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A inteligência artificial (IA) está avançando na matemática, levantando preocupações sobre a segurança dos sistemas de criptografia que protegem dados financeiros e informações confidenciais.
A capacidade crescente da IA de resolver problemas matemáticos complexos pode comprometer métodos de proteção digital, levando órgãos reguladores, como a Financial Conduct Authority (FCA) do Reino Unido, a alertar empresas sobre a necessidade de revisar suas estratégias de segurança.
A OpenAI, ao divulgar soluções para problemas matemáticos, intensificou o debate sobre o impacto da IA na segurança cibernética.
Embora a IA ainda não tenha quebrado os principais métodos de criptografia, já está influenciando a correção de vulnerabilidades em linguagens de programação.
A computação quântica também representa um risco, pois pode superar sistemas tradicionais de criptografia.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A inteligência artificial (IA) está avançando sobre as fronteiras da matemática. E, com isso, começa a colocar em dúvida a segurança dos sistemas de criptografia que protegem desde contas bancárias até informações confidenciais de empresas e governos.
O temor é que a capacidade crescente dos modelos de IA de solucionar problemas matemáticos considerados extremamente difíceis acabe comprometendo os métodos utilizados atualmente para proteger dados digitais, obrigando instituições financeiras e empresas de tecnologia a rever suas estratégias de segurança.
Esse cenário tem levado órgãos reguladores, como a Financial Conduct Authority (FCA), autoridade responsável pela supervisão do mercado financeiro do Reino Unido, a alertar as empresas sobre a necessidade de revisar seus métodos de criptografia, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times (FT).
A preocupação ganhou força depois que a OpenAI, criadora do ChatGPT, começou a divulgar, no início de outubro, centenas de trabalhos matemáticos, alguns com soluções para problemas antigos. Segundo a companhia, os resultados foram obtidos com a ajuda de seus modelos de IA.
A iniciativa provocou uma reação da Association for Human Mathematics, organização criada para proteger a matemática do que considera uma ameaça representada pela IA. O grupo criticou a OpenAI e pediu que pesquisadores deixassem de colaborar com a empresa.
Mas o caso vai além da disputa sobre o papel da tecnologia na pesquisa científica. Os avanços levantam uma questão mais preocupante: até que ponto a IA poderá resolver os problemas matemáticos que sustentam a segurança das comunicações digitais e a proteção dos dados de pessoas e empresas?
Grande parte dos sistemas modernos de criptografia depende justamente da dificuldade de realizar determinadas operações matemáticas.
Um dos exemplos mais conhecidos é o algoritmo RSA, que utiliza a multiplicação de números primos muito grandes. Embora seja relativamente simples multiplicar esses números, descobrir quais foram os fatores originais a partir do resultado é uma tarefa extremamente difícil para os computadores convencionais.
Essa complexidade ajuda a proteger informações transmitidas pela internet. Se novas ferramentas conseguirem executar essas operações com muito mais eficiência, parte da infraestrutura de segurança digital poderá precisar ser substituída.
Até agora, não há evidências de que a IA tenha conseguido quebrar os principais métodos de criptografia utilizados atualmente. Mas a tecnologia já começou a produzir impactos na segurança cibernética.
Na semana passada, empresas de todo o mundo correram para corrigir vulnerabilidades na linguagem de programação PHP, amplamente utilizada no desenvolvimento de sites, identificadas, em parte, por modelos de IA desenvolvidos pela OpenAI e pelo Google.
A discussão ganha força em meio ao avanço da computação quântica. Diferentemente dos computadores convencionais, essas máquinas utilizam propriedades da física quântica para realizar determinados tipos de cálculo, com potencial para superar os sistemas tradicionais em tarefas específicas.
Um computador quântico suficientemente poderoso poderia comprometer algoritmos amplamente utilizados em criptografia. Por enquanto, essas máquinas ainda estão em desenvolvimento, mas as pesquisas avançam e levam autoridades e empresas a reagir.
No Reino Unido, a FCA começou a pressionar as instituições a se prepararem para os novos riscos. Em declaração ao FT, o regulador afirmou que as ameaças cibernéticas estão evoluindo rapidamente com os avanços da IA e da computação quântica.
A autoridade está testando, com 50 grandes instituições, uma ferramenta de supervisão destinada a avaliar o grau de preparação das empresas para esse cenário. A FCA também informou que pretende divulgar orientações para as mais de 35 mil companhias de serviços financeiros sob sua supervisão, com recomendações sobre como enfrentar os riscos associados às duas tecnologias.
O tema também começa a entrar no radar das empresas brasileiras. Em entrevista ao NeoFeed durante o NeoSummit “IA na Real”, em setembro, Alberto Leite, fundador do Grupo FS, alertou que a computação quântica poderá comprometer os mecanismos de proteção digital utilizados atualmente.
“Quando essa tecnologia conseguir operar em um ambiente mais popularizado, ela vai gerar um crash no modelo de criptografia que temos”, afirmou Leite.
Segundo ele, as empresas ainda enfrentam dificuldades para testar suas defesas, uma vez que os computadores quânticos disponíveis permanecem experimentais e não têm capacidade para romper os principais sistemas criptográficos.
O Inter também está atento a essa questão. Durante o lançamento do Inter Science, hub de pesquisa do banco dedicado à IA, blockchain e computação quântica, Bruno Grossi, head de ativos digitais da instituição, afirmou ao NeoFeed que uma das frentes de estudo envolve justamente o desenvolvimento de mecanismos mais avançados de criptografia.









