Senhas bancárias, transações financeiras, mensagens, documentos empresariais e ativos digitais são protegidos por sistemas de criptografia desenvolvidos para resistir à capacidade de processamento dos computadores atuais.
A chegada de computadores quânticos suficientemente potentes poderá romper parte dessa proteção. “Quando essa tecnologia conseguir operar em um ambiente mais popularizado, ela vai gerar um crash no modelo de criptografia que temos”, afirmou Alberto Leite, fundador do Grupo FS, em entrevista ao NeoFeed durante o NeoSummit IA na Real.
O risco ainda não é imediato. Os computadores quânticos disponíveis são experimentais, instáveis e incapazes de quebrar os principais sistemas criptográficos em uso.
O problema, segundo Leite, é que essa mesma limitação impede as companhias de testarem em escala as vulnerabilidades e as defesas necessárias.
“Sabemos muito sobre a teoria e acompanhamos experimentos feitos por big techs americanas e chinesas, mas ninguém conseguiu ver essa tecnologia funcionando de maneira estável”, disse ele.
“Isso não permite que as empresas testem as vulnerabilidades e criem produtos de proteção”, complementou o fundador do Grupo FS.
Apesar de não haver uma data para a chegada de um computador quântico capaz de ameaçar os sistemas atuais, a corrida para atualizar a criptografia já começou.
A preocupação não se limita ao momento em que os computadores quânticos se tornarem comercialmente viáveis. Criminosos podem capturar hoje informações protegidas e armazená-las para tentar decifrá-las no futuro, estratégia conhecida como harvest now, decrypt later — ou, em uma tradução livre, “coletar agora para descriptografar depois”.
Esse risco é maior para dados que precisam permanecer confidenciais durante muitos anos, como informações financeiras, registros médicos, propriedade intelectual e documentos de governos e empresas.
Para Leite, o desafio das companhias será identificar o momento de fazer a transição sem esperar que a ameaça se torne concreta. A tecnologia quântica poderá enfraquecer métodos hoje utilizados para autenticar usuários, proteger comunicações e validar operações digitais. Em contrapartida, novos padrões resistentes a ataques quânticos já estão sendo desenvolvidos.
“A notícia boa é que os seres humanos também são capazes de criar defesas quânticas. As empresas terão de perceber essa mudança, tomar as decisões e implementar as tecnologias no momento certo para não ficarem para trás”, afirmou.
Segunda opinião contra golpes
Para os consumidores, o Grupo FS desenvolveu a Eva, agente de inteligência artificial acessível pelo WhatsApp que funciona como uma segunda opinião diante de mensagens ou ofertas suspeitas.
O usuário pode enviar à ferramenta um link, uma mensagem, um boleto, um QR Code ou a imagem de um site. A Eva analisa o material, faz perguntas sobre o contexto e indica a probabilidade de fraude. O serviço, por enquanto, é gratuito.
A ferramenta não elimina cuidados tradicionais. Diante de uma mensagem atribuída a um familiar, por exemplo, Leite recomenda fazer uma pergunta cuja resposta não esteja disponível em cadastros, redes sociais ou bancos de dados vazados.
É uma camada adicional de proteção para uma ameaça que já ganhou escala com a inteligência artificial. No horizonte, a computação quântica amplia o desafio e obriga as empresas a reverem a própria base tecnológica sobre a qual a segurança digital foi construída.
“A IA pode criar um exército de criminosos e deixar todos mais expostos do que há dez anos”, afirmou Leite. “Para combater a proliferação de golpes, malwares e ataques cibernéticos, teremos de usar a própria inteligência artificial.”








