de um piso de terra para o asfalto, por exemplo, sem qualquer intervenção do motorista.
Ainda não há cronograma para adoção em modelos de produção, mas a proposta deixa claro o caminho da indústria: menos botões, menos decisões manuais e mais controle entregue ao software — um movimento que reforça o conceito de veículos cada vez mais definidos por código, especialmente no universo da mobilidade elétrica.









