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Ao estilo Trump, Milei lança “passaporte dourado” para arrecadar US$ 2,5 bilhões


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O governo de Javier Milei anunciou um programa que permite a estrangeiros adquirirem a cidadania argentina mediante pagamento de US$ 350 mil ao Tesouro ou US$ 800 mil em títulos públicos.

A iniciativa, que deve gerar cerca de US$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos, visa ampliar as fontes de financiamento do país, que enfrenta uma agenda de pagamentos externos significativa.

Milei segue os passos de seu aliado Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que anunciou o “gold card” em setembro do ano passado.

A medida também inclui custos adicionais para cônjuges e filhos. O governo argentino busca reconstruir a confiança dos investidores após anos de crises econômicas, e a nova política de cidadania é parte de uma estratégia mais ampla de ajuste fiscal e desregulamentação.

Candidatos passarão por uma avaliação rigorosa para garantir a segurança nacional e a integridade do sistema financeiro.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O governo de Javier Milei anunciou nesta sexta-feira, 2 de outubro, um programa que vai permitir que estrangeiros “comprem” a cidadania argentina. A medida prevê o acesso mediante pagamento de US$ 350 mil ao Tesouro, sem direito a reembolso, ou a compra de um título público de US$ 800 mil.

A iniciativa argentina, que deve entrar em vigor no quarto trimestre deste ano, deve garantir aos cofres do país cerca de US$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos.

A estratégia coloca a Argentina em uma trilha que ganhou visibilidade internacional depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criou o chamado gold card, um programa de visto americano destinado a estrangeiros de alta renda. Milei é aliado de Trump.

No caso americano, a iniciativa foi anunciada em setembro do ano passado e as inscrições foram abertas em dezembro. O programa estabelece uma contribuição de US$ 1 milhão por pessoa, além de uma taxa de processamento de US$ 15 mil.

Na Argentina, o desenho é um pouco diferente. O estrangeiro não precisa comprovar previamente dois anos de residência se optar pela rota de investimento. O governo poderá conceder a cidadania a quem cumprir os critérios definidos para o programa e passar pela avaliação de segurança e de origem dos recursos.

“Hoje a Argentina abre seus braços para os muitos cidadãos do mundo que desejam investir, desenvolver e aprofundar nosso caminho”, disse o ministro do Interior Diego Santilli, segundo o Financial Times (FT), ao anunciar o programa em um evento de investimentos argentinos em Paris.

Por trás da possibilidade de ampliar o volume de estrangeiros no país a partir da conquista da cidadania argentina está uma questão fundamental para o governo Milei, que é a financeira.

A Argentina, que ainda precisa lidar com uma expressiva agenda de pagamentos externos, busca neste momento ampliar suas fontes de financiamento, especialmente em dólares. Segundo FT, o país tem cerca de US$ 29 bilhões em pagamentos de dívida previstos até o fim de 2027.

Os US$ 2,5 bilhões previstos até 2031 representariam, no entanto, menos de 10% do volume que o país precisaria, mas, de qualquer forma, poderia significar um indicativo importante de recuperação de receita.

Na prática, a Casa Rosada vem tentando reconstruir a confiança dos investidores depois de anos de inflação elevada, controles cambiais e crises recorrentes de dívida. A estratégia de Milei combina ajuste fiscal, desregulamentação e incentivos à entrada de capital estrangeiro.

E, gradativamente, a medida começa a trazer algum efeito. Uma das iniciativas recentes de Milei foi justamente na direção contrária do Brasil. Enquanto o governo Lula discute a redução da escala 6 por 1, para 40 horas semanas, a gestão argentina aprovou um teto de 48 horas semanais, com jornada de até 12 horas.

Em junho, o NeoFeed revelou que a fabricante de produtos esportivos Penalty pretende voltar para o mercado argentino a partir do ano que vem, incentivado principalmente pela reforma trabalhista de Milei. O país já representou 10% da receita da companhia.

Em maio de 2025, o governo Milei alterou a lei de cidadania, que passou a prever a possibilidade de naturalização de estrangeiros que realizassem investimentos expressivos no país, independentemente do tempo de residência. A gestão também criou a agência de programas de cidadania por investimento, responsável pelo funcionamento do mecanismo.

A conta para os estrangeiros pode aumentar de acordo com o número de integrantes da família. Cônjuges e filhos entre 18 e 25 anos, desde que solteiros e sem filhos, poderão solicitar a cidadania mediante contribuição adicional de US$ 100 mil. Para menores de 18 anos, o valor será de US$ 25 mil.

Assim, uma família formada pelo investidor principal, seu cônjuge e dois filhos menores poderia entrar no programa por uma contribuição total de US$ 500 mil ao Tesouro argentino.

A alternativa de US$ 800 mil, por outro lado, envolve um título público criado especificamente para o programa. Segundo o governo argentino, o título terá prazo de sete anos e estrutura sem pagamento periódico de juros.

Para Armand Arton, diretor executivo da Arton Capital, uma das consultorias que assessora a Casa Rosada na operação, a Argentina, cujo passaporte permite viagens sem visto para mais de 160 países (incluindo os Estados Unidos), seria mais atraente do que muitos outros países que oferecem opções de cidadania imediata.

“Ter um país do G20 com a dimensão e as oportunidades que representa é uma proposta muito diferente do que se encontra no mercado”, afirmou, também ao FT.

O Ministério da Economia argentino afirmou que os candidatos serão submetidos a uma “avaliação rigorosa destinada a preservar a segurança nacional, a integridade do sistema financeiro e o prestígio internacional da cidadania argentina”.



Fonte: NeoFeed

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