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O freio de mão da IA: por que o choque de cautela de Dario Amodei e Sam Altman assustou os mercados


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As ações de empresas de inteligência artificial (IA) caíram nas bolsas dos EUA e Europa, com a Nvidia e AMD registrando quedas significativas.

Essa mudança de tendência foi impulsionada por líderes do setor, como Dario Amadei da Anthropic, que pediram um “pé no freio” no desenvolvimento da tecnologia devido a preocupações com riscos, como uso indevido e ataques cibernéticos.

Amadei destacou a necessidade de regulamentação e cautela, especialmente após incidentes envolvendo IA da OpenAI.

O apoio a essa posição veio de figuras como Elon Musk e Sam Altman, que também expressaram preocupações sobre segurança. Em contraste, Donald Trump rebateu os críticos da IA, defendendo a liderança dos EUA no setor.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Na contramão do roteiro que acostumaram a percorrer recentemente, boa parte das ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) engatou uma trajetória de queda no início desta semana nas bolsas de valores dos Estados Unidos e da Europa.

Os papéis da Nvidia, por exemplo, caíam 3,44% por volta das 11h10 (horário local) na Nasdaq, enquanto os da AMD, também de chips, registravam queda de 6,14%. No mesmo horário, as ações da Amazon e da SpaceX recuavam, respectivamente, 1,60%, e, as da Amazon, 1,18%.

Já no Velho Continente, em outros exemplos dessa derrocada, as ações de companhias como a holandesa ASML, fabricante de equipamentos para semicondutores, despencavam quase 6%. Assim como os papéis da alemã Infineon, de chips, que caíam mais de 8%.

A virada de chave veio na sequência de uma espécie de pé no freio colocado pelos nomes à frente de algumas das principais companhias que estão impulsionando e surfando essa onda. Entre outros pontos, eles alertaram para os riscos ligados ao rápido avanço dessa tecnologia.

Quem deu a largada nesse burburinho foi Dario Amadei, cofundador e CEO da Anthropic. Ele publicou um longo ensaio no último sábado, 12 de setembro, pedindo para as empresas do setor reduzirem o ritmo de desenvolvimento de seus modelos em meio às preocupações crescentes de uso indevido da IA.

“Devemos diminuir o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de inteligência artificial. O progresso ainda parecerá rápido e devemos usar o tempo que ganharmos com sabedoria”, escreveu Amodei.

Ele destacou que, como muitas tecnologias anteriores, a IA traz riscos que, pelo seu poder, são ainda mais sérios. Entre eles, o risco de perder o controle dos sistemas, o uso indevido dessas ferramentas para ataques cibernéticos e bioterrorismo, e “graves perturbações econômicas”.

Amodei frisou que a Anthropic sempre dedicou parte de seus esforços a estudar e informar sobre essas questões, bem como defender uma regulamentação da IA. E que, nos últimos meses, ele entendeu que também é preciso ir além e dosar o ritmo para que a prevenção possa acompanhar tais riscos.

Segundo Amodei, um dos motivos por trás dessa mudança foi o incidente envolvendo agentes de IA da OpenAI, que escaparam de um ambiente de testes, em julho, fizeram um ataque no ambiente da Hugging Face, plataforma colaborativa de desenvolvimento de ferramentas de IA de código aberto.

“Dado o ritmo acelerado do desenvolvimento de capacidades de IA, temo que, em 6 a 12 meses, um ataque desse tipo possa ser capaz de dominar toda a internet como uma botnet persistente, causando potencialmente centenas de bilhões de dólares em prejuízos”, ressaltou ele, em outro trecho.

Amodei não fez menções, mas, nas semanas seguintes ao ataque relacionado a agentes da OpenAI, incidentes semelhantes vieram à tona envolvendo empresas como a Meta e a própria Anthropic.

O fato é que o coro expresso por ele em seu extenso artigo ganhou o reforço e a “chancela” de alguns de seus pares. Entre eles, o bilionário Elon Musk, à frente da xAI, parte da SpaceX, e Sam Altman, cofundador e CEO da OpenAI, que disseram concordar com Amadei em postagens no X.

Além desse “apoio”, Altman afirmou em entrevista concedida à revista Fortune no mesmo dia da publicação do artigo que a OpenAI não vai mais abrir capital em 2026, justamente em virtude das preocupações com a segurança da inteligência artificial.

“Na verdade, acho que, considerando tudo o que está acontecendo com a segurança, agora seria um momento imprudente para tornar isso público e não sentimos pressão para tal”, afirmou o “homem forte” da dona do ChatGPT.

Esse contexto de maior cautela também foi alimentado por Jacob Coxon, um pesquisador com passagens recentes pela Anthropic e OpenAI. Na semana passada, ele ganhou as manchetes ao fazer declarações fortes sobre sua experiência no desenvolvimento dessa tecnologia.

Entre outros alertas, Coxon afirmou que “as pessoas que desenvolvem a inteligência artificial acreditam sinceramente que ela poderá matar a todos até o fim da década”. Em contrapartida, houve quem discordasse dessa nova onda, bem menos favorável, em torno da IA.

Esse foi o caso de Donald Trump. No domingo, o presidente dos Estados Unidos comparou os críticos dessa tecnologia a “forças muitos negativas”, que, em sua visão, apontam cenários que não irão se concretizar. Ele também disse que vai garantir que os EUA sigam líderes do setor.

Especificamente sobre esse ponto, em seu artigo, Amodei defendeu que uma abordagem coordenada do setor permitiria que as principais empresas americanas de IA realizassem as pesquisas de segurança e controles necessários sem se colocarem em desvantagem competitiva.

Ele também defendeu controles mais rígidos sobre chips de IA avançados, destilação de modelos e roubo de modelos para impedir que a China reduza a distância para as empresas americanas. E observou:

“O ritmo de desenvolvimento em democracias será limitado pela vantagem que as empresas americanas têm sobre regimes autoritários, principalmente o Partido Comunista Chinês”, escreveu ele, acrescentando:

“Se diminuirmos o ritmo mais do que isso, projetos associados ao Partido Comunista Chinês, sem controle de ritmo, ganharão vantagem, criando um risco significativo para a segurança nacional”.



Fonte: NeoFeed

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