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A desaceleração econômica e o alto custo da dívida pública brasileira favorecem um corte na taxa de juros pelo Banco Central (BC) em janeiro. No entanto, as expectativas de inflação, embora abaixo do teto da meta, permanecem acima de 3%, o que pode levar à manutenção da Selic em 15% até março. Economistas divergem sobre a decisão do Copom, que coincidirá com a reunião do Federal Reserve dos EUA.
A Selic elevada, atualmente em 10% real, impacta negativamente o consumo e os investimentos, contribuindo para um crescimento do PIB abaixo de 2% em 2026. O governo enfrenta um dilema, pois a expansão fiscal e programas sociais sustentam a demanda, mas também aumentam a dívida pública, que já consome quase R$ 1 trilhão em juros anuais. A política fiscal continua a ser estimulativa, mas a Selic alta pode agravar a situação fiscal e a confiança dos investidores.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A desaceleração da atividade econômica e o exorbitante custo de financiamento da trilionária dívida pública brasileira que sobrecarrega as contas do governo conspiram a favor do corte de juro pelo Banco Central (BC) na quarta-feira, 28 de janeiro. Entretanto, a resistência das expectativas de inflação – abaixo do teto da meta, mas bem acima de 3% – pesa a favor da manutenção da Selic em 15% ao ano até março.
Combinadas, essas condições explicam opiniões divergentes entre economistas rumo à primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, em meio a uma agenda local congestionada pela divulgação de relatórios de operações externas, crédito e política fiscal elaborados pelo BC, dados do mercado de trabalho monitorados pela PNAD e Caged e prévia da inflação de janeiro – o IPCA-15.
Na agenda econômica internacional, o foco estará na decisão do Federal Reserve (Fed) sobre sua taxa básica. Em reunião coincidente com o Copom na quarta, 28, o BC norte-americano deverá manter o juro no intervalo de 3,50% a 3,75%. A expansão do PIB dos EUA no terceiro trimestre, de 4,4%, anunciado na quinta-feira, 22, reduz, inclusive, a necessidade de redução do juro. Entretanto, lá e cá, os governos gostariam de uma tesourada no custo do dinheiro. Ação improvável nos dois casos. Os bancos centrais resistem.
Não há dúvida de que o juro brasileiro, 10% real, está fazendo efeito, abrindo caminho para a flexibilização monetária. Mas será a atividade apenas gradualmente mais frágil o suficiente para levar o BC de Gabriel Galípolo a iniciar o ciclo de corte da Selic? Afinal, o governo “joga contra” com expansão fiscal a sustentar a demanda por bens e serviços – setor que exibe inflação resistente e tem no avanço da renda do trabalho e de programas sociais poderoso suporte com reversão improvável neste ano eleitoral de 2026.
Em sua decisão e comunicado, na quarta-feira, o Copom terá a oportunidade (de novo) de marcar posição. Por ora, a opinião do mercado embutida na última Focus, de 19 de janeiro, continuou a mostrar estabilidade da Selic neste mês, sendo que a primeira redução, aponta a pesquisa, ocorrerá em março em 0,50 ponto percentual.
A 4intelligence lembra que o ajuste total da Selic, em 2026, continuou em 2,75 pontos percentuais. Entretanto, a mediana das projeções atualizadas nos últimos cinco dias aponta para um ajuste de 3 pontos – caso em que a Selic ao final de dezembro cairia a 12% e não mais a 12,25% se prevalecer essa estimativa de última hora.
No atual ciclo de alta da Selic, iniciado em setembro de 2024, a fatura de juros passou de R$ 819,7 bilhões em 12 meses para R$ 918,2 bilhões em novembro passado – último dado publicado pelo BC. Nesse período, o montante chegou ao máximo de R$ 987,2 bilhões ou 7,88% do PIB em outubro de 2025. Cifra equivalente a quase seis anos de pagamento do Bolsa Família, carro-chefe dos programas sociais do governo para os quais estão reservados R$ 158 bilhões no Orçamento deste ano.
Impacto direto e indireto da Selic na lua
Para descrever os efeitos da taxa básica estelar praticada pelo Brasil, o NeoFeed entrevistou Alexandre Seijas Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado e que compõe a rede de instituições fiscais independentes da OCDE.
Especialista em contas públicas, Andrade observa que a sustentação da Selic em patamar tão elevado e por tanto tempo tende a esfriar bastante a economia por inibir o consumo das famílias e aumentar a inadimplência em operações de crédito. Argumento que se aplica também aos investimentos produtivos.
“O empresário pensará duas vezes antes de tomar dinheiro emprestado para tocar projetos”, diz o economista que reforça o princípio de que o papel do aperto monetário é mesmo esfriar a atividade e promover a convergência da inflação à meta. “Em 2025 ainda vimos a economia em ritmo bem favorável no primeiro semestre. Mas, no segundo, o enfraquecimento foi explícito e assim deverá continuar em 2026.”
Não à toa, as projeções de crescimento para 2026 se mantêm abaixo de 2% e acabam de receber um aditivo. O Fundo Monetário Internacional reduziu a estimativa para a expansão do PIB brasileiro deste ano de 1,9% para 1,6%. Variação inferior à estampada nas edições recentes das pesquisas Focus e da Firmus – de projeções de indicadores coletadas junto às instituições e às empresas monitoradas pelo BC.
As duas sondagens – Focus semanal e Firmus trimestral – preveem crescimento de 1,8% neste ano. Um declínio ante cerca de 2,2% esperados para 2025 “quando a política fiscal estava em campo expansionista, embora menor que nos dois anos anteriores”, observa Andrade que alerta para o fato de a direção da política fiscal ser mais relevante que um número. “E a direção segue positiva, estimulativa”, informa.
Ele destaca que a Selic elevada, impacta a atividade e a política fiscal por ser a taxa da economia e, portanto, ter efeito direto e indireto sobre a dívida pública.
“O governo gasta mais do que arrecada e precisa emitir títulos para levantar recursos em mercado. Hoje, cerca de 50% do estoque da dívida pública corresponde a Letras Financeiras do Tesouro (LFT) remuneradas pela Selic. O restante é representado por títulos atrelados à inflação e prefixados. A Selic afeta as emissões e o estoque porque a LFT tem pagamento pós-fixado.”
O efeito indireto da Selic é sobre expectativas, diz Andrade. “O BC pode aumentar a Selic para levar a inflação à meta, por desequilíbrios fiscais ou até por desconfiança de agentes econômicos na capacidade de o governo ter disciplina fiscal. Resultado: a desconfiança afeta os juros de longo prazo que têm influência direta na precificação dos títulos do Tesouro. Relevante, portanto, é o BC coordenar as expectativas para evitar contaminação de juros mais longos que, se pressionados, agravam ainda mais dívida do governo.”
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Fonte: NeoFeed









