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A bolsa está barata? BlackRock investe em 13 empresas brasileiras desde setembro


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A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, aumentou sua participação em 13 companhias listadas na B3, com o valor agregado dessa carteira somando R$ 40,6 bilhões.

As participações incluem empresas de diversos setores, como varejo e infraestrutura, e refletem uma estratégia de investimento em um momento de valorização da Bolsa brasileira, impulsionada por expectativas de queda na Selic.

A BlackRock já demonstrava otimismo em relação ao Brasil, considerando-o uma oportunidade clara de compra.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

No momento em que a Bolsa brasileira começa a refletir uma mudança nas expectativas sobre os cenários político e econômico, a BlackRock aproveita o que considera uma “pechincha” e amplia sua participação em uma série de companhias listadas na B3.

A maior gestora de recursos do mundo, com US$ 15,5 trilhões em ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês), um recorde histórico, declarou participações relevantes em 13 companhias listadas na B3 entre 9 de setembro e 13 de outubro ou atualizou posições que já mantinha.

A lista de empresas vai do varejo à infraestrutura, passando pelo setor químico. São elas (em ordem alfabética): ABC Brasil, Allos, Axia, Azzas, B3, Banrisul, Bradesco, Direcional, Equatorial, Iguatemi, Totvs, Unipar e Usiminas.

Considerando as cotações de 13 de outubro, as participações da BlackRock nessas empresas somavam cerca de R$ 40,6 bilhões, segundo levantamento feito pelo NeoFeed com base nos documentos.

O valor não representa quanto a gestora desembolsou para montar essas posições, mas oferece uma fotografia de sua exposição a empresas brasileiras em um período de forte valorização da Bolsa, diante das expectativas de que uma eventual vitória da oposição possa abrir espaço para uma queda maior da Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Deste grupo, o levantamento aponta Bradesco e B3 como as maiores posições. Os 562,3 milhões de papéis preferenciais do banco somavam aproximadamente R$ 12 bilhões no fechamento de 13 de outubro, equivalendo a 10,04% desses papéis. A instituição financeira da Cidade de Deus vem recuperando a confiança do mercado, impulsionada pelos resultados do plano step by step, conduzido por Marcelo Noronha.

Já os 508,4 milhões de ações ordinárias da operadora da bolsa de valores do País valiam cerca de R$ 11,6 bilhões, o equivalente a 10,07% dos ativos. Muitos analistas apontam a companhia como uma das principais beneficiárias do alívio monetário esperado. A lista inclui ainda nomes como Totvs, Usiminas, Banrisul e ABC Brasil.

A sequência de comunicados da BlackRock ocorreu em um período de valorização das ações locais. Em setembro, o Ibovespa subiu 5,03%, para 186.340 pontos, com o apoio do fluxo de investidores estrangeiros. Até 28 de setembro, o saldo líquido de capital externo na Bolsa estava positivo em R$ 9,6 bilhões.

O movimento ganhou força após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a composição do Congresso apontou para um Parlamento mais à direita.

Na sessão seguinte, em 5 de outubro, o Ibovespa avançou 7,7%, para 206.912 pontos, enquanto o mercado registrou uma entrada de aproximadamente R$ 10,6 bilhões de investidores estrangeiros.

De 9 de setembro a 13 de outubro, o Ibovespa acumulou alta de aproximadamente 11,5%, chegando a 206.887,52 pontos, e subiu 28,4% no ano. O valor de mercado conjunto das companhias listadas na Bolsa passou de R$ 5,1 trilhões para R$ 5,7 trilhões no período, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, destaca que o salto no valor de mercado das empresas listadas na B3 após o primeiro turno foi um movimento fora da curva, que não estava totalmente precificado pelos investidores. “Acredito que o mercado estava precificando algo mais moderado”, afirma o especialista.

Para João Vitor Araújo Saccardo, head de renda variável da Convexa Investimentos, os movimentos da BlackRock começaram antes do primeiro turno, indicando que a gestora pode ter se antecipado a uma melhora das expectativas para o País e à entrada de capital estrangeiro.

“Eram empresas em que já tinham participação e só aumentaram, olhando para o cenário eleitoral. É uma forma de a BlackRock comprar mercado emergente, pensando na continuidade da queda da Selic. E eles aumentaram essas posições num momento bom, quando esses papéis estavam um pouco mais deprimidos”, afirma Saccardo.

A BlackRock já vinha demonstrando otimismo em relação à Bolsa brasileira. Em passagem pelo Brasil no mês passado, quando participou do J. Safra Investment Conference, Samuel Vecht, gestor de portfólio de mercados emergentes da BlackRock, afirmou que o País oferece boas oportunidades de investimento e que a Bolsa brasileira pode se beneficiar de uma mudança relativamente pequena no cenário de juros.

Essa avaliação coincide com a ampliação da participação da BlackRock em Iguatemi, Allos e Azzas 2154. No caso da dona das marcas Reserva e Arezzo, a participação ultrapassou 5%, mesmo com os papéis acumulando queda de quase 4% no ano. Além do cenário macroeconômico, as ações também foram pressionadas pela disputa societária entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy.

Para Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, a BlackRock pode estar de olho em uma retomada da companhia. “Existe uma tese de recuperação de valor, especialmente se a reorganização societária permitir maior foco, eficiência e rentabilidade das marcas”, diz.

Tozzi ressalta, porém, que a BlackRock também administra ETFs, o que significa que o aumento da participação na Azzas 2154, assim como em Iguatemi e Allos, não representa necessariamente uma aposta ativa e individual em cada empresa. A mesma ressalva vale para outras ações da carteira.

“Esses movimentos não representam necessariamente uma decisão ativa sobre cada empresa”, afirma. “Não interpretaria isso como uma aposta indiscriminada no varejo brasileiro, mas como um movimento que pode refletir interesse por empresas com ativos sólidos, capacidade de geração de caixa e oportunidades específicas de valorização.”

Procurada pelo NeoFeed, a BlackRock informou que não comentaria o assunto.



Fonte: NeoFeed

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