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Itaú vê fim do ciclo de cortes da Selic diante de cenário mais adverso


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O Itaú acredita que o ciclo de cortes da Selic chegou ao fim. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, 30 de outubro, o banco diz esperar que o Copom mantenha os juros em 13,75% ao ano na reunião da próxima semana e comunique, por unanimidade, a interrupção da sequência de cortes iniciada em março.

O banco aponta atividade mais fraca, mas com inflação acima da meta e mercado de trabalho apertado, além de um cenário externo que passou de “incerto” a “adverso”.

A leitura acompanha a virada do mercado após a reeleição de Lula. Nas opções de Copom da B3, a chance de manutenção em novembro saltou de 17,5% para 66,5%. Já o Focus de 23 de outubro, o último antes da eleição, ainda previa dois cortes, com a Selic a 13,25% no fim do ano.

Num exercício com o modelo de projeção do BC, o Itaú mostra que a inflação só chega ao centro da meta, de 3%, se a Selic ficar em 13,75% até o fim de 2028.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Itaú acredita que o ciclo de cortes da Selic chegou ao fim. O banco diz em relatório divulgado na sexta-feira, 30 de outubro, que espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa básica de juros em 13,75% ao ano na penúltima reunião de 2026 e comunique, por unanimidade, a interrupção da sequência de cinco reduções iniciada em março.

A decisão do Copom sai na quarta-feira, 4 de novembro, depois do fechamento dos mercados. Além da manutenção, o Itaú espera que o comitê reforce no comunicado a necessidade de cautela na condução da política monetária e de perseverança no cumprimento de seu mandato.

O banco atribui a expectativa de fim de ciclo a fatores domésticos e externos. Internamente, a atividade perde fôlego, e o Itaú passou a estimar queda de 0,1% do PIB no terceiro trimestre.

O mercado de trabalho, porém, segue apertado, com desemprego de 5,4%. E a inflação, assim como a média de seus núcleos, continua acima da meta, com piora puxada pelos serviços.

Já o cenário externo, na avaliação dos economistas do banco, deixou de ser “incerto” e passou a ser “adverso”. O Itaú avalia que houve aperto das condições financeiras globais, com o dólar mais forte e a perspectiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos próximos meses.

“Em meio a um contexto mais adverso, com possível movimento relevante de desancoragem adicional das expectativas de inflação e uma maior assimetria no balanço de riscos em torno do cenário base, esperamos que o comitê comunique a escolha unânime de interromper o ciclo de queda dos juros”, diz o Itaú em relatório.

A leitura do Itaú acompanha a virada nas apostas do mercado depois do segundo turno. Desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as opções de Copom negociadas na B3 passaram a apontar a manutenção da Selic como o cenário mais provável nas duas reuniões que restam no ano.

Para a próxima semana, a chance de os juros ficarem em 13,75% chegou a 66,5% em 28 de outubro, ante 17,5% em 23 de outubro. Para dezembro, a probabilidade de manutenção saltou de 20% para 45%, enquanto a chance somada de cortes de 0,25 ou 0,50 ponto despencou de 69% para 19%. O mercado passou ainda a atribuir quase 18% de chance a uma alta dos juros em dezembro.

Até o boletim Focus de 23 de outubro, o último antes da eleição, a mediana das estimativas apontava um corte de 0,25 ponto já na reunião de novembro, para 13,50%, e outro em dezembro, levando a Selic a 13,25% no fim do ano. Para 2027, os economistas consultados pelo Banco Central viam a taxa em 11,75%, com inflação de 4,34%, acima do centro da meta, de 3%.

Esse quadro deve mudar já na próxima semana, com o primeiro boletim Focus que reúne estimativas coletadas depois da eleição. Como a edição é data de referência para a atualização do ranking de projeções do BC, as revisões podem ser intensas, segundo o banco.

O Itaú espera mudanças tanto na trajetória da Selic quanto nas expectativas de inflação, com alta forte para 2027, à medida que as projeções incorporem a mudança da escala de trabalho prevista na PEC 6×1, o petróleo mais caro, a depreciação do câmbio e a reforma tributária.

Só na primeira semana depois do segundo turno, o dólar comercial saltou de R$ 4,99, no fechamento de 23 de outubro, para R$ 5,45 nesta sexta-feira, uma alta de 9,2%. A disparada ainda não entrou por inteiro nas contas do banco, que usam a média dos últimos dez dias, de R$ 5,20.

O mercado de títulos públicos já antecipa essa piora. Pelos dados compilados pelo Itaú, a inflação implícita para 2027 subiu de 5,7% na reunião de setembro para 6,8%, bem acima dos 4,34% do Focus.

Distante do centro da meta

O relatório também mostra o tamanho do desafio do BC. Num exercício com o modelo de projeção do Banco Central, replicado pelo Itaú, a inflação no horizonte relevante só chega ao centro da meta, de 3%, no cenário em que a Selic fica em 13,75% até o fim de 2028, sem nenhum corte.

Com a trajetória de juros prevista hoje pelo Focus, que leva a Selic a 11,75% em 2027 e a 10% em 2028, a projeção fica em 3,4%.

Se as expectativas de inflação piorarem para 5,5% em 2027 e 4,3% em 2028, nem os juros parados resolvem. Nesse caso, a projeção iria a 3,6% com a Selic em 13,75% por mais dois anos, e a 4% com os cortes previstos pelo Focus.



Fonte: NeoFeed

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