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No Senado, uma avalanche da direita. É o efeito Xandão e companhia


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A eleição para o Senado resultou em uma predominância da direita, com 34 das 54 cadeiras conquistadas por políticos desse espectro, sendo 19 apenas do PL.

O desempenho da direita foi impulsionado pela crise no STF, especialmente em torno do ministro Alexandre de Moraes, que se tornou um alvo após condenar Jair Bolsonaro. A crise se intensificou com propostas de investigação contra Moraes a partir de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, refletindo um racha entre ministros.

A nova composição do Senado, que tomará posse em fevereiro de 2027, poderá facilitar a aprovação de reformas no judiciário, independentemente do resultado da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula. Mas a tendência é que Lula tenha uma vida mais difícil junto aos novos senadores, se conseguir virar a disputa contra Flávio.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Uma avalanche da direita no Senado Federal. Das 54 cadeiras disponíveis para o parlamento na eleição deste ano (2 nomes por estado), 34 (ou 63% do total) serão ocupadas por políticos da direita. Somente o PL fez 19, um terço do total. O recado das urnas foi claro: quem se mostrou a favor de mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF), se saiu bem.

A mudança no Senado ocorre justamente em um momento da maior crise da história do STF. O foco maior está em torno do ministro Alexandre de Moraes, o Xandão, eleito pela direita como o principal rival da família Bolsonaro no judiciário.

Um ano após condenar Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, em setembro de 2025, Moraes se viu exposto após denúncias de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, em meio ao escândalo do banco Master.

Enquanto Vorcaro tinha um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, a Polícia Federal revelou dezenas de mensagens que o banqueiro trocou com o magistrado, inclusive às vésperas de sua prisão.

A crise escalou após André Mendonça propor uma investigação contra o próprio Moraes. A plenária, que tratou do assunto, foi transmitida ao vivo e expôs o enorme racha entre os ministros aliados a Moraes e os mais próximos à direita. O clima político, então, ficou ainda mais deflagrado na reta final da eleição e passou a ser o mote dos candidatos da direita ao Senado.

Com a definição pelo segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo dia 25 de outubro, a tendência é que, a partir do ano que vem, o novo Senado tenha uma posição diferente a depender do presidente eleito.

Caso Flávio mantenha a ponta e saia o vencedor, ele terá um caminho mais tranquilo no parlamento para propor suas próprias mudanças, especialmente o confronto direto com a “bancada” de Moraes, incluindo Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Caso Lula reverta o resultado do primeiro turno e garanta o quarto mandato, o cenário será ainda mais difícil do que a atual legislatura, quando o petista já encontrou dificuldades para aprovar boa parte de seus projetos.

Na avaliação do cientista político Antonio Lavareda, presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), a direita, em especial o PL, foi muito competente na mensagem de comunicação, ao, de certa forma, propôr um papel para o Senado, que tradicionalmente é um voto mais distante do eleitor.

“Essa foi uma estratégia do PL de garantir essa atuação dos senadores. Isso despertou um movimento que foi crescente, alimentado pelos novos fatos que surgiram em relação à crise do Supremo. Isso explica esse resultado”, diz Lavareda ao NeoFeed.

Ele completa: “Essa visibilidade do Supremo, principalmente com aquela sessão transmitida ao vivo e a atuação do ministro André Mendonça contra Alexandre de Moraes, no meio da eleição, ajudou a confirmar essa avalanche.”

Para ele, o que fica claro é que, a partir de agora, independentemente de quem vencer a disputa presidencial, a reforma no Judiciário já está precificada.

“Isso mostra que as transformações virão, seja pelo Senado ou pelo próprio Supremo. A questão do mandato, por exemplo, já é um consenso. A forma de nomeação também”, afirma.

São Paulo foi um exemplo claro de mudança de cenário durante o processo eleitoral, a partir deste novo discurso contrário a uma parte expressiva do STF, especialmente os chamados “algozes” do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a maior parte da campanha no maior colégio eleitoral do país, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) encabeçaram as principais rodadas de pesquisas eleitorais.

Aos poucos, os nomes da direita, que associaram seus nomes ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a Flávio Bolsonaro (PL), começaram a ganhar tração.

Mas um ponto-chave também contribuiu para a disparada na reta final: a saída de cena de Ricardo Salles (Novo). Com isso, os eleitores da direita puderam se concentrar em dois nomes.

No fim, Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas (Republicano) ficou em primeiro, com 30,59% dos votos válidos. Logo atrás ficou André do Prado (PL), com 29,28%.

Em Brasília, a virada ocorreu em relação à segunda vaga. O cenário político já previa a vitória de Michelle Bolsonaro (PL), mulher de Jair Bolsonaro. A segunda cadeira era disputada por Leila do Vôlei (PDT), atual senadora, e por Bia Kicis (PL).

Neste caso, prevaleceu a força política de Michelle, que ajudou a colega do PL a superar Leila, que sempre apareceu em posição de vantagem. O resultado final foi Michelle com 29,05% e Bia com 27,44%.

Para Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos, a nova composição da chamada Câmara Alta de Brasília não representa apenas uma confirmação de um quadro de deflagração com o poder legislativo. Também pode permitir mudanças do ponto de vista de reformas.

“A direita lidera majoritariamente nos estados. Isso fica ainda mais relevante no Senado. Para o mercado, mais importante do que a leitura ideológica é o que essa composição significa em capacidade de articulação, aprovação de reformas e execução de uma agenda econômica e fiscal a partir de 2027”, diz.

A nova bancada de senadores toma posse no dia 1º de fevereiro de 2027. A composição total do Senado é de 81 cadeiras. Os outros 27 senadores, que foram eleitos na eleição de 2022, seguem até 2030.



Fonte: NeoFeed

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