A BlackRock se prepara para fazer um movimento que demonstra a tração que o mercado de ETFs está ganhando no Brasil. A gestora, que tem mais de US$ 15 trilhões de ativos sob gestão globalmente, planeja lançar, ainda este ano, ETFs de renda fixa no País.
A informação foi confirmada por Bruno Barino, country manager da BlackRock no Brasil, em entrevista ao Café com Investidor, programa que é uma parceria entre o NeoFeed e a CNN Brasil, exibido quinzenalmente no CNN Money (a entrevista começa a partir de 7m17s).
“O Brasil é um país de renda fixa e acredito que vai continuar com esse paradigma por um bom tempo”, disse Barino. “Fazer um ETF de renda fixa é uma questão de você ter o custo certo. Não tem muito mistério sobre qual você vai lançar: há os de inflação, os pós-fixados e os pré-fixados.”
Uma das pioneiras em ETFs no mercado brasileiro, a BlackRock só agora está vendo essa classe de ativos decolar. Em 2024, os fundos de índice tinham quase R$ 50 bilhões sob gestão. Um ano depois, saltaram para R$ 90 bilhões. Atualmente, estão em R$ 135 bilhões, de acordo com dados da Elos Ayta.
Trata-se de um percentual pequeno de toda a indústria de fundos do mercado brasileiro, mas que tem crescido de forma acelerada. “O ETF demorou (no Brasil) mais do que em outros países para chegar onde chegou. Mas chegou. O Brasil ainda está no início dessa jornada”, afirmou Barino.
Os ETFs de renda fixa são os que mais crescem no Brasil. Um levantamento da Elos Ayta, feito a pedido do NeoFeed, mostrou que dos R$ 135 bilhões sob gestão, eles representam R$ 63 bilhões, quase 50% do total. No começo de 2025, a fatia era inferior a 20%.
A entrada em ETFs de renda fixa torna-se mais importante não só pelo potencial de atrair mais capital, como também no que Barino acredita ser a próxima etapa dessa classe de ativos do mercado brasileiro: as carteiras modelo (model portfolios).
Esse tipo de estratégia une ETFs de renda fixa com variáveis. Em vez de alocar ativo por ativo, o investidor adquire uma carteira montada para o seu perfil de risco ou tese, em que os ETFs funcionam como os “ingredientes” de construção do portfólio.
“Hoje, mais de 50% dos ETFs nos Estados Unidos são vendidos via carteiras modelo”, afirmou Barino. “O que a gente vê que vai ser a segunda pernada de crescimento vai ser quando os modelos de negócio começarem efetivamente a montar portfólios com esses ingredientes.”
Nesta entrevista, que você assiste no vídeo acima, Barino fala ainda que o Brasil possui condições para atrair capital de investimentos em inteligência artificial devido à disponibilidade de terras, localização geográfica e matriz de energia renovável.
O segmento abrange a construção de data centers, infraestrutura de transmissão, geração de energia e desenvolvimento de aplicações. A atração de aportes internacionais depende da criação de arcabouço regulatório, incentivos fiscais e estabilidade de regras.









