Por muito tempo, a análise de exames de imagem no Brasil se baseava em um paradoxo: a subjetividade. A análise visual de exames de imagem, dependente da experiência médica, contrastava com métodos quantitativos e tecnológicos disponíveis na literatura científica internacional, mas inacessíveis no país devido aos altos custos em moeda estrangeira.
Foi observando essa lacuna que a biomédica Laura Willers Souza, durante seu estágio em uma empresa de radiologia, teve o estalo que mudaria sua trajetória. “Eu comecei a perceber que aquilo que eu via na literatura, aquilo que eu tinha aprendido da ciência, da academia, não era aplicado. Toda análise era feita de forma visual, subjetiva, muito dependente do médico”, relembra.
Ao buscar soluções no mercado internacional, ela deparou-se com um obstáculo intransponível para a realidade brasileira, já que o preço é cotado em dólar e euro. Determinada a desenvolver uma alternativa, Laura iniciou um mestrado, onde encontrou o professor Eduardo Zimmer, da UFRGS, que já compartilhava a visão de criar uma empresa de soluções quantitativas em neuroimagem no Brasil.
Assim, nasceu a Masima, acrônimo para “Macunaíma Soluções e Imagens Médicas” — um nome que destaca brasilidade da solução, que é a primeira e única healthtech no país a se especializar neste ramo.
A partir daí, a equipe começou a ser formada e a primeira solução foi desenvolvida, focada em ressonância magnética. A Masima também é classificada como uma deeptech, ou seja, sua tecnologia está em linha com o nível global. Essa base científica é um pilar fundamental, com uma equipe multidisciplinar de neurocientistas e médicos que garantem a excelência técnica.
Hoje, a Masima oferece quatro soluções em diferentes estágios, abrangendo ressonância magnética para gerar relatórios de atividade, morfologia e metabolismo cerebral.
Em um caso de destaque, o masimaCENTILOID, a solução proprietária para análise quantitativa automatizada de exames PET-amiloide, a tecnologia utiliza inteligência artificial e visão computacional para gerar métricas padronizadas para auxiliar no diagnóstico precoce e no acompanhamento da doença de Alzheimer.
Em nuvem, com o uso de inteligência artificial e visão computacional, a análise é feita de forma automatizada e rápida. O relatório quantitativo gerado é então devolvido ao médico, responsável pelo diagnóstico e pelo laudo final. O resultado é um aumento significativo na assertividade diagnóstica — em casos de Alzheimer, a precisão pode ser até quatro vezes maior. Esse fluxo pode ser integrado aos sistemas hospitalares, reduzindo drasticamente o tempo de análise manual e a variabilidade diagnóstica.
A solução democratiza o acesso à neuroimagem quantitativa ao oferecer tecnologia nacional até três vezes mais acessível que as alternativas internacionais, alinhada ao contexto brasileiro.
Fundada em 2022 em Porto Alegre, a Masima já foi selecionada e premiada em programas relevantes de inovação, consolidando sua posição no ecossistema. Apesar dos benefícios, o caminho da inovação em saúde no Brasil é repleto de obstáculos.
Laura prova que o gargalo não está nos profissionais, nem na educação, nem na ciência. Segundo ela, está na burocracia. “O principal entrave é o regulatório”, afirma a biomédica. Ela relata que a empresa levou dois anos apenas para entender se deveria ou não ser regulada, enfrentando um processo burocrático, caro, demorado e com falta de clareza.
As possibilidades de avanço em diagnósticos por imagem são amplas, mas a Masima planeja manter seu foco na neurologia, área de profunda expertise de sua equipe de neurocientistas. “Ainda temos muitas ideias e muitas coisas que queremos fazer na área de neurologia”, afirma Laura.
Um dos sonhos dela vem do potencial para levar a tecnologia de neuroimagem quantitativa a locais periféricos e ao SUS, cumprindo sua missão de democratizar o acesso a um diagnóstico mais preciso e precoce para a população brasileira. “Nossa missão é democratizar o acesso a esse tipo de tecnologia.
Então, através dele que a gente quer chegar no SUS, em locais mais periféricos”, conclui a CEO. A história da Masima é a prova de que a inovação genuína, quando enraizada na realidade local e impulsionada pela ciência nacional, pode construir um futuro mais saudável e inclusivo para todos.
Diagnóstico com alma brasileira
A Masima se baseia no estado da arte da literatura científica para trazer (e produzir) inovação médica para o Brasil
Posição | MPEs/Startups | Cidade | UF |
1 | Masima | Porto Alegre | RS |
2 | StartLaw | Curitiba | PR |
3 | Inovamotion | Florianópolis | SC |
4 | Indusmart | Porto Alegre | RS |
5 | Vortex Check | Chapecó | SC |









