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“Não acredito em juízo fiscal para o Lula 4”, diz CEO da Multiplan


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Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, o CEO da Multiplan, Eduardo Peres, expressou preocupação com os gastos públicos e a falta de um ajuste fiscal claro, afirmando que a continuidade do aumento da dívida pode levar a juros mais altos.

Ele destacou a importância de saber quem será o novo ministro da Fazenda para definir futuros investimentos. Peres acredita que o governo reeleito não terá juízo fiscal, o que gera incertezas sobre o consumo e novos projetos.

A Multiplan, que já fez investimentos significativos, adotará uma postura cautelosa, aguardando um cenário mais claro antes de decidir sobre novas construções.

Ele enfatizou que a situação econômica exige prudência, dado o alto endividamento das famílias e empresas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Poucas horas após o resultado do segundo turno, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), o mercado entrou em uma espiral de tensão, com queda na maior parte das ações, que gerou o acionamento do circuit breaker na B3, após seis anos.

Dentre os papéis que caíram estavam o da Multiplan, principal companhia do setor de shoppings no Brasil. No acumulado dos cinco pregões no pós-segundo turno, a queda da MULT3 alcançou 32,9%. Somente na segunda-feira, 26 de outubro, o tombo chegou a 25,2%.

Para o empresário Eduardo Peres, CEO da administradora de shopping centers, o movimento reflete a preocupação em relação aos gastos públicos e a dificuldade de enxergar em que momento o governo reeleito pode endereçar algum ajuste fiscal.

“Precisamos ver o quão responsável, ou irresponsável, será o governo daqui para a frente. Seguir gastando significaria aumento de dívida. Isso representaria aumento de juros. Vai todo mundo pedir mais para financiar o Brasil”, diz Peres, em entrevista ao NeoFeed.

Na avaliação dele, a perspectiva não é de mudança de cenário. “Observadas as últimas declarações do governo, não acredito em juízo fiscal. Mensalmente, a dívida vem aumentando. É déficit em cima de déficit. Precisa ver para onde isso vai.”

Segundo Peres, é importante que o governo sinalize o caminho econômico, o que significa indicar quem irá comandar a Fazenda a partir de janeiro. Nos corredores políticos, as apostas estão no vice-presidente Geraldo Alckmin ou no governador do Piauí, Rafael Fonteles. “O Alckmin, sabemos quem é. O Fonteles, não conheço nada.”

Em junho do ano passado, Peres afirmou ao NeoFeed que iria esperar o resultado das urnas de 2026 para definir o novo ciclo de investimentos. Com este cenário de incerteza, o CEO da Multiplan diz que, para a companhia, o momento agora é de cautela em relação a possíveis novas construções de shoppings – o valor de mercado da companhia é de R$ 12,7 bilhões.

“A Multiplan fez muitos investimentos nos últimos três anos. A gente expandiu 50 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) em shoppings. Eu posso me dar ao luxo de ficar um bom tempo esperando para ver o que vai acontecer. E acho que é a atitude mais correta”, afirma.

Acompanhe, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Qual é a sua avaliação sobre a vitória de Lula no segundo turno?
O voto é individual, mas a dor vai ser coletiva. Tinha uma expectativa de mudança com o resultado do primeiro turno, que não se confirmou. O mercado está realizando hoje o que demorou muito tempo para realizar. Para mim, os valores hoje de ações ficam dentro da realidade brasileira. Infelizmente, temos um governo que vai gastar mais e vai seguir gastando de qualquer maneira. O Lula disse isso na campanha inteira. O Jim Simons [um bilionário investidor americano, que morreu em 2024] dizia que o preço sempre está certo. Havia uma variável de risco e o benefício da dúvida. Agora, não há mais dúvida.

O mercado reagiu fortemente ao resultado e as ações da Multiplan caíram. Como você interpreta esse movimento?
Caiu bastante… Eu não trabalho olhando para o movimento das ações, mas é claro que isso incomoda. Incomoda todo mundo. Quem é que gosta de ver a ação deprimida, mesmo fazendo um trabalho excepcional, como estamos fazendo na Multiplan? Ninguém. Mas isso reflete o apetite do investidor, seja local ou estrangeiro. Não há outra leitura.

