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“OpenAI chinesa” estreia em Hong Kong e testa o apetite do mercado por apostas em IA


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A estreia da Zhipu na bolsa de Hong Kong, levantando US$ 558 milhões, sinalizou o apetite dos investidores por empresas chinesas de IA em um cenário competitivo e com restrições geopolíticas. Avaliada em HK$ 4,3 bilhões, a Zhipu se tornou a primeira grande desenvolvedora chinesa de modelos de linguagem a abrir capital, refletindo a estratégia da China para competir com os EUA em IA.

A empresa, apoiada pelo governo, busca reduzir a dependência tecnológica do Ocidente, mas enfrenta riscos, como a inclusão na Lista de Entidades dos EUA, que limita seu acesso a tecnologias avançadas. Apesar disso, a Zhipu avança internacionalmente, com escritórios em vários países.

Financeiramente, a empresa ainda é modesta, com receita de US$ 44 milhões em 2024, e planeja destinar 70% dos recursos do IPO para pesquisa e desenvolvimento. O sucesso inicial das ações sugere otimismo no mercado, enquanto a MiniMax, outra startup de IA, se prepara para sua própria oferta pública.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A estreia da Zhipu na bolsa de Hong Kong funcionou como um termômetro do apetite dos investidores por empresas chinesas de inteligência artificial em um momento de forte competição global, restrições geopolíticas e capital cada vez mais seletivo.

As ações da Knowledge Atlas Technology JSC, mais conhecida como Zhipu, chegaram a subir até 15% em sua abertura de capital, após a companhia levantar US$ 558 milhões em sua oferta pública inicial.

Com isso, a startup sediada em Pequim se tornou a primeira grande desenvolvedora chinesa de modelos de linguagem a abrir capital, um movimento que ajuda a dar contornos mais claros à estratégia da China para disputar a liderança em IA com os Estados Unidos.

O IPO avaliou a Zhipu em cerca de HK$ 4,3 bilhões (US$ 551 milhões), um valuation expressivo para uma empresa fundada em 2019, mas ainda distante das gigantes americanas do setor.

Ainda assim, analistas veem a operação como um passo relevante para institucionalizar o ecossistema de IA chinês, em um momento em que o governo incentiva a criação de campeãs nacionais em tecnologias consideradas estratégicas.

A Zhipu integra o grupo conhecido no mercado como os “tigres da IA” da China — startups focadas no desenvolvimento de grandes modelos de linguagem (LLMs) com a ambição de rivalizar com empresas como OpenAI e Anthropic. O grupo inclui nomes como a DeepSeek, que ganhou projeção global após lançar modelos considerados competitivos em desempenho e custo.

No caso da Zhipu, o apoio de Pequim é um dos principais pilares da tese de investimento. Fundada por pesquisadores de uma importante universidade chinesa, a empresa se posiciona como um ativo estratégico em um cenário no qual a China busca reduzir sua dependência tecnológica do Ocidente, especialmente em áreas sensíveis como inteligência artificial e semicondutores.

Esse respaldo estatal, no entanto, vem acompanhado de riscos. Em janeiro do ano passado, a Zhipu foi incluída na Lista de Entidades do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, sob a alegação de colaboração com as forças armadas chinesas. A decisão limita o acesso da empresa a tecnologias avançadas e expertise em semicondutores, um gargalo estrutural para qualquer desenvolvedor de modelos de IA de grande escala.

Apesar das restrições impostas pelos EUA, a Zhipu tem conseguido avançar em sua estratégia de expansão internacional. A empresa mantém escritórios no Reino Unido, Singapura e Malásia, além de atuar no Oriente Médio e no Sudeste Asiático, onde opera projetos conjuntos de centros de inovação em países como Indonésia e Vietnã.

Esse movimento sugere uma tentativa clara de diversificação geográfica e de mitigação dos riscos regulatórios e políticos. Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre a capacidade da empresa de sustentar ganhos de escala e competitividade tecnológica sem acesso irrestrito às cadeias globais de hardware de ponta.

Do ponto de vista financeiro, a Zhipu ainda está em fase de construção. Em 2024, a companhia registrou receita de 312,4 milhões de yuans (cerca de US$ 44 milhões), número modesto quando comparado aos investimentos necessários para treinar e operar modelos de linguagem de grande porte. Não por acaso, a empresa informou em seu prospecto que pretende destinar aproximadamente 70% dos recursos levantados no IPO para pesquisa e desenvolvimento.

A performance positiva das ações na estreia indica que, ao menos no curto prazo, o mercado está disposto a apostar na narrativa de longo prazo da IA chinesa — especialmente quando respaldada por apoio estatal e por uma estratégia clara de consolidação setorial.

Ao mesmo tempo, o caso da Zhipu evidencia o dilema enfrentado por essas empresas: crescer rápido o suficiente para competir globalmente, mas dentro de um ambiente cada vez mais fragmentado por barreiras tecnológicas e tensões geopolíticas.

A expectativa agora se volta para os próximos movimentos do setor. A MiniMax, outra startup chinesa de IA, deve protocolar sua própria oferta pública inicial nos próximos dias, testando novamente o apetite dos investidores. A resposta do mercado ajudará a indicar se o IPO da Zhipu foi um ponto fora da curva — ou o início de uma nova janela para empresas chinesas de IA no mercado de capitais.



Fonte: NeoFeed

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