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Contratada de consórcio de túnel de R$ 6,8 bilhões tem sotaque português e mira M&As no Brasil


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A Quadrante, empresa portuguesa, iniciou seu maior projeto de infraestrutura no Brasil, o Túnel Santos-Guarujá, de R$ 6,8 bilhões, em parceria com a Mota-Engil. A companhia busca acelerar sua expansão por meio de aquisições e novos projetos.

O Túnel, que começará a ser construído em 2027 e será o primeiro túnel imerso do Brasil, visa melhorar a mobilidade entre Santos e Guarujá.

A Quadrante atuará como Owner’s Engineer, supervisionando a engenharia do projeto. Desde 2011 no Brasil, a empresa participa de cerca de 50 projetos, com foco em rodovias, ferrovias, aeroportos, saneamento, energia e data centers.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

*Reportagem atualizada na sexta-feira, 18 de setembro, às 19h45

A portuguesa Quadrante entrou em seu maior projeto de infraestrutura no Brasil e não quer parar por aí. A empresa prestará apoio técnico e de engenharia no projeto do Túnel Santos-Guarujá, de R$ 6,8 bilhões, trabalhando ao lado da conterrânea Mota-Engil. A parceria ocorre em meio aos planos da companhia de acelerar a expansão no mercado brasileiro.

O grupo de engenharia, presente em 14 países, avalia novas aquisições e projetos no mercado brasileiro, de olho na agenda aquecida de infraestrutura. “Acreditamos muito no potencial do país. Estamos olhando não só para o crescimento orgânico, mas também para o inorgânico, com a possibilidade de comprar empresas da nossa área”, diz Pedro Moniz, CEO da Quadrante no Brasil e no Chile, ao NeoFeed.

Em 2023, o grupo adquiriu a Ambconsult, especializada em projetos de engenharia para tratamento e disposição de resíduos sólidos. Agora, segundo Moniz, já há conversas em andamento para novas transações.

Presente no Brasil desde 2011, a Quadrante ganhou estrutura local a partir de 2020 e participa atualmente de cerca de 50 projetos no país. As rodovias são sua principal atividade e respondem por 40% a 50% do faturamento. A atuação se estende ainda a setores como ferrovias, aeroportos, saneamento, energia e data centers.

É nesse portfólio que entra o Túnel Santos-Guarujá. A Mota-Engil venceu, em setembro de 2025, o leilão da parceria público-privada (PPP) para construir e operar a ligação entre as duas cidades. A portuguesa está à frente da Concessionária TSG, responsável pelo empreendimento. A Mota-Engil tem entre seus acionistas a chinesa China Communications Construction Company (CCCC).

A Quadrante, por sua vez, passa a integrar o consórcio e atua como Owner’s Engineer (Engenharia do Proprietário) da concessionária, dando suporte técnico ao projeto. O trabalho começou no início do ano e, de acordo com Moniz, já está bem avançado. “Seremos os olhos de engenharia pelo lado da concessionária”, diz o executivo.

A companhia não participa da construção nem elabora o projeto executivo. Seu papel será acompanhar o trabalho de engenharia desenvolvido para o túnel e, posteriormente, supervisionar a execução da obra. “É o maior projeto que nós já abraçamos aqui no Brasil”, diz Moniz.

As obras estão previstas para começar em 2027, com conclusão e testes operacionais em 2030 e início da operação comercial em 2031. Discutido há mais de um século, o Túnel Santos-Guarujá será o primeiro túnel imerso do Brasil. O projeto terá 1,5 quilômetro de extensão, dos quais 870 metros serão imersos sob o canal do estuário de Santos.

A expectativa é reduzir o tempo de travessia entre as duas cidades e melhorar a mobilidade e a logística no entorno do Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina.

O empreendimento é considerado um dos mais complexos de engenharia no Brasil desde a construção da Ponte Rio-Niterói, na década de 1970. Diferentemente de um túnel escavado, a estrutura será formada por módulos de concreto construídos fora do local da travessia, transportados até o canal e submersos até sua posição definitiva.

É nesse desafio que a empresa trabalhará com uma parceira de longa data. Moniz destaca que as duas companhias atuam juntas praticamente desde a fundação da Quadrante, em 1998, e já trabalharam em projetos em diferentes países.

Pedro Moniz, CEO da Quadrante no Brasil e no Chile

“O Brasil é mais um deles. Essa relação vem muito da capacidade técnica que a Quadrante tem e demonstra ao longo dos projetos e da capacidade de execução da Mota-Engil”, afirma.

Apetite estrangeiro

A atuação das duas portuguesas também reflete um movimento mais amplo na infraestrutura brasileira: a presença crescente de grupos internacionais em projetos no país.

Para Moniz, a chegada dessas companhias não decorre necessariamente do espaço deixado pelas grandes empresas brasileiras de engenharia nos últimos anos, mas das oportunidades que o mercado passou a oferecer. “Se os projetos forem rentáveis, estáveis e bem modelados, as empresas vão vir”, avalia.

O executivo associa esse interesse à evolução da estruturação e da regulamentação dos projetos de infraestrutura. “Estamos vendo muitas empresas internacionais vindo para o Brasil, e isso significa maturidade, estabilidade e rentabilidade do sistema”, diz.

É nesse ambiente que o grupo pretende ampliar sua atuação. Além de buscar novos contratos nos segmentos em que já está presente, a Quadrante vê oportunidades em áreas que vêm ganhando investimentos no País.

Uma delas é a de data centers. A companhia já presta serviços de engenharia para o segmento e espera que o Redata, regime de incentivos fiscais sancionado nesta semana, ajude a ampliar a carteira de projetos no Brasil.

O Brasil é um dos mercados prioritários do grupo, mas os planos de expansão se estendem a outros países da América Latina. A empresa já está presente em Peru, Equador, Colômbia, Chile e México e pretende manter o ritmo de crescimento nesses mercados.

Depois de publicada a reportagem, a assessoria de imprensa da Quadrante procurou o NeoFeed e pediu uma correção em função de um erro de informação passado pela própria assessoria e pela empresa. Segue abaixo:

ERRATA:

Em relação à matéria do NeoFeed publicada em 17 de setembro, a Quadrante esclarece que foi contratada para prestar serviços de engenharia, na função de Owner’s Engineer, pela concessionária responsável pelo projeto do Túnel Santos-Guarujá, a TSG, que tem o grupo Mota-Engil entre seus acionistas.

Diferente do que comunicamos anteriormente, a Quadrante não integra diretamente o consórcio responsável pelo Túnel Santos-Guarujá.

Pedimos desculpas por qualquer inconveniente ou desencontro inicial de informações e agradecemos desde já a cordialidade e o compromisso com a informação correta.



Fonte: NeoFeed

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