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A Panerai revisita seus segredos militares em relógios de dezenas de milhares de euros


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A Panerai celebra o centenário de sua boutique em Florença com dois relógios que levam a cidade no nome e custam entre R$ 71 mil e R$ 366 mil.

A data também inspira a exposição Immersion, que revisita uma trajetória singular: antes de conquistar colecionadores, a marca desenvolvia equipamentos para a Marinha italiana.

Fundada em 1860, a relojoaria vendia modelos suíços e ampliou suas atividades para instrumentos de precisão.

A parceria militar começou em 1910, com bússolas, profundímetros e outros equipamentos. Depois vieram os relógios, projetados para funcionar no escuro e debaixo d’água, com caixas robustas e grandes numerais luminosos.

Restritas ao uso militar durante décadas, as peças chegaram ao público civil em 1993. A aquisição pelo grupo Vendôme, hoje Richemont, em 1997, abriu caminho para a expansão internacional e o mercado do alto luxo.

A produção ganhou manufatura própria na Suíça, mas a Panerai preserva suas raízes florentinas e a ligação com o mar, hoje reforçada pelo patrocínio à equipe italiana de vela Luna Rossa.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Florença – O centenário da boutique da Panerai na Piazza San Giovanni, em Florença, remete a uma história pouco comum na alta relojoaria. Ali, a família italiana vendia relógios suíços, prestigiados pela precisão e pela tradição artesanal. Mas foi o relacionamento com a Marinha italiana que definiu a identidade da marca.

Durante décadas, seus relógios mais emblemáticos, como o Radiomir e o Luminor, eram segredos militares muito bem guardados. Apenas no início dos anos 1990, com o fim do “embargo”, os instrumentos criados para operações subaquáticas e noturnas ganharam novos formatos e chegaram aos pulsos de clientes endinheirados.

Para marcar os cem anos de seu endereço mais tradicional, a Panerai lança dois modelos que levam Florença no nome: o Luminor Firenze 8 Giorni PAM01794 e o Luminor Firenze 8 Giorni PAM01734, com preços entre € 10,7 mil e € 55 mil (veja a diferença entre eles na sequência de fotos abaixo). As comemorações incluem ainda a exposição retrospectiva Immersion, no Museu Marino Marini, instalado na antiga igreja de San Pancrazio.

“Nosso patrimônio histórico é sempre o ponto de partida para todas as nossas criações”, diz Alessandro Ficarelli, diretor de Marketing e Patrimônio da Panerai, em entrevista ao NeoFeed. “A exposição Immersion celebra nossas origens militares e raízes florentinas; estamos conectando passado e presente por meio de desempenho e inovação.”

A escolha de Florença reafirma o vínculo com a cidade onde Giovanni Panerai abriu sua relojoaria, em 1860. Berço do Renascimento, a capital toscana preservava no século XIX uma forte tradição artesanal, mesmo com o avanço da industrialização na Europa.

Pequenos negócios familiares reuniam especialistas em joalheria, couro e metal, além de fabricantes de instrumentos científicos. Foi nessa Florença de oficinas e trabalhos de precisão que a Panerai nasceu.

A primeira relojoaria da família ficava na Ponte alle Grazie, perto da boutique atual. Depois de algumas mudanças de endereço, o negócio chegou à Piazza San Giovanni. Ali funcionavam a loja de relógios suíços, uma oficina de reparos e uma escola. Preservada até hoje, a fachada exibia o nome Orologeria Svizzera (Relojoaria Suíça), em uma associação explícita ao prestígio dos fabricantes daquele país.

Durante quase 150 anos, a casa relojoeira recorreu a componentes suíços e a terceiros para montar seus relógios. A manufatura própria só seria inaugurada em 2002, em Neuchâtel, na Suíça.

A parceria com a Marinha

Com o tempo, os Panerai ampliaram suas atividades para a produção de instrumentos de precisão. Guido, neto de Giovanni, incorporou o negócio da família de sua mulher, Guglielmina Fracei, cujo pai fabricava objetos metálicos para o Exército. A combinação dessa atividade com a experiência em relojoaria aproximou a empresa do setor de defesa.

A colaboração com a Regia Marina, a Marinha Real italiana, começou em 1910. Naquele momento, a Panerai ainda não fornecia relógios, mas bússolas, profundímetros, lanternas e instrumentos de pontaria. O desafio era desenvolver equipamentos que pudessem ser usados em condições extremas, inclusive em operações noturnas e subaquáticas.

