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A Dasa quer “uma dose” do mercado de R$ 18 bilhões das canetas emagrecedoras


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A Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil, enxergou o avanço do uso das canetas emagrecedoras como uma oportunidade de crescimento. Atualmente, seis milhões de brasileiros utilizam as canetas, representando quase 3% da população, com previsão de crescimento para 15 milhões até 2030. O mercado deve chegar a R$ 18 bilhões em 2026.

Para capturar parte deste mercado, a empresa criou uma unidade de negócios focada em obesidade e condições cardiometabólicas, oferecendo um “pacote GLP-1” com exames laboratoriais variados.

A empresa realiza 450 milhões de exames anualmente e busca atender a demanda crescente por saúde e emagrecimento. A Dasa também planeja intensificar a comunicação com médicos para promover esses novos exames.

Apesar de a unidade ser recente, a expectativa de crescimento é positiva, com um aumento significativo nas vendas. A alta de dois dígitos por mês.

A Dasa reportou receita bruta de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre, com a área de diagnósticos crescendo 9%. A companhia tem valor de mercado de R$ 3,6 bilhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A popularização das canetas emagrecedoras abriu uma avenida de crescimento que começa nas farmacêuticas, atravessa as redes de drogarias e já chegou aos laboratórios de medicina diagnóstica.

A Dasa decidiu ocupar esse espaço com a criação de uma frente dedicada à obesidade e às condições cardiometabólicas. A companhia reuniu exames laboratoriais, de imagem e genômicos em pacotes voltados tanto a quem utiliza medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro quanto a pacientes que ainda não iniciaram o tratamento.

“Hoje, a Dasa realiza mais de 450 milhões de exames por ano. Isso nos permite acompanhar melhor essas mudanças nas necessidades da população. Foi o que nos levou a reunir análises clínicas, imagem e genômica em uma frente única, voltada à avaliação da obesidade, do diabetes e das doenças cardiovasculares”, diz Rafael Lucchesi, CEO da Dasa, ao NeoFeed.

A aposta tem como ponto de partida um mercado de 6 milhões de usuários no Brasil, o equivalente a quase 3% da população. E esse contingente tende a crescer com a chegada de novos fabricantes e de medicamentos mais baratos após o fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, no País.

A Anvisa aprovou em 2026 uma série de novas canetas para o tratamento de diabetes e obesidade, ampliando a competição com a Novo Nordisk e a Eli Lilly. Em julho, a agência anunciou de uma só vez o registro de cinco novas marcas de semaglutida. Em setembro, autorizou também versões genéricas das canetas produzidas pela EMS. A farmacêutica foi a primeira a lançar um medicamento nacional, o Ozivy.

O Itaú BBA estima que o mercado brasileiro de medicamentos contra a obesidade poderá movimentar R$ 50 bilhões em 2030, com aproximadamente 15 milhões de usuários. Apenas neste ano, as vendas nas farmácias devem alcançar R$ 18 bilhões.

A Dasa quer capturar uma parcela dos gastos que vêm a reboque das canetas. Seu “pacote GLP-1” inclui desde avaliações do fígado, colesterol, glicemia e composição corporal até densitometria óssea e testes genéticos capazes de investigar fatores relacionados à obesidade.

Os pacotes estão disponíveis nas diferentes marcas da companhia, das bandeiras de maior alcance, como Delboni e Lavoisier, à operação premium da Alta Diagnósticos. Os preços partem de aproximadamente R$ 200 e podem superar R$ 2 mil, a depender da quantidade e da sofisticação dos exames.

Na opção mais barata, o desembolso pode representar uma fração do valor gasto mensalmente pelo paciente com um medicamento à base de tirzepatida, fabricado pela americana Eli Lilly.

Boa parte desses exames já fazia parte do portfólio da Dasa. A mudança foi agrupá-los em jornadas específicas e apresentá-los como uma solução destinada ao acompanhamento da obesidade, do diabetes e das doenças cardiovasculares.

“Medicina diagnóstica tem perspectiva de crescimento por vários fatores, incluindo o envelhecimento populacional, as novas tecnologias e a maior preocupação com a saúde. Isso conversa muito com esse novo momento de avanço das canetas”, afirma Leonardo Vedolin, vice-presidente médico da Dasa.

