Negócios

Como a “startup mais antiga do Brasil” quer ir além do frete




Aos 46 anos, Tayguara Helou costuma brincar que a Braspress é “a startup mais antiga do Brasil”. A definição é curiosa para uma transportadora fundada em 1977, com 112 centros de distribuição, pouco menos de 3,1 mil veículos próprios e que, segundo ele, deve faturar cerca de R$ 3 bilhões em 2026.

Mas ajuda a explicar como Helou, diretor de desenvolvimento e novos negócios da companhia fundada por seu pai, Urubatan Helou, enxerga seu papel no grupo: encontrar novas avenidas de crescimento para um negócio que já ganhou escala nacional. “A gente só está começando”, diz Helou a Carlos Burle durante o Bravamente, programa em parceria com o NeoFeed.

A Braspress ocupa hoje cerca de 1,5 milhão de metros quadrados em todo o Brasil. O Planeta Azul, principal complexo da companhia, em Guarulhos, tem 230 mil metros quadrados e aproximadamente 1,6 mil funcionários.

Na rua, a escala aparece em uma frota de pouco menos de 3,1 mil veículos próprios, além de aproximadamente 2 mil terceirizados dedicados exclusivamente à companhia. A operação combina transporte rodoviário, aéreo e fluvial para chegar a diferentes regiões do País, inclusive comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Helou estima que o mercado brasileiro de logística movimente cerca de R$ 190 bilhões. É sobre esse mercado que a Braspress tenta avançar, enquanto procura negócios complementares ao transporte.

A principal aposta fora da logística é o Urbano Bank, operação financeira fundada por Helou. A ideia é aproveitar o relacionamento com empresas para oferecer serviços financeiros ligados às necessidades desses clientes.

“Eu não vendo frete e eu não vendo crédito e nem dinheiro. Eu ajudo a viabilizar o negócio dos meus clientes com logística e com serviços financeiros”, afirma. Para Helou, existe espaço para aproximar as duas atividades e atuar no que chama de “última milha” financeira das empresas.

A busca por novos mercados não começou com a instituição financeira. Quando entrou na gestão da Braspress, Helou identificou no segmento de surfwear uma oportunidade para a transportadora. Surfista desde os 17 anos, passou a prospectar empresas do setor e afirma que hoje as principais marcas do segmento trabalham com a companhia.

É nesse esporte, inclusive, que Helou encontra também uma analogia para a vida empresarial. Para ele, assim como no surfe é possível planejar uma viagem por semanas e voltar sem ter encontrado as ondas esperadas, nos negócios também podem acontecer contratempos.

“O empresário está todo dia lidando com o fracasso. A gente flerta com o fracasso no Brasil todos os dias”, afirma.

Para lidar com uma rotina em que nem tudo sai conforme o planejado, Helou diz levar das ondas disciplina, planejamento e, sobretudo, tolerância à frustração.



Fonte: NeoFeed

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