A Allos tem condições de acelerar seus investimentos em shopping centers, mas os juros elevados estão mantendo boa parte dos projetos na gaveta. A companhia, que administra mais de 50 empreendimentos no Brasil, poderia estar executando entre 15 e 20 expansões e transformações em seu portfólio atual.
Mas, na prática, apenas cinco iniciativas desse tipo estão em andamento. Em entrevista ao Call de Negócios, uma parceria entre o NeoFeed e a CNN Brasil, exibido na CNN Money, o CEO Rafael Sales ratificou a sua cautela diante das incertezas sobre a economia brasileira.
“Costumo dizer que, no nosso negócio, colocamos um caminhão de dinheiro e vamos tirando de colherinha, porque a gente vai recebendo aluguel aos pouquinhos, bem devagarzinho”, disse Sales.
Segundo o CEO, a estratégia de crescimento não mudou, mas depende de condições macroeconômicas mais favoráveis. “Assim que tiver um cenário melhor, tanto de juros quanto de menor volatilidade macroeconômica, a gente pode acelerar esses projetos”, afirmou.
Mesmo em meio a um cenário desafiador, a Allos segue crescendo. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou receita líquida de R$ 732,3 milhões, alta de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, desconsiderando o ajuste de aluguel linear. O Ebitda ajustado, na mesma base, avançou 10,5%, para R$ 525,4 milhões. Além disso, a companhia encerrou junho com alavancagem de 1,7 vez.
O resultado é fruto de uma diversificação que não começou agora. Segundo Sales, o objetivo é que a Allos, cada vez mais, deixe de ser vista como uma administradora de shopping centers e passe a ser reconhecida como uma plataforma de negócios, reduzindo a dependência dos aluguéis.
“Somos uma plataforma de consumo, uma plataforma de mídia, de conexão, de audiência, em que a gente consegue conectar as marcas e os negócios com os nossos clientes”, afirmou.
Uma das frentes dessa transformação é o desenvolvimento imobiliário no entorno dos shopping centers. A companhia tem potencial construtivo de cerca de 7 milhões de metros quadrados, dos quais aproximadamente 1 milhão já está em diferentes etapas de desenvolvimento, aprovação ou lançamento.
A ideia é aproveitar terrenos e áreas disponíveis para construir edifícios residenciais, escritórios, hotéis, centros médicos e hospitais. Além de abrir novas oportunidades de receita, esses projetos buscam aumentar a circulação de pessoas e fortalecer a atividade comercial dos próprios shoppings.
Outra aposta é a empresa de mídia helloo. No segundo trimestre, a receita da operação cresceu 84,5% em relação ao mesmo período do ano anterior e passou a representar 10,6% da receita total da companhia. O avanço foi impulsionado por ações relacionadas à Copa do Mundo e pela ampliação da presença em aeroportos.
A parceria com a Kinea para estruturar um fundo imobiliário dedicado a shopping centers e outra iniciativa, com possibilidade de captação de até R$ 2 bilhões. A operação, porém, ainda depende de etapas regulatórias e das condições de mercado.
Enquanto aguarda condições mais favoráveis para acelerar os investimentos, a Allos mantém o foco na geração de caixa e na remuneração dos acionistas. Em 2026, a companhia anunciou cerca de R$ 1,2 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio.