A velocidade da expansão dos análogos de GLP-1 levou a companhia a dar um tratamento separado ao tema. Há pouco mais de um ano, Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, dominavam essa categoria nas farmácias brasileiras. Desde então, novos medicamentos e fabricantes ampliaram a oferta e começaram a pressionar os preços.

Para a Dasa, a mudança criou uma avenida específica de receita. “Lançamos produtos e serviços voltados para um público que está crescendo. Por isso, enxergamos a necessidade de empacotar esses modelos”, afirma Vedolin.

A companhia não está sozinha nessa corrida. O Sabin oferece em sua loja virtual uma categoria de exames denominada “Monitoramento de Emagrecimento”, além de um produto chamado “Perfil Genético GLP-1”. A oferta mostra que a demanda criada pelas canetas começa a provocar movimentos semelhantes entre os grandes grupos de medicina diagnóstica.

Leonardo Vedolin, vice-presidente médico da Dasa

A diferença buscada pela Dasa está na escala e na integração. A companhia atende 44 milhões de pacientes por ano e pretende conectar análises clínicas, exames de imagem, avaliações de composição corporal e genômica dentro da mesma frente.

Além de reorganizar o portfólio existente, a Dasa tem uma área de pesquisa e desenvolvimento voltada à criação de novos exames. Somente nos últimos 12 meses, segundo a companhia, foram lançados cerca de 100 produtos em diferentes especialidades.

De acordo com Natália Gonçalves, superintendente de pesquisa e desenvolvimento da Dasa, os novos check-ups também se destinam a pacientes diagnosticados com obesidade ou outras condições cardiometabólicas que ainda não utilizam medicamentos emagrecedores.

Demanda que vai além das canetas

O público potencial é maior do que o universo atual de usuários de GLP-1. A obesidade entre adultos brasileiros avançou 118% entre 2006 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. As vendas de medicamentos voltados ao controle de peso, por sua vez, cresceram quase 80% entre 2021 e 2025.

Transformar essa demanda em receita exigirá um trabalho semelhante ao realizado pela indústria farmacêutica. A Dasa pretende intensificar as visitas a médicos para apresentar os novos pacotes e estimular a inclusão dos exames na jornada de acompanhamento dos pacientes.

A própria criação da frente surgiu, segundo Vedolin, das consultas feitas por médicos e pacientes sobre quais análises deveriam ser realizadas antes e durante o uso dos medicamentos.

Alguns produtos, como o “check-up peso e metabolismo saudável”, começaram a ser comercializados em junho. A maior parte dos pacotes é composta por exames de sangue e está disponível apenas para compra particular. Por enquanto, não há previsão de incorporação pelas operadoras de saúde.

Como a frente é recente, a Dasa ainda não divulga faturamento ou volume de exames. Vedolin afirma, no entanto, que a demanda mensal vem registrando crescimento de dois dígitos e que, em algumas modalidades, o número de pedidos dobrou.

Segundo o executivo, de tudo o que é mapeado pela área de pesquisa da companhia, aproximadamente 35% se transforma efetivamente em lançamento.

Novos produtos estão em desenvolvimento e devem chegar ao mercado ainda em 2026. “Não vamos parar de mapear testes e exames que precisarão compor essa jornada”, afirma Gonçalves. “É um movimento perene e uma mudança comportamental que já impacta a economia. O uso de GLP-1 não é algo temporário.”

A Dasa trabalha com um horizonte mínimo de um ano para avaliar a maturação da nova frente. No curto prazo, a contribuição para a receita deve permanecer em um dígito baixo, sem uma meta pública definida.

“Ainda é pequeno perto dos 40 milhões de exames que fazemos por mês. Mas os resultados iniciais são muito representativos”, afirma Vedolin.

A nova aposta chega em um momento no qual a medicina diagnóstica vem ganhando peso nos resultados da companhia. No segundo trimestre, a Dasa reportou receita bruta de R$ 2,4 bilhões, queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025. A unidade de diagnósticos, entretanto, cresceu 9%.

O Ebitda consolidado alcançou R$ 446 milhões, avanço de 53% na comparação anual. A companhia está presente em 14 estados e reúne 40 marcas de laboratórios e centros médicos.

Em 2026, as ações DASA3 acumulam queda de 35,9% na B3. Em 12 meses, porém, registram valorização de 111%. A empresa está avaliada em aproximadamente R$ 3,6 bilhões.



Fonte: NeoFeed

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