Economia

Dólar fecha em queda e Bolsa sobe com mercado de olho em emprego e eleições



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em queda de 0,17%, cotado a R$ 5,216, nesta terça-feira (29), em um dia marcado pela divulgação de novos dados do mercado de trabalho brasileiro e pelas expectativas para o primeiro turno das eleições, que acontece no próximo domingo (4).

Entre os destaques do pregão esteve a nova pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada pela manhã, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois aparecem tecnicamente empatados. No levantamento anterior, Flávio tinha 47,4%, enquanto Lula somava 47,7%.

O Ibovespa fechou em alta em alta de 0,45%, aos 183.827 pontos, apesar da pressão sobre as ações da CSN, que recuaram 9,84%, a R$ 5,40. O movimento ocorreu após a CSN Mineração reduzir suas projeções para o ano. A Vale, uma das empres de maior peso no índice, também acompanhou a queda e recuou 2,71%, a R$ 69,61.

Entre as maiores altas, estiveram Azzas, que avançou 10,5%, Fleury, com alta de 2,75%, e Banco do Brasil, que subiu 2,55%.

Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, diz que a alta do mercado acionário brasileiro ocorreu apesar do cenário mais adverso no exterior. As taxas dos Treasuries voltaram a subir e pressionaram Wall Street.

O rendimento do título americano de 30 anos chegou a 5,623%, maior nível desde junho de 2002, aumentando a cautela com ativos de risco e reforçando as expectativas de manutenção de uma política monetária restritiva nos Estados Unidos.

No Brasil, Praça destaca a queda dos juros futuros, principalmente nos vencimentos intermediários. O movimento ganhou força após o Governo Central registrar déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto, resultado melhor que a mediana de R$ 16 bilhões negativos indicada pelo Prisma Fiscal e inferior ao déficit de R$ 15,5 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. A queda do petróleo também contribuiu para aliviar a percepção de pressão inflacionária, segundo o analista.

Às 17h20, o petróleo Brent registrava queda de 2,75%, cotado a US$ 102 o barril.

Às 17h20, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,565%, com queda de 0,09 ponto percentual. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,980%, com alta de 0,06 ponto percentual.

Os investidores também repercutiram os novos dados de atividade e mercado de trabalho do país. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre móvel até agosto, ante 5,6% nos três meses encerrados em maio.

O resultado é o menor para o período até agosto desde o início da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012.

Para Leonardo Brito, economista da Olimpo Investimentos, o resultado mostra um mercado de trabalho ainda resiliente. Segundo ele, o dado é relevante para o BC (Banco Central) porque uma economia com mercado de trabalho aquecido tende a sustentar o consumo e a demanda, dificultando uma convergência mais rápida da inflação.

Na tarde desta terça, também foram divulgados os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O Brasil abriu 165.827 vagas formais de trabalho em agosto, o melhor resultado em cinco meses, segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o saldo positivo nos cinco grandes grupamentos de atividade mostra que a criação de vagas foi disseminada pela economia.

Os dados do Caged foram divulgados no mesmo dia em que a Pnad Contínua mostrou a taxa de desemprego na mínima da série histórica para o trimestre até agosto. Para Kayo, os dois indicadores reforçam o quadro de um mercado de trabalho aquecido, inclusive no emprego formal.

“Isso importa para os juros porque a inflação alta hoje tem duas origens. Uma é o choque de oferta ligado ao petróleo, que o Banco Central pouco pode fazer para conter. A outra é de demanda e aparece principalmente na inflação de serviços, que responde de perto ao emprego e à renda”, afirma.

Kayo chama atenção para o fato de o mercado de trabalho aquecido coexistir com uma atividade econômica que vem perdendo força desde o segundo trimestre. Segundo ele, o descompasso não é incomum porque o mercado de trabalho costuma reagir com atraso aos ciclos econômicos, com as empresas primeiro reduzindo contratações e só depois partindo para demissões.

Em Wall Street, as Bolsas fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,26%, enquanto o S&P 500 caiu 0,17% e o Nasdaq teve baixa de 0,09%.

Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, destacou entre os acontecimentos do mercado externo o encontro de Trump com CEOs de empresas ligadas à inteligência artificial, como Meta, Google, Nvidia, Anthropic e OpenAI, para discutir a regulação da tecnologia.

Após o encontro, Trump afirmou ter assinado um documento relacionado à inteligência artificial com os executivos. Segundo o presidente americano, a reunião foi “muito boa” e “muito produtiva, extremamente cordial”.

O índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, fechou em alta de 0,23%.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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