Sua análise, nos meses anteriores à eleição, era de que voltar a pisar no acelerador de investimentos dependeria do resultado. Como fica agora?
Precisamos ver o quão responsável, ou irresponsável, será o governo daqui para a frente. Seguir gastando significaria aumento de dívida. Isso representaria aumento de juros. Vai todo mundo pedir mais para financiar o Brasil. A relação dívida sobre o PIB vai se aproximando de 100% [projeção do Tesouro de chegar a 83,7% até dezembro e a 89,7% em 2030]. O governo ainda não disse sequer quem vai comandar a Fazenda. Para tocar bem a companhia, a gente precisa entender para onde vai o consumo. As coisas estão ligadas.

“Eu sempre disse que, quem se sentasse na cadeira [de presidente da República], ia precisar ter juízo fiscal”

Com este cenário, a perspectiva é de freio em novas construções?
Ainda não sei. Lula acabou de ser reeleito. A gente ainda vai descobrir como vai ser o Lula 4. Ele fez muitas promessas, que já geram gastos para o ano que vem. Minha tendência é de terminar o ano bem em consumo, e ver como vai ser o ano que vem. Novos investimentos para o ano que vem vão depender do nível de consumo e como vai ser a formação do próximo governo. Se a taxa de juros subir mais, vamos ver cada vez menos investimentos. Eu sempre disse que, quem se sentasse na cadeira, ia precisar ter juízo fiscal.

Neste sentido, acredita em juízo final para o Lula 4?
Observadas as últimas declarações do governo, não acredito em juízo fiscal. Mensalmente, a dívida vem aumentando. É déficit em cima de déficit. Precisa ver para onde isso vai.

A Multiplan está à espera de um cenário mais claro?
Temos uma situação muito confortável. A Multiplan fez muitos investimentos nos últimos três anos. A gente expandiu 50 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) em shoppings. Em 18 de novembro vamos inaugurar a expansão do ParkShopping Brasília. Foi muito dinheiro investido em expansões, em revitalizações e em recompra de ações. Eu posso me dar ao luxo de ficar um bom tempo esperando para ver o que vai acontecer. E acho que é a atitude mais correta. Eu não construo para alugar, eu alugo para construir. Para fazer um shopping do zero, é preciso que o lojista esteja animado. E está todo mundo em compasso de espera.

“Se descer o juro na marra, como na época da Dilma Rousseff, explode o dólar, explode tudo. Não é uma questão de vontade, é técnica. Economia é uma ciência”

Sua avaliação é de pessimismo para o futuro da economia brasileira?
Eu sou realista cauteloso. A Multiplan não existe há 40 anos sendo kamikaze. A gente existe porque sempre foi cauteloso. No Brasil, dever muito é sinônimo de quebrar. Todas as empresas endividadas estão hoje em situação difícil, sem perspectiva de queda de juros. E se descer o juro na marra, como na época da Dilma Rousseff, explode o dólar, explode tudo. É preciso poder descer [o juro]. Não é uma questão de vontade, é técnica. Economia é uma ciência.

E, enquanto não há essa definição mais clara, a Multiplan vai adotar qual caminho?
A gente vai precisar entender para onde vai o País. E hoje eu não faço ideia. Precisa saber quem vai ser o ministro da Fazenda. O Geraldo Alckmin, sabemos quem é. O Rafael Fonteles, não conheço nada.

Para o setor de shoppings, qual deve ser o impacto?
Ainda não conversei com ninguém do setor. Mas a questão está diretamente no nível de consumo que teremos daqui para a frente. O endividamento das famílias e das empresas é recorde. Isso não é bom. Todo mundo precisa pensar, porque um passo errado agora, pode colocar tudo por água abaixo.

Como a companhia entra em 2027?
Hoje, temos o fim de Lula 3 partindo para o Lula 4. Mas eu não sei quem é o novo governo. Ele fez muitas promessas. Tem dinheiro para pagar isso tudo? Vai vir de onde? O momento é de cautela. Precisamos saber para onde vai. A gente tem diversos projetos para mais expansões e construir outros empreendimentos imobiliários. Mas precisamos saber como vai ser o Brasil. Daqui para o ano que vem, vamos ter uma leitura mais clara de qual será o impacto deste novo governo para o país inteiro.



Fonte: NeoFeed

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