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A ADT 64, anteriormente um restaurante em Santa Clara, Cuba, transformou-se na primeira casa de câmbio privada autorizada do país em setembro de 2023. Antes, a empresa vendia sorvetes, pizzas e hambúrgueres, e agora também opera uma estação de carregamento de equipamentos elétricos e vende produtos importados por atacado.
A mudança ocorreu em um contexto de dolarização da economia cubana, onde a compra e venda de moeda estrangeira era monopolizada pelo Estado. O Banco Central de Cuba (BCC) iniciou um projeto-piloto com a ADT 64, mas não divulgou detalhes sobre o processo de seleção ou as regras para outras empresas.
A ADT 64 deve reportar suas operações ao BCC, e os clientes precisam justificar a origem dos recursos para comprar moeda estrangeira. Em meio à escassez de dólares e à desvalorização do peso cubano, a ADT 64 oferecia taxas de câmbio superiores às oficiais, refletindo a crescente importância do mercado paralelo.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Havana – Antes de comprar e vender dólares, a casa de câmbio ADT 64 vendia sorvetes, pizzas e hambúrgueres em Santa Clara, no centro de Cuba. A empresa também anunciou vendas de produtos importados por atacado e passou a operar uma estação privada de carregamento de equipamentos elétricos.
Mas, desde setembro deste ano, houve um salto para uma atividade distante da gastronomia. A ADT 64, cujo nome é abreviação de Aires de Tristá 64, tornou-se a primeira casa de câmbio privada autorizada a funcionar em território cubano.
A trajetória da pequena empresa chama atenção tanto pela mudança de negócios como pelo mercado que ela ganhou acesso. Em Cuba, a compra e a venda formal de moeda estrangeira esteve por décadas nas mãos do Estado.
Agora, o Banco Central de Cuba (BCC) testa a entrada de um operador privado em um país no qual boa parte das transações migrou para o mercado informal – o conhecido câmbio paralelo.
O projeto-piloto da casa de câmbio privada havia sido anunciado pelo governo cubano em julho. Dois meses depois, sem que qualquer processo tivesse se tornado público, a ADT 64 estava em funcionamento.
O processo nebuloso de escolha tem chamado a atenção. Arnel Matos Freire, proprietário de 70% da ADT 64, disse à Martí Noticias que o restante pertence a outro sócio privado. Segundo ele, a ideia de abrir a casa de câmbio começou a ser desenvolvida cerca de cinco meses antes do início das operações e foi apresentada às autoridades locais e nacionais.
O BCC afirma que o piloto cumpriu os requisitos necessários para funcionar com segurança, mas não divulgou uma regra detalhada que permita verificar publicamente as condições de acesso, os critérios de avaliação e o caminho que outra empresa teria de percorrer para obter uma licença semelhante.
A ausência dessas informações alimenta questionamentos sobre a transparência e a possibilidade de concorrência na abertura do setor. A atividade, por sua vez, permanece sob supervisão estatal.
A ADT 64 informa diariamente suas operações ao banco central. E pessoas físicas que desejam comprar moeda estrangeira precisam justificar a origem dos recursos e a finalidade da operação, enquanto que empresas privadas e trabalhadores por conta própria devem apresentar documentos que comprovem o destino do dinheiro.
Preço do dólar
A entrada da ADT 64 ocorre em meio à dificuldade da economia cubana de encontrar dólares pelos canais formais. A escassez de moeda estrangeira, a queda do turismo e as diferenças entre as taxas oficiais e as condições encontradas nas ruas fizeram crescer o mercado paralelo.
Nesse ambiente, o preço anunciado pelos vendedores tornou-se uma referência importante, embora não corresponda necessariamente ao valor de cada transação concluída.
A ADT 64 negociava, em 15 de setembro, 710 pesos cubanos (CUP) para a compra de um dólar e 730 CUP para a venda. Eram preços acima da taxa oficial daquele segmento e próximos aos praticados no mercado informal.
Na quarta, 23, a referência para o dólar no mercado informal estava em 720 CUP. Em abril, quando o NeoFeed esteve em Cuba, a moeda americana era negociada por cerca de 500 CUP no circuito informal, o que indica uma desvalorização do peso cubano de 44% em cinco meses.
A perda de valor do peso também aparece no dinheiro em circulação. Em setembro, o banco central introduziu cédulas de 10 mil e 20 mil CUP, as maiores denominações do país. Pela referência informal de 720 CUP por dólar, uma nota de 20 mil pesos equivale a menos de US$ 28.








