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A Voltz, fintech da Energisa, busca expandir sua atuação para outras empresas de utilities, aproveitando a expertise adquirida nos últimos cinco anos.
Originalmente criada para bancarizar consumidores de baixa renda, a fintech agora planeja oferecer infraestrutura financeira e tecnológica, além de modelagem e precificação de crédito para utilities menores. A Voltz já está em conversas com potenciais clientes e acredita estar pronta para atuar em um mercado emergente.
Em 2023, a fintech reestruturou suas operações, focando em crédito e serviços financeiros, e registrou um crescimento significativo em receita e Ebitda. A empresa atende 2,7 milhões de clientes da Energisa mensalmente e vê oportunidades de expansão, especialmente no seguro prestamista e na antecipação de recebíveis.
Além disso, está ampliando sua infraestrutura de arrecadação para outras empresas do grupo. Martinelli destaca que a Voltz tem um diferencial na análise de crédito, atendendo consumidores tradicionalmente mal avaliados.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Voltz decidiu abrir o portão e conhecer as oportunidades fora de casa. A fintech quer transformar a expertise construída nos últimos cinco anos dentro do grupo Energisa em uma nova frente de crescimento.
Criada originalmente para bancarizar consumidores de baixa renda por meio de uma conta digital, a empresa se prepara para oferecer o know-how adquirido a outras empresas de utilities, deixando de ser apenas uma estrutura financeira voltada ao ecossistema da Energisa.
“A provocação do grupo foi: a gente está fazendo isso tão bem dentro de casa, vamos levar para fora”, afirma Thiago Martinelli, diretor-presidente da Voltz, ao NeoFeed. “A proposta de ir para fora é pensar na pertinência do crescimento da empresa.”
O plano é oferecer infraestrutura financeira e tecnológica e, principalmente, a capacidade de modelar e precificar crédito que desenvolveu para utilities médias e menores. Não está prevista a oferta de financiamento aos clientes dessas empresas com recursos da fintech.
A tese é que uma operação interna de crédito e antecipação de recebíveis pode gerar mais margem do que simplesmente contratar bancos ou fintechs terceiras, além de melhorar a arrecadação.
“Quando você tem um produto interno e opera com um capital de giro através de um FIDC ou um capital estruturado próprio, a margem fica toda em casa”, diz Martinelli.
Com esse argumento, a empresa está há cerca de quatro meses em conversas com potenciais clientes e já considera que está pronta para atuar em um mercado nascente, no qual a CPFL começa a atuar, diante da experiência que adquiriu nos últimos seis anos.
A Voltz surgiu em 2020, em meio à onda de criação de fintechs, para bancarizar a população nas áreas de suas distribuidoras — a companhia conta com 11 distribuidoras, em Estados como Minas Gerais, Paraíba e Sergipe, com forte atuação fora dos grandes centros.
Em 2023, a fintech passou por uma reestruturação, encerrando a operação de conta digital para se concentrar em crédito e serviços financeiros ligados ao ecossistema da Energisa.
A fintech tem hoje quatro principais frentes. Para pessoas físicas, oferece parcelamento de contas de energia e o seguro prestamista, que cobre algumas faturas em caso de imprevistos, como perda de emprego.
Para pessoas jurídicas, atua na antecipação de recebíveis de fornecedores da Energisa e no financiamento de capital de giro para empresas contratadas para executar obras de expansão da rede.
A Voltz já apresenta resultados para a Energisa, ainda que represente uma fração dos resultados da companhia, um dos principais nomes do setor elétrico, com valor de mercado de R$ 25,1 bilhões.
No primeiro semestre, a fintech registrou receita de R$ 26 milhões, alta de 54% em relação ao mesmo período do ano passado — a receita líquida ajustada da Energisa foi de R$ 14,6 bilhões. O Ebitda da Voltz cresceu 141%, na mesma base de comparação, para R$ 11 milhões, resultando em um retorno sobre o patrimônio (ROE) de 36% nos últimos 12 meses.
Martinelli destaca que um dos diferenciais da Voltz está justamente na capacidade de analisar clientes que tradicionalmente são mal avaliados pelos modelos convencionais de crédito, ao levar em conta não apenas informações dos birôs de crédito, mas também o comportamento do consumidor na relação com a utility.
Cerca de 70% dos consumidores para os quais a Voltz parcela contas de energia estão negativados no mercado. Ainda assim, a fintech afirma ter uma perda sobre a carteira inferior a 2%.
“Nós aprendemos a modelar e ofertar crédito para quem precisa e, muitas vezes, não tem acesso a ele no mercado. Esse é o modelo de negócio que temos discutido para implementar em outras utilities”, diz Martinelli.
Crescimento em casa
Além da estratégia de expansão externa, Martinelli vê espaço significativo para crescimento dentro do próprio grupo.
A fintech atende atualmente cerca de 2,7 milhões de clientes da Energisa por mês, considerando pessoas físicas e jurídicas, e aproximadamente 30% da arrecadação das contas de energia do grupo passa pela plataforma. A Voltz opera sua própria estrutura de funding, inclusive por meio de FIDC – cujo tamanho não foi revelado.
Uma das oportunidades de expansão está no seguro prestamista. O serviço tem cerca de 270 mil clientes, diante de uma base de aproximadamente 9 milhões de consumidores da Energisa. Considerando referências de mercado de até 40% de penetração, o executivo vê um universo potencial de quase 5 milhões de clientes.
No segmento corporativo, a Voltz vê espaço para avançar na antecipação de recebíveis, cujo volume passou de R$ 22 milhões em 2020 para R$ 1,6 bilhão em 2025.
Um dos projetos é o financiamento de obras relacionadas à geração distribuída. Em fase piloto, a proposta é financiar investimentos que uma empresa precisa fazer para adaptar sua infraestrutura e migrar para uma solução de geração de energia que reduza sua conta mensal, diluindo o custo da obra ao longo do contrato.
A fintech também está ampliando a infraestrutura de arrecadação para outras empresas do grupo Energisa. O próximo movimento envolve a oferta de Pix para a ES Gás, distribuidora de gás do Espírito Santo.
Com a oferta de serviços a terceiros e as oportunidades de expansão dentro da base da Energisa, a tendência é que a Voltz ganhe espaço dentro do grupo.
Martinelli não revela projeções de receita para os próximos cinco ou dez anos, uma vez que não pode divulgar guidance, mas afirma que o planejamento é “bem ambicioso” e que os números projetados estão muito distantes do patamar atual. “Factível, mas bem ambicioso”, afirma.








