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Brasil prepara leilão de baterias para destravar infraestrutura dos elétricos

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O Brasil está prestes a dar um passo decisivo para a expansão dos carros elétricos e eletrificados. Previsto para abril, o primeiro leilão nacional de sistemas de armazenamento de energia em grande escala pode se tornar o elo que falta entre o avanço das fontes renováveis e a eletrificação de frotas, da recarga rápida aos veículos pesados. E, como já ocorre em outras frentes da transição energética, a China larga em posição privilegiada.

A iniciativa surge em um momento crítico. Nos últimos anos, o crescimento acelerado da geração solar e eólica no país passou a esbarrar em um problema estrutural: o desperdício de energia por falta de demanda ou capacidade de escoamento. Em 2025, cerca de um quarto da geração solar e quase um quinto da eólica foram simplesmente cortados do sistema, segundo dados da BloombergNEF citados pela Bloomberg. Na prática, bilhões de reais em energia limpa deixaram de ser aproveitados.

É exatamente aí que entram as baterias estacionárias. Sistemas de armazenamento permitem absorver o excedente de geração renovável nos momentos de baixa demanda e devolvê-lo à rede nos horários de pico, estabilizando o sistema elétrico. Sem essa flexibilidade, a expansão de infraestruturas críticas para os veículos elétricos – como hubs de recarga rápida e a eletrificação de ônibus e caminhões – fica limitada.

O governo brasileiro espera contratar cerca de 2 GW em capacidade de armazenamento no leilão inaugural. As estimativas indicam que, até o fim da década, o país pode instalar mais de 1 GW por ano em baterias conectadas à rede. Para o setor automotivo elétrico, isso significa um salto qualitativo: menos risco de sobrecarga local, mais previsibilidade para investimentos em recarga de alta potência e maior segurança energética para frotas.



huawei bateria

Foto de: Huawei

Nesse cenário, empresas chinesas aparecem como favoritas naturais. Elas dominam praticamente toda a cadeia global de baterias, do refino de insumos à fabricação de células, módulos e sistemas completos. Além disso, já acumulam experiência em mercados que enfrentaram desafios semelhantes ao brasileiro, como a rápida integração de renováveis intermitentes em redes elétricas complexas.

Não por acaso, grupos chineses já fortemente presentes no setor elétrico nacional demonstraram interesse no leilão, seja como fornecedores de equipamentos, seja como integradores de sistemas. Entre eles está a Huawei, que vem expandindo sua atuação muito além das telecomunicações e hoje oferece soluções completas de armazenamento, conversão de energia e gerenciamento digital. A empresa já atua em projetos semelhantes em outros países da América Latina e mantém diálogo ativo com reguladores brasileiros.

O leilão, porém, não será um jogo de cartas marcadas. Empresas ocidentais também acompanham de perto o processo. A Tesla, por exemplo, participa das discussões regulatórias por meio de sua divisão de energia, enquanto a Petrobras avalia oportunidades de diversificação em armazenamento e estabilidade do sistema elétrico. Ainda assim, mesmo nesses casos, a expectativa é que boa parte dos equipamentos tenha origem chinesa.

Para a mobilidade elétrica, o impacto vai além da geração de energia. Um sistema elétrico mais flexível e resiliente é condição básica para escalar a recarga ultrarrápida, reduzir custos operacionais e viabilizar a eletrificação de veículos comerciais, hoje altamente dependentes de infraestrutura robusta. Em outras palavras: não existe frota elétrica em massa sem baterias também fora dos carros.



moura sistema de armazenamento com baterias (2)

Foto de: Moura

O primeiro leilão brasileiro de armazenamento, portanto, não é apenas uma política energética. Ele ajuda a definir quem controlará a espinha dorsal da transição elétrica no país — e, indiretamente, quem terá vantagem na corrida pelos carros elétricos, ônibus e caminhões do futuro. A disputa acontece longe das concessionárias, mas seus efeitos chegarão direto às ruas.

Fonte: Bloomberg via Infomoney

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Fonte: UOL

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