O pastor Fabio Prado, réu por estupro de vulnerável contra a própria sobrinha, que tinha apenas dois anos na época dos fatos, continua sem ser localizado pela Justiça de São Paulo. Apesar das tentativas de encontrá-lo para responder ao processo, o religioso mantém atividades nas redes sociais, onde publica conteúdos religiosos e aparece pregando em cultos.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles nesta quinta-feira (5), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) encaminhou, ainda em 2026, um novo endereço do acusado ao Foro Regional de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, para outra tentativa de citação judicial.
O processo teve início em 2013, quando a mãe da criança procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência contra o pastor. Na ocasião, ela relatou que a filha se queixava de dores na região íntima.
Fabio morava na mesma residência que a menina, os pais dela e a avó materna da criança, que também é mãe do acusado.
O que dizem os exames realizados na criança?
Após a denúncia, a menina passou por um exame pericial, que não identificou lesões corporais de interesse médico-legal.
O documento, no entanto, registrou que a ausência de vestígios não permitia descartar a possibilidade de outros atos de natureza sexual.
“Atos libidinosos diversos da conjunção carnal, se houve, não deixaram vestígios no momento da presente perícia”, afirma o laudo.
Uma avaliação realizada por uma psicóloga forense apontou indícios psicológicos de que a criança poderia ter vivenciado uma situação traumática relacionada à violência.
Posteriormente, durante depoimento à Justiça, a mãe da menina afirmou acreditar que a avó havia dado banho na criança para eliminar possíveis vestígios e proteger o filho. A suspeita foi apresentada pela mãe e não constitui uma conclusão pericial.
Antes mesmo de o pastor se tornar réu, a mãe da criança já havia conseguido uma medida protetiva contra ele.
Por que o processo contra o pastor está suspenso?
Fabio Prado tornou-se réu por estupro de vulnerável em 22 de julho de 2019. No mês seguinte, foi formalmente indiciado.
Em setembro daquele ano, um oficial de Justiça tentou encontrá-lo no endereço informado no processo, mas não conseguiu realizar a citação.
O Ministério Público apresentou outros endereços associados ao religioso, sem sucesso.
Diante das tentativas frustradas, a promotora Renata Hatori Nascimento solicitou a citação por edital, procedimento utilizado quando o acusado não é encontrado pessoalmente.
O edital foi publicado em 11 de maio de 2021, com prazo de 15 dias para que o pastor apresentasse resposta à acusação e constituísse defesa.
Como não houve comparecimento, a 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher determinou, em 2022, a suspensão do processo e do prazo prescricional.
A decisão foi fundamentada no artigo 366 do Código de Processo Penal, que permite suspender o andamento de uma ação penal quando o réu, citado por edital, não comparece nem constitui advogado.
Não há informação de condenação criminal de Fabio Prado nesse processo.
Pastor continua publicando vídeos nas redes sociais
Embora não tenha sido localizado pela Justiça, Fabio Prado continuou divulgando conteúdos religiosos na internet.
No TikTok, uma publicação de 8 de setembro de 2026 mostra o pastor pregando durante um culto em uma igreja evangélica.
O religioso também mantinha perfis no Instagram e no Facebook, além de uma página dedicada a conteúdos religiosos administrada com a atual esposa.
No momento da apuração, essas contas estavam fechadas. A página de uma editora vinculada ao casal também não estava disponível publicamente.
A atividade nas redes sociais, porém, não comprova por si só onde o pastor reside atualmente nem que esteja deliberadamente evitando a Justiça.
A reportagem do Metrópoles tentou contato pelo número de WhatsApp disponibilizado no perfil do religioso, mas a conta já havia sido excluída. As tentativas de contato telefônico também não tiveram resposta.
Pastor também foi acusado de furtar dinheiro de funcionários
Além do processo por estupro de vulnerável, Fabio Prado foi alvo de outra acusação em 2024, quando trabalhava como porteiro noturno de um condomínio residencial na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo.
Na ocasião, funcionários do prédio registraram um boletim de ocorrência após perceberem o desaparecimento de aproximadamente R$ 5 mil arrecadados na caixinha de Natal.
O dinheiro seria dividido entre seis empregados.
De acordo com o registro policial, os trabalhadores perceberam que envelopes contendo os valores mais altos haviam desaparecido.
Ao analisarem imagens das câmeras de segurança dos dias 21 e 23 de dezembro daquele ano, identificaram o que descreveram como “ações suspeitas” do pastor.
Segundo a ocorrência, as gravações mostram o funcionário pegando a caixinha e levando-a até um banheiro, onde teria permanecido por aproximadamente uma hora em cada uma das ocasiões.
Não foram identificadas informações sobre eventual denúncia formal do Ministério Público ou condenação relacionada a essa acusação de furto.
O que acontece agora com o processo?
O processo por estupro de vulnerável permanece suspenso desde 2022, enquanto a Justiça tenta localizar o acusado para que ele possa responder formalmente à ação penal.
Em 2026, o Ministério Público apresentou outro endereço para uma nova tentativa de citação.
Não há confirmação pública de que essa diligência tenha sido concluída ou de que tenha ocorrido uma nova decisão judicial sobre o caso.









