No primeiro semestre do ano, chegou-se a acreditar que a OpenAI poderia iniciar o processo de abertura de capital até o fim do ano, mas o cofundador e CEO Sam Altman indicou agora que, afinal, isso pode ficar para 2027.
Em entrevista à Fortune, Altman observou que a abertura de capital poderá ser adiada para 2027, citando o ambiente que se criou em torno da Inteligência Artificial enquanto tecnologia, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento e à segurança.
No entanto, Altman não confirmou que a abertura de capital acontecerá em 2027 e preferiu garantir apenas que isso ocorrerá “quando a empresa estiver pronta”.
“Temos muitas coisas para fazer. Precisamos cumprir o que será exigido em termos de segurança e alinhamento, descobrir como a indústria e os governos vão trabalhar em conjunto e como uma empresa privada conseguirá fazer isso”, explicou Altman.
Vale lembrar que a última semana foi marcada por declarações de líderes de algumas das principais empresas de Inteligência Artificial, que defenderam uma regulamentação mais “robusta”. Entre eles estiveram o próprio Sam Altman, Dario Amodei, da Anthropic, e até o bilionário Elon Musk.
Zuckerberg rejeita apelos para desacelerar desenvolvimento da IA
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, rejeitou os crescentes apelos para suspender ou desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), defendendo que mecanismos de mercado e o risco de processos judiciais já funcionam como os principais freios para possíveis abusos.
Em um texto publicado na rede social X, Zuckerberg afirmou que “as pessoas não vão querer usar agentes que não estejam alinhados com seus interesses ou que não façam o que lhes pedem”. Dessa forma, os desenvolvedores têm “um forte incentivo natural” para tornar os modelos mais fiéis às necessidades dos usuários.
O conceito de “alinhamento” se refere justamente ao esforço para fazer com que os sistemas se comportem de acordo com a vontade humana.
O fundador da Meta destacou que qualquer laboratório que não se concentre nesse alinhamento “ficará para trás” e lembrou que a empresa adiou durante meses o lançamento do sistema Muse AI, com agentes personalizados, para reforçar os mecanismos de segurança. “Fizemos isso como parte do nosso trabalho diário porque era claramente o correto para as pessoas e para nós”, escreveu.
A discussão sobre a regulamentação da IA se intensificou nas últimas semanas, após incidentes de segurança e sinais de que os modelos começam a evoluir sem intervenção humana. Empresas como OpenAI, Anthropic e Google estudam a criação de um organismo comum para definir normas, enquanto figuras como Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendem uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento.
Zuckerberg argumentou que a ameaça de processos judiciais já obriga os laboratórios a agir de forma responsável e que a melhor prática do setor envolve avaliações independentes dos sistemas.
Acrescentou ainda que a Meta recorre a especialistas externos e defendeu a criação de um “ecossistema mais amplo e diversificado de avaliadores”, em uma crítica indireta à Anthropic, acusada de privilegiar avaliadores próximos à empresa.
A Meta, que neste ano investiu até US$ 145 bilhões (125 bilhões de euros) em infraestrutura de IA, tem resistido a qualquer regulamentação que possa atrasar o desenvolvimento de seus modelos. Zuckerberg já havia defendido, em agosto, que “nenhuma regra deve atrasar o lançamento dos modelos americanos, nem sequer por um mês”.
Sua posição foi elogiada por várias personalidades do Vale do Silício próximas à Casa Branca, que contestam os alertas sobre os riscos da IA e rejeitam os apelos para frear seu desenvolvimento.
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