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Com juros altos, Movida pisa no freio da expansão da frota e acelera “pit stop” caseiro


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A Movida está focada em aumentar a eficiência de sua frota em vez de expandi-la, buscando maior utilização dos veículos e redução de custos, especialmente através da verticalização da manutenção. O CEO, Gustavo Moscatelli, acredita que a expansão da frota requer mais recursos em um cenário de juros elevados, o que torna a estratégia atual mais vantajosa.

A Movida também está investindo em oficinas próprias, com a meta de ter 50 até 2027. Além disso, a locadora está ajustando sua frota para incluir mais veículos de menor valor, reduzindo a exposição a montadoras chinesas. A companhia mantém um foco em eficiência operacional, com um ROIC recorde de 16,7% e um guidance de lucro líquido otimista para o próximo trimestre.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em vez de acelerar a expansão da frota, a Movida quer fazer cada carro render mais. A estratégia passa por aumentar a utilização dos veículos, reduzir custos e trazer para dentro de casa serviços de manutenção, uma espécie de “pit stop” caseiro.

O CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, avalia que aumentar a frota exige mais recursos e alavancagem em um negócio intensivo em capital. Com os juros ainda elevados, a conta para acelerar a expansão fica menos favorável.

“Há muito risco versus o retorno que podemos ter. Então é melhor continuar com o atual tamanho e focar na experiência do cliente e na eficiência operacional, que têm dado mais rentabilidade”, diz o executivo ao NeoFeed.

A cautela na expansão, porém, não significa que a Movida tenha parado de comprar carros. A locadora faz aquisições para repor os veículos vendidos e intensifica as compras em períodos de maior demanda.

A companhia encerrou junho com uma frota consolidada de 286 mil veículos, alta de 9% em um ano, enquanto a frota operacional média chegou a 244 mil carros, avanço de 10%. A Localiza, sua principal concorrente, tinha 670,4 mil veículos no mesmo período.

Apesar da diferença, o CEO da Movida não vê razão para aumentar a frota apenas para reduzir a distância para a concorrência. “A escala, agora, não traz mais benefícios nos pilares para a geração de valor do negócio”, afirma. “Quando você olha as alavancas que tem ainda sem trabalhar na companhia, tem muita pista para ganhar valor.”

A taxa de ocupação operacional chegou a 76,2% no segundo trimestre de 2026, alta de 2,1 pontos percentuais em um ano. O volume de diárias cresceu 22%, para 7,4 milhões, mesmo com o avanço de 7% da tarifa média no segmento de aluguel de carros (RAC), para R$ 165.

Na avaliação do executivo, o avanço simultâneo das tarifas e do volume indica que os reajustes não têm afastado a demanda. “O preço está com uma elasticidade boa, mas acho que isso é muito por conta do nível do serviço”, afirma.

Em relatório sobre o balanço mais recente, o Itaú BBA destacou o forte crescimento do RAC e a expansão das margens das operações de aluguel. “A Movida continua executando bem apesar de um ambiente mais competitivo, apoiada por seu foco em veículos de entrada e eficiência operacional”, escreveram os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo.

O retorno sobre o capital investido (ROIC) da empresa atingiu o recorde de 16,7% no segundo trimestre, alta de quatro pontos percentuais em um ano, com spread de 5,7 pontos percentuais sobre o custo médio da dívida, após impostos.

O BTG Pactual destacou a “execução sólida e a eficiência operacional” da Movida, especialmente no segmento de aluguel de carros. O banco avaliou que o guidance de lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões para o terceiro trimestre reforça a continuidade da demanda e o desempenho operacional da companhia.

Os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim ponderam, porém, que o desempenho das ações deve continuar ligado às perspectivas para os juros, “dada a relevância dessa alavanca em meio à estrutura de capital mais alavancada da companhia”.

Manutenção dentro de casa

Uma das principais apostas para aumentar a eficiência e reduzir custos está na verticalização da manutenção. A locadora começou a trazer para dentro de casa serviços antes realizados por oficinas terceirizadas por meio do Movida Pit Stop.

Nas 10 oficinas abertas desde fevereiro, a economia média chega a 25% em relação ao mesmo serviço realizado por terceiros, segundo o release de resultados do segundo trimestre deste ano. As unidades estão distribuídas em cidades como São Paulo, Campinas, Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, e a estratégia é expandir a operação nacionalmente.

A empresa mira chegar a 50 oficinas próprias até o fim de 2027, o que deve permitir à Movida realizar internamente cerca de 60% da manutenção preventiva da frota, segundo o executivo.

Os Pit Stops são voltados a serviços rápidos, que representam cerca de 80% da manutenção, como troca de óleo, freios, pneus e manutenção preventiva. O atendimento leva, em média, cerca de 40 minutos, reduzindo o tempo em que os carros ficam fora da operação.

O ganho aparece ainda no atendimento. Segundo Moscatelli, o NPS (net promoter score) nas oficinas próprias chega a 95%, ante uma faixa de 55% a 60% nas terceirizadas. A Movida conta hoje com uma rede de quase 5 mil oficinas credenciadas no País.

A estratégia de verticalização se estende à preparação dos cerca de 7 mil a 8 mil carros que deixam a operação de aluguel todos os meses para serem vendidos como seminovos. A Movida opera quatro centros próprios e pretende chegar a dez até meados de 2027.

Neles, os veículos passam por serviços de pintura, mecânica, lavagem e polimento antes de chegar às lojas. A economia chega a quase 50% em relação ao serviço terceirizado, afirma o executivo.

Onda chinesa no radar

A presença crescente das montadoras chinesas no Brasil entrou no radar da Movida nas decisões sobre a composição da frota. A maior pressão, segundo Moscatelli, ocorre nos veículos entre R$ 150 mil e R$ 250 mil, mas a companhia começou a reduzir sua exposição a esse segmento cerca de dois anos antes.

“A nossa frota era praticamente só SUVs. A gente falou: ‘vamos baixar o preço médio da frota, vender os carros mais caros e comprar o carro mais barato’. Isso acabou calhando com essa chegada do chinês e ajudando muito”, afirma.

A locadora tem cerca de mil veículos de marcas chinesas. De acordo com o CEO, a maior parte é de híbridos da GWM, enquanto a companhia evita ampliar a exposição aos modelos totalmente elétricos.

“A gente entende que o carro elétrico ainda está em uma curva muito ascendente de desenvolvimento e tem uma questão de infraestrutura bastante crítica para ele se tornar realidade no Brasil. Então é um risco que a gente decidiu não tomar neste momento”, afirma Moscatelli.

Em relatório, o Citi destacou a menor exposição da companhia à concorrência chinesa: 84% da frota têm valor residual inferior a R$ 120 mil e 71%, abaixo de R$ 100 mil. Enquanto isso, os carros chineses novos das mesmas categorias são vendidos por preços 97% superiores.

“Esses fatores permitem à companhia alcançar segmentos mais baratos e de maior liquidez, precificar melhor seus produtos e evitar a concorrência direta com as novas montadoras chinesas”, diz Filipe Nielsen, analista do banco.

Na B3, a ação MOVI3 está em queda de 12,5% no ano. O valor de mercado da Movida é de R$ 3,6 bilhões.



Fonte: NeoFeed

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