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O que o mercado espera da fusão Afya e Yduqs


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A fusão entre Yduqs e Afya criará uma gigante da educação superior com receita de R$ 9,4 bilhões e quase 1 milhão de alunos.

A nova empresa terá 176 campi, incluindo 51 dedicados à medicina, e oferecerá 5,8 mil vagas anuais para o curso. As sinergias esperadas podem alcançar R$ 2,2 bilhões, com 80% capturados nos primeiros três anos.

A alavancagem da Yduqs cairá de 1,6 para 1,2 vez após a fusão. A Bertelsmann, controladora da Afya, manterá 47,3% da nova empresa, com Kay Krafft como presidente do conselho.

Analistas veem a fusão como uma oportunidade de valorização significativa, mas alertam para a possível sobreposição de mercado em algumas regiões, o que pode atrair a atenção do Cade.

A nova empresa será listada na B3, enquanto a Afya deixará a Nasdaq. As ações da Yduqs subiram 2,3% após o anúncio. Combinadas, as companhias têm valor de mercado de mais de R$ 9 bilhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A fusão das plataformas Yduqs e Afya vai resultar em uma gigante da educação superior com uma receita combinada de R$ 9,4 bilhões e quase 1 milhão de alunos de graduação.

O grupo passa a ter, a partir da confirmação da negociação, uma rede com 176 campi nos 26 estados, sendo 51 somente para medicina. Com a combinação, a nova companhia vai passar a oferecer 5,8 mil vagas anuais para alunos que buscam o curso.

A receita líquida da nova empresa, levando o período anualizado a partir do segundo trimestre, alcança R$ 9,4 bilhões. As sinergias previstas na operação podem chegar a R$ 2,2 bilhões, com 80% já capturados nos primeiros três anos.

“Esse movimento é algo que a Yduqs sempre buscou, que é a consolidação do mercado, com um parceiro perfeito. A gente vai seguir se desalavancando em ritmo acelerado e entregando retorno ao acionista”, afirma Rossano Marques, CEO da Yduqs, em call com investidores e analistas na manhã desta quinta-feira, 24 de setembro.

A reação inicial do mercado foi morna. A nova empresa será listada na B3, como hoje já é a Yduqs. Com a fusão, a Afya deixará a Nasdaq. A Afya vale US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões). A Yduqs vale R$ 3 bilhões. Dessa forma, a empresa combinada terá valor de mercado de mais de R$ 9 bilhões.

No início do pregão, o mercado reagiu com entusiasmo ao anúncio. Por volta de 11h45, as ações da Yduqs subiam pouco mais de 1%. As da Afya caiam quase 1%.

“Afya e Yduqs juntas mostram que o setor de educação tem buscado sinergias, mas também movimentações táticas para evitar que bons ativos fiquem com concorrentes”, diz um executivo do setor de educação, ouvido pelo NeoFeed.

Para os analistas do Itaú BBA, a negociação cria uma líder da educação no Brasil, com grande poder de valorização, principalmente pelo ganho de escala e pela complementariedade nas operações das duas empresas.

“A transação combina a plataforma da Afya, focada em medicina, com o portfólio mais amplo de ensino superior da Yduqs, criando uma plataforma de educação significativamente maior e mais diversificada”, afirma o relatório.

Ainda na avaliação do banco, as sinergias previstas já incluem os descontos ligados aos efeitos negativos decorrentes da própria transação. “Incorporando o ponto médio de R$ 2,1 bilhões, chegamos a um valor total implícito de R$ 3,59 bilhões para os acionistas da Yduqs, equivalente a aproximadamente 30% acima de sua atual capitalização de mercado; e R$ 7,48 bilhões para os acionistas da Afya, equivalente a aproximadamente 21% acima de sua atual capitalização de mercado”, dizem os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Marquezini e Felipe Amancio.

A XP também enxerga o grande potencial da fusão, principalmente em relação ao volume de vagas de medicina, que vão representar 12% da capacidade total oferecida no Brasil. “Avaliamos a transação como estrategicamente importante para o setor, especialmente diante das incertezas relacionadas ao novo marco regulatório do ensino a distância e da intensificação da concorrência no segmento de medicina”, diz o analista Gustavo Tiseo.

A preocupação da XP, a exemplo do que também indica o Itaú, está em uma possível sobreposição de mercado, o que pode causar uma análise mais apurada por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“Identificamos mercados nos quais a companhia combinada teria mais de 30% da capacidade local de vagas de Medicina, patamar que o órgão de defesa da concorrência normalmente considera mais complexo sob a perspectiva concorrencial”, afirma o analista.

Entre as regiões que se destacam nesta condição, segundo a XP, estão Ji-Paraná, com 100% de participação nas vagas da cidade, Teresina, com 45%, e Rio de Janeiro, com 38%.

Como fica a estrutura

Na nova governança da companhia, a alemã Bertelsmann, atual controladora da Afya, seguirá no controle da empresa combinada. Após a transação, ela terá 47,3% de participação. A família Esteves, da Afya, ficará com 7,6% e a família Zaher, da Yduqs, 4,8%.

Com isso, o presidente da nova empresa será o alemão Kay Krafft, atual CEO da Bertelsmann Education. O CEO do grupo será Virgilio Gibbon, que ocupa a mesma função na Afya. Marques, CEO da Yduqs, será presidente da unidade de ensino superior, com exceção de medicina.

Entre a assinatura e a conclusão da operação, os acionistas da Yduqs deverão receber um volume de dividendos de R$ 750 milhões. A alavancagem da Yduqs, hoje em 1,6 vez da relação dívida líquida/Ebitda, cairá 0,4 ponto percentual e vai alcançar 1,2 vez, a partir da conclusão da negociação.



Fonte: NeoFeed

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