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A Suzuki confirmou oficialmente que lançará no Brasil, ainda no primeiro trimestre de 2026, um veículo 100% elétrico com tração 4×4. O comunicado, divulgado pela HPE Automotores nesta semana, não cita o nome do modelo nem apresenta ficha técnica, preço ou posicionamento claro. Mesmo assim, diz muita coisa.
Segundo o anúncio, trata-se de “um veículo completamente novo, 100% elétrico e com tração 4×4”, com chegada prevista até março. A fala de Mauro Luis Correia, presidente da HPE, reforça o discurso de retomada da Suzuki no Brasil, mas evita qualquer detalhe concreto. Em vez de números, aparecem conceitos: “novo capítulo”, “produto atrativo”, “trajetória de sucesso”.

Foto de: Suzuki
A descrição, porém, coincide com o único modelo da marca que combina essas características: o Suzuki e-Vitara elétrico, apresentado globalmente no fim de 2025 e já flagrado em testes no Brasil. O sistema de tração integral, batizado de AllGrip-e, usa dois motores elétricos e distribui torque entre os eixos de forma totalmente eletrônica.
No exterior, o e-Vitara já aparece com duas opções de bateria, de 49 kWh e 61 kWh, e autonomia oficial que pode chegar a cerca de 425 km pelo ciclo WLTP, dependendo da configuração. A versão de entrada entrega aproximadamente 144 cv, a configuração de 61 kWh com tração dianteira sobe para cerca de 174 cv, enquanto a versão com tração integral AllGrip-e alcança 184 cv.

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Fonte: Suzuki
No Reino Unido, onde o modelo já está disponível no configurador oficial, os preços nos dão uma noção melhor do posicionamento. A versão Motion com bateria de 49 kWh parte de £26.249 (cerca de R$ 188 mil). Com bateria de 61 kWh, os valores sobem para £29.249 (R$ 209 mil) nas versões 2WD e chegam a £31.249 (R$ 224 mil) na configuração AllGrip-e. No topo da gama, a versão Ultra 4WD custa £34.049 (R$ 244 mil), na conversão direta.
Esses números ajudam a entender por que a Suzuki não parece interessada em disputar o mesmo espaço de elétricos voltados ao volume. Enquanto boa parte do mercado brasileiro aposta em SUVs compactos de tração simples e foco em conectividade, a marca japonesa parte de uma proposta mais mecânica, com dois motores e uma arquitetura mais complexa – mesmo sabendo que isso encarece o produto e reduz a eficiência em uso urbano.

Suzuki e-Vitara flagrado no Brasil
Foto de: Placa Verde
Esse movimento revela um posicionamento. A marca não tenta disputar volume com BYD, GWM, GAC ou com os europeus que já atuam em escala. Também não busca ser a mais barata nem a mais conectada. Ao trazer um elétrico com dois motores logo de cara, a Suzuki se distancia da lógica dominante do segmento e aposta em algo que hoje quase não existe por aqui: diferenciação por engenharia.
Hoje, nenhum SUV elétrico abaixo de R$ 300 mil oferece tração integral de série no Brasil. Modelos como BYD Yuan Pro e Volvo EX30 – que só tem motor duplo na versão Cross Country, bem mais cara – ficam restritos a um único motor.
A exceção é o MG4 XPower, que traz tração integral 4WD, mas se trata de um hatchback, não de um SUV.

Foto de: Suzuki
Se chegar por algo próximo de R$ 250 mil, como se especula, o e-Vitara deve ocupar um espaço próprio no mercado, em que o apelo não será a tela maior ou o design futurista, mas a proposta mecânica.
Esse caminho também dialoga com a história da Suzuki no país. A marca construiu sua reputação local com veículos associados à robustez e à tração nas quatro rodas, como Jimny, Vitara e Samurai. Trocar o motor a combustão por baterias não apaga esse DNA – apenas o reposiciona em um novo contexto.
Mas há riscos. O consumidor brasileiro de elétricos ainda responde mais a preço, autonomia e estética do que a soluções de tração. Um AWD elétrico pode parecer excesso para quem usa o carro majoritariamente na cidade. Ao mesmo tempo, pode atrair um público que sente falta de propostas menos padronizadas em um mercado cada vez mais homogêneo.
Nesse sentido, o e-Vitara chega como algo além de um novo produto. Ele testa até onde o consumidor brasileiro está disposto a ir quando a eletrificação deixa de ser apenas um pacote tecnológico e passa a refletir escolhas de engenharia. Não é uma aposta em volume, mas em identidade. E isso, por si só, já o torna um lançamento interessante.
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Fonte: UOL









