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Muito além do STF: o raio-X econômico que explica a onda conservadora nas urnas


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O avanço da direita nas eleições brasileiras surpreendeu especialistas, destacando a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva e a representatividade conservadora em governos estaduais e no Congresso. Esse fenômeno reflete o descontentamento de empresários e consumidores com a economia, marcada por inflação alta, juros elevados e gastos públicos excessivos.

Apesar de investimentos significativos do governo Lula, pesquisas indicam um pessimismo crescente, exigindo que os candidatos apresentem propostas viáveis para restaurar a confiança. Todos os indicadores de confiança monitorados pelo Ibre FGV caíram em setembro, evidenciando a deterioração da percepção sobre a demanda e a produção.

A confiança do consumidor e do empresário também registrou quedas, refletindo preocupações com o futuro do mercado de trabalho e a pressão inflacionária. A situação econômica crítica requer atenção especial do futuro presidente para reverter o desalento da população.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O avanço consistente da direita no primeiro turno das eleições no Brasil surpreendeu até especialistas em política pela vantagem de Flávio Bolsonaro na corrida ao segundo turno ante o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela representatividade alcançada por esse campo político nos governos estaduais e no Congresso.

Entretanto, o avanço conservador não surpreendeu analistas atentos ao humor de empresários e consumidores ressabiados com o atual cenário econômico – de inflação persistente tragando poder de compra, juros persistentemente elevados, gastos públicos considerados além da conta e desarmonia entre as políticas fiscal e monetária que agrava o custo do crédito num país de endividados.

Apesar dos bilhões de reais injetados na economia e comprometidos pelo governo Lula sobretudo com iniciativas de cunho social, algo estimado na elástica faixa de R$ 215 bilhões a R$ 270 bilhões a depender da fonte e critério de apuração, sinais de desalento eram flagrantes às vésperas do primeiro turno das eleições em pesquisas econômicas conceituadas.

Captado por indicadores de confiança mapeados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e Confederação Nacional da Indústria (CNI) em setembro, o desalento da população não deve ser ignorado pelos dois postulantes ao Planalto e que exigirá, mais adiante, atenção particular do vencedor do pleito a ser conhecido em 25 de outubro.

O pessimismo apontado pelas pesquisas sugere a necessidade de que as discussões a serem travadas entre os candidatos, até o segundo turno, avancem para além de temas técnicos de forte interesse do mercado – caso de propostas sobre política fiscal, centradas em mecanismos que estabilizem a dívida pública, papel do Banco Central ou nível da taxa de juro necessária para alcançar a meta de inflação que, em 3%, não é consenso sequer entre economistas de mercado e da academia.

Lula e Flávio deverão “vender” – na propaganda eleitoral em rádio e TV a ser retomada na sexta-feira, 9 de outubro, e em debates se confirmados – propostas críveis para colocar as contas públicas nos eixos, mas que se estendam aos anseios do eleitorado e resgatem expectativas positivas para o curto e médio prazo. ]

Desgastadas, sobretudo, pelo endividamento inédito de famílias, apesar dos programas de renegociação anunciados, e a trava imposta a investimentos no setor real da economia por juros muito elevados e maior seletividade na concessão de tradicionais empréstimos bancários.

Todos os seis indicadores setoriais de confiança monitorados pelo Ibre FGV caíram em bloco em setembro pela primeira vez neste ano. Refletiram piora na avaliação do momento presente; a percepção de empresários do comércio e da indústria de que a demanda já está ou será afetada pelo comprometimento da renda das famílias; e a constatação, especialmente na indústria, de que há acúmulo de estoques e, por consequência, expectativa de que poderão ocorrer ajustes na produção num cenário de desaceleração da atividade. Sem contar efeitos sobre custos do fim da jornada 6×1 em trâmite acelerado no Senado Federal e a ser votada em primeiro turno nos próximos dias.

Foco no trabalho

De acordo com o Ibre FGV, entre os indicadores pesquisados em setembro a Confiança do Comércio registrou a maior baixa mensal, de 2,9%, para 81,3 pontos; a Confiança da Indústria recuou 2,4 pontos, para 91,3; a Confiança da Construção perdeu 1,4 ponto, para 90,5; a Confiança de Serviços declinou 0,9 ponto, para 88,1; e a Confiança do Consumidor perdeu 0,5 ponto, para 84,2 pontos. Esses dados arremataram o terceiro trimestre e levaram a Confiança Empresarial a deslizar 1,9 ponto para 89,3 pontos. Em todos os casos, os indicadores seguem abaixo da neutralidade em 100 pontos.

Indicador monitorado pela Confederação Nacional do Comércio, a Intenção de Consumo das Famílias caiu em setembro especialmente em decorrência de maior preocupação com o mercado de trabalho futuro, apesar da visão positiva com o trabalho corrente. A retração do dado geral, que agrega sete componentes, foi de 0,3%, para 104,5 em setembro – menor pontuação em seis meses. Já a Perspectiva Profissional caiu 0,7%, na quinta baixa consecutiva. Na comparação interanual, esse dado tombou expressivos 8,6%.

Em contraponto, a percepção do Momento para Compra de Bens Duráveis, que declinou 0,5% em setembro, na base interanual saltou 17,2%, em função de menor pressão inflacionária sobre bens duráveis. A título de comparação, em agosto, último dado disponível, a inflação desses bens – fortemente influenciada pelo comportamento do dólar – subiu apenas 0,98% ante IPCA de 4,22%. Convite, portanto, a mais endividamento das famílias.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), também apurado pela CNC, registrou pessimismo em setembro, recuando a 100 pontos. A Confederação lembra que setembro foi marcado pelo fim da “Taxa das Blusinhas” que incentivou maior participação do comércio exterior no consumo.

No segmento têxtil, a confiança declinou 1,3% em setembro e 1,7% na comparação anual. Dados da Receita Federal, citados pela CNC, revelam a concorrência brutal das remessas internacionais: em agosto foram declaradas 26,5 milhões de remessas, ante 15,2 milhões em igual período de 2025.

No segmento industrial, o pessimismo está instalado e agravado. Pesquisa elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirmou, também em setembro, 21 meses seguidos de queda do Índice de Confiança do Empresário. No mês, o declínio foi de 1,4 ponto, passando de 46,3 pontos para 44,9 pontos, distanciando-se, portanto, da marca de 50 pontos – ponto de neutralidade.

Outra pesquisa CNI dá consistência a esse dado. O Índice de Produção Industrial teve, em agosto, último dado apresentado, queda a 46,3 pontos – pior resultado em uma década. E a intenção de investimento desceu ao menor nível desde a pandemia.



Fonte: NeoFeed

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