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A IA pode virar uma “terceira potência” entre EUA e China. E o Brasil pode lucrar com isso


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O encontro entre os presidentes dos EUA e da China destaca a corrida pela inteligência artificial (IA) e as preocupações com segurança. Vance Serchuk, do KKR Global Institute, observa que ambos os países estão na vanguarda da IA, mas há receios sobre o controle desse desenvolvimento. Ele sugere que uma linha direta de comunicação entre Washington e Pequim seria uma medida concreta para lidar com ameaças relacionadas à IA.

O cenário global está mudando, com uma competição intensa entre potências, onde questões de segurança nacional influenciam decisões econômicas. Nesse contexto, o Brasil se destaca como uma alternativa nas cadeias de suprimentos, especialmente em minerais críticos.

Serchuk enfatiza que o Brasil deve ajustar sua política interna para transformar sua vantagem geológica em oportunidades econômicas. Wolfgang Schwerdtle, do Fundo Soberano de Cingapura, também vê potencial no Brasil para se tornar um polo regional de data centers, aproveitando sua abundância de energia e infraestrutura digital.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, se encontram nesta semana na Casa Branca, seis meses após o americano ser recebido na China. Na pauta do encontro, um dos pontos de maior atenção deve ser a corrida pela inteligência artificial e as recentes preocupações sobre segurança levantadas por algumas das maiores empresas do setor.

“Os dois países estão na vanguarda em IA e há um receio de ambas as partes de que esse desenvolvimento saia do controle. A questão é se é possível haver algum entendimento comum de preparação para as ameaças de uma força que pode, por si só, se tornar uma terceira potência”, afirmou Vance Serchuk, sócio e diretor-executivo do KKR Global Institute, durante o Abvcap Experience nesta terça-feira, 22 de setembro.

O braço de pesquisa e consultoria integra a gestora de ativos alternativos KKR, que tem US$ 751 bilhões sob gestão.

Serchuk, que lidera as análises geopolíticas e investimentos em aeroespacial e defesa do instituto, vê pouco espaço para uma política comum de controle de armamentos, ou políticas capazes de mitigar os riscos decorrentes da inteligência artificial.

“Nesse momento, as expectativas ainda são modestas. A medida mais concreta que podemos esperar neste momento é uma linha direta de comunicação entre Washington e Pequim, para que, caso surja alguma ameaça grave relacionada à IA, os dois países possam dialogar diretamente sobre o assunto”, disse Serchuk.

A discussão ocorre em um contexto mais amplo de mudança no ambiente global, segundo Serchuk. Em sua avaliação, o mundo deixou para trás parte da lógica de uma globalização baseada na redução de barreiras ao comércio, ao capital, à tecnologia e aos dados e entrou em uma fase de competição mais intensa entre grandes potências.

Nesse cenário, questões de segurança nacional passam a exercer uma influência muito maior  nas decisões econômicas e de investimento, inclusive no setor de tecnologia.

O executivo defende que os ativos físicos voltaram a ganhar importância – principalmente em meio à corrida digital em torno da IA. Isso porque essa economia é especialmente dependente de uma infraestrutura concreta, que envolve minerais críticos, semicondutores, cabos submarinos, satélites, capacidade de lançamento espacial, energia e infraestrutura.

Para Serchuk, países que controlam esses recursos podem ter relevância estratégica mesmo em uma economia cada vez mais digitalizada.

É nesse ponto que o Brasil entra no radar. A disputa entre Estados Unidos e China cria uma oportunidade para países capazes de oferecer alternativas às cadeias de suprimentos dominadas por uma das potências.

“Vimos isso acontecer em 2025. A disputa entre os dois países levou os EUA a diversificar suas fontes de minerais críticos e terras raras, e o Brasil é a resposta óbvia para essa questão, já que tem a área mais estratégica de terras raras depois da China”, afirmou Serchuk.

Embora o Brasil tenha oportunidades no radar, Serchuk reforçou que a política doméstica precisa criar as condições para transformar essa vantagem geológica em oportunidade econômica.

“O desafio para o Brasil – e acredito que para muitos países da América Latina – é saber até que ponto, neste novo cenário, a política interna consegue ajustar a rota para aproveitar o conjunto de oportunidades.”

Wolfgang Schwerdtle, responsável pelo escritório do Fundo Soberano de Cingapura (GIC) no Brasil, também vê oportunidades para o Brasil em meio ao avanço da inteligência artificial, especialmente em infraestrutura.

“O Brasil tem abundância de energia, tradicional e renovável, e isso com certeza é uma vantagem para a construção de mais infraestrutura digital no país – bem como a rede integrada de eletricidade e as boas conexões de cabos submarinos entre o Brasil e o mercado americano”, afirmou Schwerdtle em outro painel durante o mesmo evento.

O gestor destacou ainda a oportunidade do país em se tornar um polo regional de data centers. “Podemos também ter aqui também a capacidade de processar os dados das empresas brasileiras e das empresas da América Latina localmente. Isso é uma oportunidade imensa para o Brasil”, disse.



Fonte: NeoFeed

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