Mercado Financeiro

Mais um recorde para as maiores do Sul


Ano após ano, as 500 MAIORES DO SUL têm exibido um desempenho cada vez melhor fazendo com que o primeiro pelotão do ranking quebre sucessivos recordes. Depois de terem ultrapassado R$ 1 trilhão em vendas no exercício de 2022, as companhias do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul venceram a barreira de R$ 100 bilhões em lucros no ranking desta edição, baseado nas demonstrações financeiras de 2025. No último período, entre 2024 e 2025, o avanço foi de 10,1%. Quem mais lucrou foi a WEG (R$ 7,7 bilhões), seguida de perto pelo Sicredi (R$ 7,5 bilhões). A cooperativa de crédito (foto) sediada em Porto Alegre é a maior empresa da região Sul pelo segundo ano consecutivo.

A depender dos resultados de 2026, a próxima edição poderá bater outro recorde: o alcance do primeiro trilhão no Valor Ponderado de Grandeza, o VPG, principal indicador do maior ranking regional de empresas do país. O VPG, elaborado pela PwC Brasil, é o resultado da soma de 50% do patrimônio líquido, 40% da receita líquida e 10% do lucro (ou prejuízo) líquido. Rafael Biedermann, sócio e líder da PwC no Rio Grande do Sul, costuma comparar o VPG com uma espécie de PIB das empresas presentes no ranking. “O PIB é uma boa comparação, pois é um excelente modelo para avaliar o crescimento do VPG dessas companhias ao longo da história, assim como atualmente, e do mercado onde elas mesmas atuam”, avalia.

De 2023 para 2025, a soma dos VPGs saltou 20,4%, para R$ 867,5 bilhões. No último período (de 2024 para 2025), no entanto, o avanço foi um pouco menos da metade (8,5%). “Teremos de observar dois fatores que terão impacto no VPG de 2026. Se a receita e o patrimônio avançarem, o valor poderá bater R$ 1 trilhão. O ingrediente que pode pesar nessa equação é que a distribuição dos lucros acumulados, em razão da nova tributação que está em vigor, poderá fazer com que a soma dos patrimônios diminua ou não cresça o suficiente”, pondera Biedermann, ressalvando que a soma dos lucros, ou mesmo das receitas, poderão compensar uma possível diferença.

Confira o ranking das 500 MAIORES DO SUL, das 500 emergentes e também das 100 maiores do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul clicando aqui

O faturamento total das 500 somou R$ 1,3 trilhão, um salto de 11,3% em relação ao ano de 2024. A líder em receita líquida foi a Bunge (R$ 76 bilhões), seguida pela BRF (R$ 65 bilhões) e pelo Sicredi (R$ 64,3 bilhões). As vendas das cem maiores empresas totalizaram R$ 1 trilhão. A cada edição, tem aumentado o número de bilionárias no ranking 500 MAIORES DO SUL. Desta vez, dez entraram no clube do bilhão, que agora conta com 216 empresas. Juntas, elas venderam R$ 1,2 trilhão, um salto de 11,3% quando comparado ao mesmo indicador de 2024. O Rio Grande do Sul conquistou o maior número de bilionárias: foram seis, agora totalizando 81. O Paraná ganhou duas, ficando com 78, e Santa Catarina outras duas, somando 57 representantes entre as gigantes.

A soma dos patrimônios foi outro indicador que robusteceu. No intervalo de um ano, o valor passou para R$ 608,1 bilhões, que representa uma alta de 3,8%. Outra boa notícia foi o avanço das margens, cuja média subiu para 9,3%, dois pontos percentuais a mais do que na edição anterior. Isso, porém, não livrou algumas empresas da maré vermelha. Nada menos que 70 companhias tiveram prejuízo, cinco a mais que no ranking anterior, com base em balanços de 2024. A maior perda foi da gaúcha CEEE Equatorial (R$ 704,5 milhões), seguida pelas catarinenses Tupy (R$ 654,5 milhões) e Autopista Litoral Sul (R$ 559,2 milhões).

