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Depois do home office, uma nova transformação bate à porta dos escritórios


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A pandemia transformou o mercado imobiliário corporativo, levando à criação de escritórios mais flexíveis e colaborativos. Com o retorno ao trabalho presencial estabilizado, a inteligência artificial (IA) surge como uma nova onda de transformação. Pesquisa da CBRE revela que um terço das empresas na América Latina já sente o impacto da IA nas decisões de planejamento de espaço, e 34% esperam que isso ocorra em breve.

Apesar da expectativa de que a IA possa reduzir a ocupação de escritórios, especialistas afirmam que a principal mudança será o balanceamento do espaço, priorizando áreas colaborativas. Nos EUA, a IA pode levar a uma desaceleração nas contratações e um leve aumento na vacância de escritórios, mas seu impacto é considerado menor que o da pandemia. A adoção da IA ainda enfrenta desafios, com 78% dos líderes reconhecendo sua importância, mas apenas 15% implementando-a ativamente em suas operações imobiliárias.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A pandemia foi o grande movimento transformador da década para o mercado imobiliário corporativo. Em meio ao trabalho híbrido, escritórios foram redesenhados para serem mais flexíveis, com menos lugares fixos e mais locais colaborativos. E as companhias, por sua vez, passaram a buscar prédios capazes de atrair funcionários para o retorno ao presencial – tanto em localização quanto em opções de serviço e conveniência.

Com o movimento de retorno ao escritório praticamente estabilizado, uma nova onda de transformação bate à porta do mercado imobiliário com a chegada da inteligência artificial. É o que mostra pesquisa da CBRE sobre o mercado latino-americano, adiantada ao NeoFeed.

Um terço dos ocupantes corporativos do Brasil, México, Chile e Colômbia ouvidos pela pesquisa afirma que a IA já impacta diretamente suas decisões de planejamento de espaço, enquanto outros 34% esperam que esse impacto aconteça nos próximos dois anos.

O estudo aponta, no entanto, que esse impacto não envolve a redução da ocupação de escritórios – mesmo em casos de reformulação do quadro das empresas diante do avanço da inteligência artificial.

“Há uma inferência natural em imaginar que a IA vai levar a uma redução de área pelo corte de vagas de trabalho, mas não é o que temos observado”, diz Marcos César, diretor de corporate real estate da CBRE no Brasil, ao NeoFeed.

A principal transformação, segundo César, é o balanceamento de espaço dentro dos escritórios. Trata-se de uma continuação da mudança iniciada pelo trabalho híbrido, especialmente na valorização de áreas colaborativas e na busca por localização privilegiada.

“O escritório passa a ter outra função, mais voltado ao trabalho conjunto, à criatividade e aos espaços comuns. O trabalho híbrido deu o primeiro passo nessa direção, e a IA intensifica ainda mais o movimento”, complementa.

Ainda assim, é possível que o mercado imobiliário não saia ileso da nova onda de IA. Pesquisa realizada pela consultoria Newmark nos Estados Unidos – maior mercado corporativo do mundo – apontou risco de desaceleração de contratações e de leve aumento da vacância nos prédios de escritórios.

No cenário-base do estudo, publicado em abril deste ano, o número de trabalhadores em ocupações que tradicionalmente utilizam escritórios nos EUA deve ficar praticamente estável entre 2026 e 2030, com crescimento de apenas 0,3% no período. A estagnação é rara no país: o emprego em ocupações de escritório nunca ficou estável ou encolheu em um período de cinco anos desde 1944.

Com a desaceleração das contratações, é esperado um leve aumento da vacância dos escritórios, que passaria de 21,4% ao final de 2025 para 21,5% em 2030 no cenário-base. Na projeção mais negativa, o indicador subiria a 23,5%.

“A IA representa um risco para as perspectivas do mercado de escritórios. No entanto, mesmo no cenário de pior desempenho previsto, o impacto é muito menor do que o choque do trabalho híbrido provocado pela pandemia – um contexto que deve atenuar as expectativas mais pessimistas”, informa o relatório.

O estudo estima que, até 2030, é mais provável que a IA altere quais profissionais ocupam os escritórios e onde essa demanda está concentrada, “em vez de alterar de forma fundamental o papel do trabalho de escritório e desses imóveis na economia”.

Já a Cushman & Wakefield estima que uma possível redução nos postos de trabalho causada pela IA pode ser compensada pela chegada de novas vagas abertas pelo avanço da tecnologia.

Em estudo publicado em maio deste ano sobre o mercado dos EUA, a consultoria avalia que o cenário mais favorável pode levar as empresas a transformar os ganhos de produtividade em aumento de receita e novos investimentos.

“Nesse caso, o crescimento não viria simplesmente de uma expansão da demanda existente, mas do surgimento de novas empresas, ocupações e necessidades de espaço – com vantagem para escritórios de maior qualidade, flexíveis e voltados à colaboração”, informa o relatório.

Existe, no entanto, um desafio de adoção e de preparação para o impacto que a inteligência artificial pode ter nos escritórios.

Segundo estudo global divulgado em julho pela JLL, 78% dos líderes empresariais e do setor de imóveis comerciais reconhecem que a IA deverá impactar significativamente suas estratégias de portfólio nos próximos 3 a 5 anos. No entanto, apenas 15% deles estão otimizando ativamente suas operações imobiliárias com a IA no radar.

“Essa lacuna reflete a complexidade de avaliar o impacto de uma tecnologia que ainda está nos estágios iniciais de adoção corporativa. Os efeitos sobre a força de trabalho não são claros, e a maioria das empresas permanece em fase de avaliação”, pontua a pesquisa.



Fonte: NeoFeed

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