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Estudo da UFPR mapeia perfis de Alzheimer usando IA



Um estudo publicado na revista Cell Reports, liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), se debruçou sobre uma lacuna no conhecimento científico sobre a doença de Alzheimer: as diferentes formas de manifestação e os processos moleculares por trás delas.

O projeto foi parte da dissertação de mestrado de Lucas Scheidemantel, pelo programa da Bioinformática da UFPR, com orientação do professor Ricardo A. Vialle, que além de docente na instituição, integra a Rush University em Chicago, também envolvida na pesquisa.

O trabalho foi multidisciplinar. Cientistas das áreas de computação e análise de dados, neurologia, psiquiatria, geriatria, neurociências e biologia verificaram informações de 1.358 cérebros de idosos já falecidos, para encontrar padrões moleculares associados ao Alzheimer.

“Os dados utilizados vêm do ROS/MAP, um conjunto de estudos longitudinais de envelhecimento. Os participantes entram sem demência e são acompanhados por anos, com avaliações clínicas anuais, até a doação do cérebro. Isso permite relacionar a história clínica com uma caracterização detalhada das alterações neuropatológicas e moleculares”

— Ricardo A. Vialle, professor orientador da pesquisa

Sabe-se hoje que os sintomas da doença de Alzheimer estão associados a alterações em duas proteínas: a beta-amiloide e a tau. Esses mecanismos, espalhados pelo cérebro, causam problemas como perda de memória e outros déficits cognitivos. Embora o Alzheimer seja mais frequente em idosos, a doença também pode surgir antes dos 65 anos em formas hereditárias raras. Mas essa não é toda a história da condição. A doença envolve processos biológicos que podem ocorrer em combinações diferentes de uma pessoa para outra.

Foi essa diversidade que o estudo buscou investigar. Cientistas tomaram como base os chamados dados ômicos, que descrevem grandes conjuntos de moléculas e características biológicas de uma célula, tecido ou organismo. Cada tipo de ômica oferece informações de uma área. Um conjunto genômico, por exemplo, traz dados genéticos; um proteômico, sobre proteínas.

Do laboratório à medicina de precisão

A inteligência artificial vem sendo aplicada em diversas áreas da medicina. Na doença de Alzheimer, modelos computacionais já são aplicados para analisar imagens cerebrais, dados clínicos e biomarcadores moleculares, diz o professor.

No futuro, utilizar informações clínicas, genéticas, moleculares e de imagem para identificar grupos de pacientes que possam responder de maneira diferente a determinados tratamentos poderia contribuir para uma medicina mais personalizada, aprimorando a chamada medicina de precisão.

Ainda segundo o docente, a IA também pode ajudar a reduzir vieses ao analisar grandes quantidades de informação de maneira padronizada, embora ressalte que a ferramenta não é neutra. “Se os dados utilizados para treinar um modelo não representam adequadamente diferentes populações, ele pode reproduzir ou até ampliar desigualdades. Por isso, modelos precisam ser treinados e validados em populações diversas e em ambientes clínicos independentes”, defende.



Fonte: Amanhã

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