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Em dobradinha ibérica, espanholas e EDP levam todos os lotes de transmissão de R$ 8,9 bilhões


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As empresas espanholas dominaram o leilão de transmissão de energia realizado na B3, arrematando sete dos oito lotes, totalizando R$ 8,6 bilhões. O único lote não conquistado por uma espanhola foi o 2, adquirido pela portuguesa EDP, que prevê investimentos de R$ 317 milhões. O leilão, com deságio médio de 50,10%, contou com a participação de diversas empresas brasileiras, mas nenhuma delas conseguiu vencer.

A Celeo foi a que mais investiu, com R$ 4,9 bilhões, enquanto a Neoenergia e a Cymi também se destacaram. Os projetos abrangem várias regiões do Brasil e visam reforçar a infraestrutura de transmissão. As concessões terão duração de 30 anos, com prazos de implantação de 42 a 60 meses. O resultado do leilão é visto como um sinal de confiança dos investidores no setor, com expectativa de economia de R$ 21 bilhões para os consumidores ao longo das concessões. Três novos leilões estão programados para 2027.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

As empresas espanholas foram as principais ganhadoras do leilão de transmissão de energia realizado nesta sexta-feira, 30 de outubro, na B3, em São Paulo. Celeo, Cymi, Neoenergia e Cox arremataram sete dos oito lotes, somando R$ 8,6 bilhões dos R$ 8,9 bilhões em investimentos previstos.

O único lote que não ficou com uma espanhola foi o 2, levado pela portuguesa EDP, com projetos na Bahia e em Goiás. A Axia disputou os oito lotes, mas não arrematou nenhum.

Entre os participantes brasileiros, estavam também a Alupar, por meio do Consórcio Olympus XXI, e o FIP Warehouse, ligado ao BTG Pactual, além de Tradetek, Argo Energia, Zopone, Rialma, Brennand e Consórcio Confiança.

A disputa organizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reuniu 15 participantes, teve cinco vencedores distintos e terminou com deságio médio ponderado de 50,10%. A receita anual conjunta contratada ficou em R$ 811 milhões, ante um teto de R$ 1,625 bilhão.

O maior desconto foi de 57,08%, no lote 3, vencido pela Cymi, e o menor, de 38,55%, no lote 7, arrematado pela Neoenergia.

Para Ivo Sechi, secretário de Leilões da Aneel, o resultado mostra a confiança dos investidores no setor, apesar das oscilações do dólar e dos juros. “Os contratos são longos e vão acomodar essas oscilações momentâneas”, afirma, destacando que o deságio acompanhou a média histórica.

Os projetos leiloados estão distribuídos por Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. O certame contempla 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e conexões com a rede existente, além da continuidade da operação de 483 quilômetros de linhas.

A Celeo concentrou o maior volume de investimentos: R$ 4,9 bilhões nos lotes 4 e 8. A empresa de origem espanhola levou o maior projeto do leilão, com R$ 4,1 bilhões, quase metade dos investimentos ofertados, para reforçar a rede entre Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Em Rondônia, a companhia instalará equipamentos na subestação Coletora Porto Velho, destinados a aumentar a resiliência do sistema de transmissão de Acre e Rondônia diante das mudanças climáticas.

Metade dos lotes chegou à etapa de lances a viva-voz. Na disputa mais longa, Neoenergia e Tradetek trocaram 150 ofertas pelo lote 1, na Bahia.

“Tínhamos fôlego para ir um pouco além”, afirma Eduardo Capelastegui Saiz, CEO da Neoenergia. O executivo diz que o conhecimento das instalações da Afluente-T, cuja concessão está chegando ao fim, e a presença da distribuidora Coelba na região favoreceram a companhia.

A Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola, ficou com os lotes 1 e 7, que somam R$ 1,2 bilhão em investimentos previstos. Na Bahia, manterá a operação das instalações existentes e construirá novas estruturas para atender o sul e o centro-sul do estado. Na Paraíba, superou a Celeo para executar obras nos sistemas de Coremas e Cajazeiras, destinados ao atendimento do Sertão.

Capelastegui afirma que a companhia continuará avaliando novos leilões, com foco no retorno dos investimentos. “Nosso objetivo não é ganhar projetos, é gerar valor para a Neoenergia. Ganhamos quando faz sentido econômico para nós”, acrescenta.

Já a Cymi conquistou os lotes 3 e 5, com R$ 2,1 bilhões em investimentos previstos. O projeto paulista contempla a subestação Santana, em Mogi das Cruzes, e suas conexões com a rede, para reforçar o atendimento à região central da capital. No Paraná, a companhia realizará ampliações destinadas à região metropolitana de Curitiba.

A Cox ficou com o lote 6, com R$ 480,3 milhões em investimentos previstos para reforçar o atendimento às regiões oeste e sudoeste do Paraná. Nos dois projetos paranaenses, Cymi e Cox superaram a francesa Engie na etapa de lances a viva-voz.

O projeto arrematado pela EDP, o lote 2, reuniu o maior número de inscritos: dez. Com investimentos previstos de R$ 317 milhões, contempla uma linha entre Bahia e Goiás e uma subestação para reforçar o atendimento ao nordeste goiano.

João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, afirma que o resultado está dentro da expectativa de rentabilidade da companhia, que continuará avaliando oportunidades em transmissão.

“Acreditamos que a transição energética se faz com investimento em energia renovável e em redes. Vamos estar atentos ao próximo leilão de transmissão”, diz.

William Akira Kay, gerente de Estudos de Mercado e Regulação da Envol Energy Consulting, destaca que transmissoras tradicionais, como ISA Energia, Taesa e Copel, já haviam sinalizado ausência ou menos apetite no certame.

A expectativa do consultor era de uma disputa competitiva, mas mais seletiva. “Os empreendimentos reforçam a capacidade de escoamento de energia e a segurança da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) em diferentes regiões do País”, afirma.

As concessões terão duração de 30 anos, com prazos de implantação entre 42 e 60 meses após a assinatura dos contratos.

Nesse modelo, vence quem aceita receber a menor receita anual para prestar o serviço. Chamada de Receita Anual Permitida (RAP), a remuneração é definida pela proposta vencedora e, para as novas instalações, começa a ser paga com a entrada em operação comercial.

Segundo Sechi, os descontos oferecidos representam uma economia estimada de R$ 21 bilhões para os consumidores ao longo das concessões.

Para 2027, o secretário informa que estão programados três leilões de transmissão: um em abril e dois no segundo semestre. Sua estimativa é que a carteira supere R$ 50 bilhões em investimentos, caso todos os projetos em estudo sejam incluídos.

Desse total, Sechi prevê cerca de R$ 30 bilhões em um projeto de transmissão em corrente contínua para ampliar o escoamento de energia solar e eólica do Nordeste em direção aos centros de consumo.



Fonte: NeoFeed

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