Uma das respostas veio em 1916, quando a empresa patenteou o Radiomir, um composto luminoso à base de rádio aplicado aos instrumentos para permitir sua leitura no escuro. Nos anos 1930, a tecnologia seria incorporada aos relógios destinados aos homens-rãs, os mergulhadores militares.

O primeiro relógio desenvolvido para a Marinha, em 1935, seguia exigências bastante diferentes das que orientavam os modelos de uso cotidiano. Com cerca de 47 milímetros de diâmetro, tinha dimensões enormes para os padrões da época. A caixa precisava resistir à pressão debaixo d’água; os grandes numerais luminosos permitiam consultar as horas em ambientes sem luz; e a pulseira era longa o suficiente para ser usada sobre o equipamento de mergulho.

Foram fabricados apenas cem exemplares do modelo Luminor Firenze 8 Giorni PAM01734. O mostrador verde tem ponteiros com efeito dourado. A peça é resistente à água até 100 metros. Custa cerca de € 55 mil (Foto: Divulgação)

Com uma edição de mil peças, o Luminor Firenze 8 Giorni PAM01794 custa cerca de € 10,7 mil. A corda manual oferece autonomia de oito dias e o relógio é resistente à água até 300 metros (Foto: Divulgação)

O fundo de aço do Luminor Firenze PAM01794 reproduz a fachada da boutique em homenagem aos cem anos do endereço florentino (Foto: Divulgação)

O fundo de cristal de safira do Luminor Firenze PAM01734 revela o mecanismo de corda manual, com acabamento acetinado, inscrições azuis e rubis aparente (Foto: Divulgação)

O Eilean, veleiro de 1936 adquirido e restaurado pela Panerai, voltou ao mar em 2009 e simboliza a ligação da marca com a navegação (Foto: Divulgação)

A boutique da Panerai reafirma o vínculo da marca com a tradição artesanal florentina, uma das bases do prestígio do “Made in Italy” no mercado global do alto luxo (Foto: Divulgação)

A exposição Immersion, no Museu Marino Marini, em Florença, revisita as origens militares da Panerai (Foto: Divulgação)

O desenvolvimento de outros materiais luminosos, nos anos 1940, daria origem ao modelo Luminor. Outra evolução foi o dispositivo de proteção da coroa, criado para aumentar a resistência à água e garantir o funcionamento do relógio em condições extremas. A solução se tornaria um dos elementos mais reconhecíveis da marca — uma ponte protetora semicircular com uma alavanca de segurança.

Somente em 1993, com o fim da exclusividade militar, os relógios começaram a ser vendidos ao “público civil”. As características concebidas para atender aos mergulhadores — caixas robustas, grandes mostradores e numerais luminosos — conquistaram colecionadores atraídos pela estética e por uma das trajetórias mais singulares da alta relojoaria.

Em 1997, a aquisição pelo grupo Vendôme, hoje Richemont, abriu caminho para a expansão internacional e consolidou a entrada da Panerai no mercado do alto luxo. A ligação com o mar, porém, continuou a orientar a identidade da marca, para além dos relógios.

Nove anos depois, a companhia adquiriu o Eilean, veleiro clássico construído em 1936, que já havia ganhado fama ao servir de cenário, em 1982, para o videoclipe de Rio, da banda Duran Duran.

Encontrado abandonado em Antigua, no Caribe, o barco foi comprado por Angelo Bonati, então CEO da Panerai, e levado à Itália para uma restauração que durou cerca de três anos. Voltou ao mar em 2009, como um dos símbolos da relação da empresa com a navegação.

Esse vínculo foi reforçado em 2019, quando a Panerai se tornou patrocinadora oficial da Luna Rossa, a equipe italiana de vela.

Em 2027, a 38ª edição da America’s Cup será disputada pela primeira vez na Itália. Conhecidos como “os Fórmula 1 dos mares”, os veleiros supertecnológicos AC75 competirão na baía de Nápoles, defronte ao Vesúvio.

Da boutique de Florença às águas napolitanas, a Panerai mantém suas raízes italianas à vista — e faz de sua história um argumento para dizer que la dolce vita é ainda melhor al mare.



Fonte: NeoFeed

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