Sete setores concentram exatamente metade das empresas em 500 MAIORES DO SUL. Comércio – Atacado e Varejo tem o maior número de representantes (56). Completam a lista Financeiro (com 39), Alimentos e Bebidas (36), Saúde (33), Transporte e Logística (32), Energia e Construção e Imobiliário (com 27 companhias em cada segmento). Eles comercializaram, juntos, um total de R$ 707,5 bilhões, valor 9,5% superior ao exercício de 2024, cujas demonstrações financeiras foram publicadas no ano seguinte. Esse grupo de empresas foi responsável por 52,7% das vendas do primeiro pelotão das 500.

O peso dos estados
Santa Catarina e Rio Grande do Sul medem forças pela liderança dos principais indicadores do ranking. As representantes gaúchas encabeçam quatro quesitos exibindo o maior patrimônio líquido (R$ 215,7 bilhões), a maior receita líquida (R$ 475,5 bilhões), o maior lucro líquido (R$ 36,5 bilhões) e também, por consequência, o maior VPG (R$ 306,7 bilhões). As companhias catarinenses, por sua vez, tiveram o menor prejuízo (R$ 2,1 bilhões), o menor índice de endividamento (52,6%), a maior rentabilidade (11,4%) e o maior índice de liquidez (2,4). A liquidez corrente reflete a capacidade da empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo. Quanto maior o índice, maior a liquidez da companhia.

O Rio Grande do Sul também exibe o maior número de empresas presentes no ranking. Nesta edição são 193 – cinco a mais do que no ano anterior. O Paraná possui 167 representantes, oito a menos que no anuário passado. Santa Catarina ganhou mais três companhias na lista somando agora um total de 140. Curitiba, com 76 companhias, e Porto Alegre, com 69, são as cidades com maior número de representantes no ranking. Em Santa Catarina, a capital Florianópolis tem 23, seguida por Joinville, com 21. Entre as 500, são 140 cidades onde estão localizadas as sedes das companhias, sendo 55 gaúchas, 47 catarinenses e 38 paranaenses. Além disso, 82 municípios têm pelo menos uma empresa no maior rankingregional do Brasil.

No ranking setorial o Rio Grande do Sul batalha diretamente com o Paraná. Quando computadas as campeãs por volume de vendas e rentabilidade em cada setor, são 12 gaúchas líderes por receita e dez pela margem, totalizando 22 primeiras colocações. O Paraná tem 21, sendo 11 campeãs em vendas e dez pela rentabilidade. Já Santa Catarina exibe seis líderes em receita e nove com maior margem de lucro somando 15 companhias. A Bianchini – em Comércio Exterior – e a Todeschini – em Móveis –, são as únicas representantes entre todas as da lista a levarem as duas medalhas, pois além de conseguirem a maior receita líquida, também apresentaram a maior margem de lucro em seus setores de atuação.

Uma novidade desta edição é o retorno da Renault do Brasil que, no ano passado, ficou de fora do ranking por não ter enviado ou publicado suas demonstrações financeiras. A companhia paranaense ocupa a 16ª posição entre as 500 MAIORES DO SUL. Em novembro de 2025, a empresa se uniu à Geely com o objetivo de gerar cooperação estratégica entre o Renault Group e a multinacional chinesa, acelerando o desenvolvimento das duas marcas no país e abrindo caminho para o lançamento de novos veículos de zero e baixas emissões, com tecnologia de ponta. A Renault Geely do Brasil anunciou em setembro de 2026 um novo ciclo de investimentos, desta vez com o aporte de R$ 2 bilhões. Com isso, a companhia soma R$ 5,8 bilhões somente entre 2025 e 2027.

Uma novidade desta edição é o retorno da Renault do Brasil Divulgação

Quem também retornou ao ranking foi a Yara que não esteve presente também pelo fato de não ter tornado público seu balanço em tempo hábil. A fabricante de fertilizantes voltou na 19ª colocação. O anuário também conta com estreias ou mesmo grupos empresariais que apresentaram demonstrações financeiras consolidadas, documento que dá uma visão mais próxima do real tamanho dos conglomerados econômicos. Um exemplo é a ECB Holding que congrega empresas como a Be8, que industrializa biodiesel, a ECB Aeroportos, que é a concessionária do aeroporto de Passo Fundo (RS), entre outras. O grupo ocupa a 45ª posição na lista de AMANHÃ e PwC Brasil.



Fonte: Amanhã

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