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O mercado financeiro brasileiro enfrenta um período de correção de preços após a vitória de Lula, com investidores aguardando a definição do novo ministro da Fazenda e ações sobre a política fiscal. A saída de investidores estrangeiros da B3 se intensificou, com um saldo de R$ 11 bilhões, refletindo a incerteza. A correção de preços começou em 26 de outubro, após a derrota de Flávio Bolsonaro, levando a mudanças significativas em juros, dólar e ações.
A escolha do novo ministro é crucial, e a disposição de Lula em não atuar como “ministro cover” é vital para a confiança do mercado. A trégua do feriado de Finados oferece um momento para reflexão sobre a reestruturação do governo. A retomada dos negócios será influenciada pela eleição nos EUA e pela reunião do Copom, que pode impactar a Selic em meio a um cenário de reprecificação de ativos. O Tesouro já interveio no mercado, recomprando R$ 31 bilhões em títulos federais.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O fim de semana prolongado pelo feriado de Finados na segunda-feira, 2 de novembro, impõe uma breve trégua a um mercado machucado pela brutal correção de preços de ativos financeiros observada no Brasil pós-eleição que sagrou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao quarto mandato.
O principal ajuste de preços ocorreu no “day after” do segundo turno. É arriscado, porém, afirmar que a mobilização de investidores tenha sido encerrada porque há grande expectativa com a indicação do ministro da Fazenda de Lula 4.0 e de ações concretas sobre a condução da política fiscal. Investidores estrangeiros estão deixando a B3. A debandada teve início antes da eleição e foi agravada. Em sete dias, o saldo no mês aplicado por essa modalidade de investidor caiu de R$ 20,9 bilhões para R$ 8,38 bilhões.
A correção de preços dos ativos tem sido diária, mas foi desencadeada na segunda-feira, 26 de outubro, porque o mercado financeiro errou a mão. Apostava em Flávio Bolsonaro para a Presidência e, com sua derrota, foi instado a promover subitamente um intenso ajuste com a vitória do presidente Lula. Resultado: juros, dólar e ações mudaram de patamar para negociação que poderá (ou não) ser confirmado nas próximas semanas.
É crucial para evitar precipitadas ordens de “venda” de Brasil e assegurar, se possível, a renovação de ordens de “compra”, a definição do próximo titular da Fazenda. A possibilidade de o posto ser destinado ao vice-presidente Geraldo Alckmin ou ao governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, como ventilado nos últimos dias, não anima profissionais do mercado. Embora considerados competentes, ambos não se destacam por pensamento econômico crítico e são próximos (demais) do presidente.
Outra decisão apontada como primordial por economistas consultados pelo NeoFeed é a real disposição de o presidente Lula abdicar do papel de “ministro cover” da economia. Também é vital que o presidente e o futuro ministro tenham um discurso afinado sobre a política econômica e que o Banco Central (BC) tenha sua autonomia preservada.
Nesse sentido, a trégua de Finados é oportuna para dar fôlego a Lula para um descanso após a intensa campanha eleitoral e para refletir sobre a reestruturação do governo a partir de 5 de janeiro de 2027, quando a próxima gestão terá início formal.
A retomada dos negócios a partir de terça, 3 de novembro, será pautada por dois eventos de caráter tão delicado quanto emblemático: a eleição de meio de mandato nos EUA e a reunião do Comitê de Política Monetária no Brasil.
Eleição americana
A eleição americana na terça-feira, 3, busca renovação da Câmara e de parte do Senado. Em jogo estará a capacidade de Donald Trump aprovar propostas, inclusive orçamentárias, na segunda metade do seu mandato.
O risco elevado de derrota do Partido Republicano e, portanto, de Trump pelo Partido Democrata atiça investidores globais que vêm aproveitando a escalada da remuneração de títulos do Tesouro norte-americano que seguem em níveis mais elevados em décadas. E atentos para a perspectiva de aumento de juro pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro. Juro americano elevado é dólar forte no mundo e no Brasil – risco para a inflação acomodada, mas longe da meta.
Na quarta-feira, 28 de outubro, o Fed manteve sua taxa no intervalo de 3,75% a 4%. Porém, para dezembro, o mercado futuro aponta 85% de chance de alta de 0,25 ponto – considerada inescapável ante a economia forte que expandiu 3,4% no terceiro trimestre e persistente pressão inflacionária. Afinal, o conflito no Oriente Médio saiu das manchetes, mas o preço do petróleo continua beliscando US$ 115 o barril Brent – alta de quase 18% em outubro e de 87% no ano.
No Brasil, onde a alta do petróleo sobre preços de combustíveis é neutralizada por subsídios do governo – que alcançam R$ 39 bilhões e devem ser compensados por receita extraordinária com petróleo estimada em R$ 64,9 bilhões este ano – o Copom será alvo de atenção na quarta-feira, 4. O Comitê poderá reduzir a Selic ou manter os atuais 13,75%.
A decisão do Copom importa, inclusive, porque será tomada num cenário de reprecificação de ativos ainda não esgotada. Com divulgação simultânea à Selic, no início da noite de quarta-feira, a expectativa é de um comunicado do Copom equilibrado de forma a contribuir para alguma tranquilidade às operações, inclusive as lastreadas em títulos federais, contaminadas pelo estresse geral que patrocinou intervenções do Tesouro Nacional no mercado aberto.
Em dois dias de negócios, após o segundo turno eleitoral, o Tesouro recomprou R$ 31 bilhões de títulos federais de prazos mais longos ao mesmo tempo em que suspendeu leilões de venda programados para a semana. Essa modalidade de intervenção, que já ocorreu em outras circunstâncias e governos, é justificável. O montante da recompra é nada se comparado ao saldo da dívida mobiliária de quase R$ 9 trilhões, mas relevante como “porta de saída” para instituições que eventualmente encontram dificuldade para refinanciar suas carteiras.
Para terça-feira e quarta, 3 e 4 de novembro, estão programados mais leilões de venda de títulos, segundo o cronograma distribuído com antecedência de meses pelo Tesouro. Nesses dois dias, o Tesouro poderá, em tese, ofertar primeiro LFT e NTN-B (títulos indexados à Selic e ao IPCA) e, na quarta, as prefixadas LTN e NTN-F.
Nada impede, porém, que o Tesouro suspenda essas operações sem qualquer prejuízo para a rolagem da dívida pública porque dispõe de um colchão de liquidez de R$ 1,2 trilhão. Eventual recompra de títulos também é bem-vinda para inibir distorções de preços e taxas do maior “ativo” negociado no Brasil – a dívida do governo.









