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Petrolífera chinesa troca bombas de gasolina por carregadores BYD


Uma das maiores empresas de combustíveis da China começou a transformar postos de gasolina em estações de recarga para carros elétricos. A Sinopec retirou a infraestrutura de abastecimento de um posto em Xangai e colocou no lugar carregadores Flash da BYD, com potência de até 1.500 kW.

O caso é especialmente simbólico porque não se trata apenas de instalar carregadores ao lado das bombas existentes. No local, os tanques subterrâneos de gasolina foram removidos para dar espaço à estrutura de armazenamento de energia que alimenta os carregadores.

A unidade, localizada na Huqingping Road, em Xangai, é a primeira estação operada em conjunto pela BYD e pela Sinopec dentro da parceria anunciada pelas duas empresas em junho deste ano.

Posto de gasolina vira eletroposto

A estrutura utiliza seis carregadores Flash da BYD, cada um com dois cabos, totalizando 12 posições de recarga. O desenho em formato de “T” também lembra a disposição tradicional das bombas de combustível.

A grande diferença está na velocidade. O carregador pode entregar até 1.500 kW por conector quando conectado a um veículo compatível com a nova geração da bateria Blade.

Segundo a BYD, a tecnologia permite passar de 10% para 70% de carga em aproximadamente cinco minutos e de 10% para 97% em nove minutos. Em condições extremas de -30 °C, a recarga de 20% a 97% levaria cerca de 12 minutos.

Na prática, porém, esses números dependem do veículo, da bateria, da temperatura e da capacidade do sistema de gerenciamento de carga. O valor de 1.500 kW representa a potência máxima do carregador, e não necessariamente aquela que será entregue continuamente à bateria.




Foto de: BYD

Por que o carregador precisa de baterias?

Um dos pontos mais interessantes da solução está justamente na infraestrutura por trás do carregador.

Uma estação capaz de fornecer 1.500 kW diretamente pela rede elétrica exigiria uma conexão de alta potência. Para contornar essa limitação, a tecnologia Flash utiliza baterias estacionárias para armazenar energia e entregar grandes picos de potência durante a recarga.

A BYD afirma que o sistema de armazenamento permite reduzir a demanda instantânea sobre a rede elétrica local. A empresa também destaca que suas estações Flash são concebidas para trabalhar integradas a sistemas de armazenamento de energia.



BYD - carregador Flash 1,5 MW

BYD – carregador Flash 1,5 MW

Foto de: BYD

É justamente essa característica que torna a solução interessante para a transformação de postos existentes. Em vez de construir uma nova infraestrutura elétrica capaz de entregar 1,5 MW diretamente a cada carregador, parte da energia pode ser acumulada previamente e liberada rapidamente quando um carro chega para recarregar.

No posto convertido em Xangai, a infraestrutura de combustível foi substituída pelo sistema necessário para a nova operação.

Sinopec tem milhares de postos que podem ser convertidos

A Sinopec opera mais de 30 mil postos de abastecimento na China e também possui uma ampla rede de infraestrutura de recarga e troca de baterias. A empresa e a BYD anunciaram em junho uma cooperação envolvendo a construção e operação de uma rede de recarga, serviços automotivos, armazenamento de energia e outros negócios relacionados à transição energética.



BYD carregador megawatt

Foto de: CarNewsChina

O primeiro movimento, portanto, não significa que a Sinopec esteja abandonando os combustíveis. A estratégia permite aproveitar terrenos, localização e fluxo de clientes que a empresa já possui enquanto a participação dos carros elétricos cresce no mercado chinês.

A parceria também pode acelerar a expansão da rede Flash da BYD. A montadora afirma ter como objetivo chegar a 20 mil estações Flash na China até o fim de 2026.



BYD Denza Z9S

Foto de: BYD

E o Brasil?

A transformação de um posto de gasolina em uma estação de recarga da BYD ainda é uma realidade chinesa, mas a tecnologia já tem planos concretos para o Brasil.

A BYD anunciou que trabalha na implantação do Flash Charging no país ainda em 2026. O primeiro carregador ultrarrápido está previsto para Brasília, enquanto a empresa projeta instalar 1.000 carregadores ultrarrápidos no Brasil até o fim de 2027.

O plano brasileiro também prevê o uso de sistemas de armazenamento de energia integrados aos carregadores. Segundo a BYD, a estratégia deve permitir otimizar o uso da eletricidade e reduzir as limitações da rede local durante os picos de demanda.



BYD Han L, Tang L e carregamento de megawatts

BYD Han L, Tang L e carregamento de megawatts

Foto de: Patrick George

A empresa já apresentou o carregador de 1,5 MW no Brasil e afirma que o Denza Z9 GT será o primeiro modelo vendido no país compatível com a tecnologia. Isso não significa, porém, que postos brasileiros de gasolina serão convertidos em estações Flash. A BYD ainda não anunciou uma operação no Brasil equivalente à parceria com a Sinopec.

O que o caso chinês mostra é outro ponto: a infraestrutura dos postos de combustíveis pode ser reaproveitada para a recarga ultrarrápida à medida que os carros elétricos ganham espaço.

O que você pensa sobre isso?

Em vez de criar uma rede completamente nova, empresas de energia e montadoras podem aproveitar terrenos já posicionados em áreas de grande circulação, mantendo conveniências, serviços e outros negócios associados aos atuais postos.

Na China, esse processo já começou de forma mais radical. Um posto da Sinopec em Xangai deixou de ser abastecido por gasolina e passou a funcionar como uma estação dedicada à recarga elétrica da BYD.



Fonte: UOL

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