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O presidente Lula enfrentará uma intensa agenda nos próximos dias, com a necessidade de acelerar sua campanha eleitoral enquanto participa da abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York.
A expectativa é que um pronunciamento positivo possa beneficiar sua imagem e minimizar os impactos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A crise, que pode se agravar, está relacionada a investigações sobre o ministro Alexandre de Moraes. Lula, que defende a soberania brasileira, planeja abordar a interferência dos EUA nas eleições do Brasil em seu discurso.
A situação política interna é tensa, com a proximidade das eleições e pressões no mercado financeiro, exacerbadas por fatores externos, como a alta dos juros nos EUA. Lula criticou a independência do Banco Central, sugerindo que o presidente deve ter mais poder sobre a economia.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O presidente Lula precisará de fôlego dobrado para encarar uma dupla jornada nos próximos dias: acelerar a campanha em um momento em que as pesquisas eleitoras mostram empate técnico com seu principal oponente à presidência da República, Flávio Bolsonaro; e marcar presença em Nova York na terça-feira, 22 de setembro, onde promoverá a abertura da Assembleia Geral da ONU em sua 81ª edição.
O presidente embarca no domingo para os EUA e volta na terça-feira, confirmou o Ministério das Relações Exteriores. Como de praxe, o Brasil recepcionará 193 países membros da ONU com o pronunciamento do seu presidente seguido pelo presidente dos EUA – sede da organização.
A expectativa é que, se positivo no pronunciamento, Lula capitalize o resultado na reta final da campanha. Com habilidade e sorte, poderá minimizar respingos (sobre sua imagem) da crise instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF) que, sugerem os fatos, não tem hora para acabar.
Ao contrário, a crise entrará em nova fase a reforçar a instabilidade institucional caso se estenda por até 90 dias, por pedido de vista pelo ministro Flávio Dino, da avaliação sobre a abertura (ou não) de investigação quanto à suposta relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro – responsável pelo maior escândalo financeiro registrado no País.
Ainda que não influencie diretamente a decisão de voto não eleições de outubro, como atestaram até agora algumas pesquisas de opinião, a crise institucional inédita não passa despercebida dos eleitores.
O posicionamento de Lula em defesa da soberania não é segredo na comunidade internacional. Lula sustentou essa posição no ano passado, também na ONU, quando o Brasil se defrontava com pressões comerciais dos EUA e em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro condenado, um mês antes, a mais de 27 anos de prisão.
De lá para cá, é fato, o script mudou – pero no mucho. É o filho de Bolsonaro que ameaça Lula em seu objetivo maior, a reeleição ao quarto mandato. Razão que pode justificar uma fala mais agressiva de Lula na ONU e com consequências imprevisíveis.
No limite, uma afronta de Lula a Trump num contexto global, ainda que meramente retórico, poderá acelerar a busca de cobertura por investidores contra movimentos defensivos no mercado, onde o câmbio segue exposto a relevantes eventos externos e o juro, mesmo em queda no Brasil, não favorece a gestão da dívida pública pelo Tesouro.
Não há encontro formal agendado entre os dois governantes. Mas, dado o cerimonial historicamente estabelecido, Lula e Donald Trump poderão se encontrar durante o evento, ainda que de raspão, como ocorreu em 2025.
Episódio que rendeu declarações sobre uma “química excelente” identificada por ambos, mas que não impediu que os EUA sustentassem o tarifaço sobre importações brasileiras ou que o Brasil conquistasse novos mercados. E, tampouco, que Lula estabelecesse, mais adiante, contato amistoso e presencial com Trump na Casa Branca.
Na fala de Lula, na terça-feira 22 de setembro, poderá constar referência às relações comerciais entre os dois países que sofreram forte deterioração. Porém, a expectativa é que o posicionamento do presidente brasileiro tenha viés notadamente político, como ele indicou em Porto Alegre há uma semana.
No “spoiler”, Lula sugeriu que a defesa da soberania não será um adendo em seu discurso. O presidente pretende reiterar, na ONU, que não aceita interferência dos EUA nas eleições. Garantiu nunca ter cometido ingerência na eleição de outro país. Disse que falou por telefone com Trump e avisou: “Não se meta nas eleições brasileiras porque vai perder”.
Para o cientista político Leandro Consentino, professor de Sociologia, Política e História da Economia no Insper, é relevante o fato de o Brasil ter a prerrogativa histórica da abertura da Assembleia Geral da ONU. “Na prática, o Brasil construiu sua tradição de política externa no multilateralismo. As Nações Unidas são um foro multilateral por excelência e o pronunciamento do presidente Lula vem no sentido de reforçar essa opção num mundo cada vez mais polarizado”, observa.
Em conversa com o NeoFeed, Consentino avalia que Lula deve passar essa mensagem nada trivial, sobretudo nesse momento do calendário político. “O País quer se mostrar independente da disputa entre EUA e China. E tende, dessa forma, a se arvorar mais como uma nação independente, reforçando o discurso da soberania e da capacidade de dialogar com diversos países e blocos sem as amarras de estar de um lado ou de outro”, acrescenta o professor para quem a ONU não é palco para discutir as eleições brasileiras.
Enquanto isso, no Brasil
Eventuais pressões no mercado financeiro doméstico podem ocorrer por ao menos três eventos: o Brasil estará a 12 dias de uma acirrada disputa eleitoral; o reajuste no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira, 17, será mais uma pedra no sapato do BC a pressionar a demanda e pesando na inflação; e, nos EUA, também se aproximam as eleições de meio de mandato, nada confortáveis para Trump – o Partido Republicano poderá perder a maioria na Câmara e no Senado. Cenário previsível, mas que torna imponderável a reação de Trump.
Na seara financeira, os juros de títulos americanos no maior nível em duas décadas não facilitam a vida dos emergentes. Interferem na precificação da renda fixa doméstica, ainda que, no Brasil, o Copom tenha reduzido a Selic a 13,75% na quarta-feira, 16. Na contramão, o Fed subiu sua taxa.
O BC de Galípolo confirmou a decisão esperada e o Fed de Warsh idem. Mas, por aqui, o BC segue no “escuro”. Prestes a confirmar um ano de vacância de duas diretorias e a depender da avaliação do presidente Lula – se reeleito – a instituição poderá ter seu campo de atuação questionado.
Lula afirmou à TV Record na terça, 15 de setembro, que o BC independente não resolve os problemas do mundo. E traçou uma espécie de “mapa da mina” ao dizer: “O que resolve é o presidente da República eleito ter o poder de interferir na economia, coisa que nós não temos mais.”








