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A Revolut vê oportunidade para que sua operação no Brasil seja referência, a longo prazo, no desenvolvimento de produtos de crédito que possam ser aplicados em outros mercados. O CEO Glauber Mota destaca que o Brasil, com seu forte uso de cartões de crédito, oferece uma oportunidade para expandir essa área, que atualmente representa apenas 3% a 4% dos depósitos da fintech.
Desde março, a Revolut ampliou sua oferta de crédito e lançou o plano Ultra, diferenciando-se ao separar o acesso aos benefícios do cartão do limite de crédito. A empresa, que já possui 80 milhões de clientes e um valuation de US$ 115 bilhões, pretende também exportar soluções locais, como permitir pagamentos via Pix no exterior.
Além disso, planeja lançar o Revolut Business em 2027 no Brasil, ampliando sua atuação no setor financeiro. Mota enfatiza que a Revolut é uma instituição brasileira que utiliza sua plataforma global para crescer, não uma filial de um banco estrangeiro.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Revolut chegou ao Brasil inicialmente para oferecer uma conta global aos brasileiros. Agora, a operação local vê espaço para fazer o caminho inverso e desenvolver produtos que ajudem a fintech britânica a crescer no exterior. A principal oportunidade está em um negócio que os bancos brasileiros conhecem bem, mas que ainda ocupa pouco espaço no balanço do grupo: o crédito.
Na avaliação de Glauber Mota, CEO da Revolut Brasil, o hábito do consumidor brasileiro de usar o cartão de crédito oferece um terreno favorável para que o país tenha destaque no segmento em longo prazo. E esse comportamento pode fazer do Brasil uma “espécie de laboratório” para soluções com aplicação em outros mercados.
“Por enquanto, ainda somos muito comedidos em fazer crédito, emprestamos de 3% a 4% [dos depósitos]. Existe uma grande oportunidade para o Brasil e para as Américas em liderar o segmento”, afirma Mota ao NeoFeed.
Esse movimento começou a ganhar corpo em março deste ano, quando a Revolut ampliou a oferta de crédito para clientes elegíveis em todas as categorias de cartões no Brasil e lançou o plano Ultra, com benefícios como acesso a salas VIP e pontuação em compras. Até então, os testes com crédito estavam concentrados no plano de entrada.
A proposta também traz uma diferença em relação à prática de parte dos concorrentes: separar o acesso aos benefícios do cartão de crédito. O cliente escolhe o plano pelo pacote de serviços, enquanto a análise de renda determina o limite disponível. Assim, contratar uma categoria premium não significa, automaticamente, receber um limite maior.
Por trás dessa estratégia está a tentativa de ampliar a relevância da Revolut no cotidiano do brasileiro. A conta internacional foi a porta de entrada, mas disputar pagamentos, investimentos e crédito domésticos permite construir um relacionamento que vai além das viagens ao exterior.
“O Brasil prefere, culturalmente, pagar no crédito. O europeu prefere no débito. Então nós vamos crescer em crédito em outras geografias [além da América]. A diferença é que a velocidade e o tamanho do portfólio será maior onde, no mundo, o crédito já for maior por definição”, diz Mota.
A dimensão da oportunidade aparece na comparação com o Nubank. Em um relatório de junho de 2026, os analistas do BTG Pactual estimavam que a Revolut tinha US$ 65,3 bilhões em depósitos e uma carteira de crédito de US$ 2,9 bilhões. O concorrente brasileiro reunia US$ 41,9 bilhões em depósitos e US$ 32,7 bilhões em crédito.
Mesmo com uma base de depósitos maior, a Revolut emprestava menos de um décimo do volume do Nubank. São duas formas distintas de construir um banco digital: enquanto o brasileiro cresceu a partir do cartão de crédito e concentrou sua atuação na América Latina, a britânica apostou em uma plataforma global de serviços financeiros, com menor exposição ao risco de emprestar.
Fundada em 2015, a Revolut ganhou espaço oferecendo câmbio e transferências internacionais e ampliou sua oferta para pagamentos, investimentos e planos de assinatura. Hoje, tem mais de 80 milhões de clientes. Em julho, uma operação de venda secundária de ações atribuiu à companhia um valuation de US$ 115 bilhões. Como permanece fora da bolsa, esse valor representa uma avaliação negociada em uma transação privada.
O modelo já produz resultados expressivos. Em 2025, a receita do grupo alcançou US$ 6 bilhões, alta de 46%, e o lucro antes de impostos chegou a US$ 2,3 bilhões, avanço de 57%. Cartões, câmbio, investimentos e assinaturas ajudam a sustentar essa diversificação.
A carteira global de crédito cresceu 120% em 2025, para US$ 2,9 bilhões, principalmente com empréstimos pessoais e cartões. O grupo também iniciou uma operação de refinanciamento imobiliário na Lituânia. O avanço, porém, parte de uma base pequena: ao fim daquele ano, os saldos de clientes somavam US$ 67,5 bilhões.
O desafio é adicionar um novo motor de receita sem perder a disciplina que marcou essa trajetória. No crédito, ganhar escala exige também selecionar clientes, calibrar limites e administrar inadimplência. É nessa combinação entre demanda e gestão de risco que a experiência brasileira pode ganhar relevância dentro do grupo, e se tornar uma espécie de laboratório para soluções com aplicação em outros mercados.
A aposta ocorre em meio a uma expansão da infraestrutura bancária da Revolut. Em 2026, a companhia obteve licenças bancárias no Reino Unido, na França e na Austrália. Nos Estados Unidos, recebeu em setembro uma aprovação condicional para criar um banco nacional, com lançamento previsto para 2027, ainda sujeito às demais autorizações regulatórias.
Para a operação brasileira, a ambição de exportar soluções não se limita ao crédito. Outra possibilidade no radar é permitir que brasileiros em viagem continuem pagando pelo Pix no exterior ou que estrangeiros utilizem a ferramenta durante sua passagem pelo Brasil, por meio da Revolut – a oportunidade para a fintech seria integrar essa experiência à sua plataforma internacional.
Segundo Mota, a exportação de soluções locais ocorreu, até agora, em recursos mais pontuais, como uma ferramenta de segurança que limita transferências e acrescenta proteção em situações de roubo ou coerção. O laboratório brasileiro, portanto, ainda precisa demonstrar até onde consegue influenciar a oferta global.
Enquanto desenvolve essa capacidade, a Revolut Brasil trará produtos já existentes em outros mercados. O próximo passo previsto é o lançamento do Revolut Business em 2027, ampliando a disputa para os serviços financeiros destinados a empresas.
Disponível em mercados como Europa, Estados Unidos e Austrália, a plataforma reúne câmbio, gestão de caixa, cartões corporativos, reembolsos e automação de processos. Em 2025, o Business respondeu por 16% da receita global e tinha 767 mil clientes, segundo a companhia.
A preparação para avançar na região ganhou um reforço no fim de setembro, com a nomeação de Álvaro Alberdi como diretor de crescimento do Revolut Business para o sul da Europa e a América Latina. O executivo ficará responsável por aquisição de clientes, parcerias e estratégias locais de expansão.
Mota afirma que o segmento já representa aproximadamente 25% do resultado do grupo em 2026. No Brasil, a chegada do Business abrirá mais uma frente para uma operação que começou com a conta global e pretende ocupar uma parcela maior da vida financeira de pessoas e empresas.
O executivo quer, porém, que essa trajetória também produza soluções capazes de viajar na direção contrária à dos produtos importados da matriz. “Não somos uma filial de banco estrangeiro. Somos uma instituição brasileira que usa a Revolut global [para crescer]”, afirma ele.








